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Desporto no feminino floresce no Qatar

De  Euronews
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Desporto no feminino floresce no Qatar
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Golfe para todos e todas

Mais de 700 organizações em todo o mundo trabalham de forma concertada para incluir as mulheres no golfe e o Qatar não é exceção. Falámos com algumas das melhores jogadoras do país.

Yasmian Ghanem integrou a equipa nacional do Qatar em 2008 e destacou-se em várias competições mundiais: "É um grande desafio competir com pessoas de outros países. Tento trabalhar certos aspetos do meu caráter para sentir confiança, estar em contacto com os outros, conhecer culturas diferentes", conta.

Para Yasmian Ghanem, o golfe está a tornar-se cada vez mais popular no Qatar: "Faço uma visita guiada sobre o golfe, nas escolas e até nas universidades. Conto a minha história. Tento sempre incentivar as raparigas que tenham inclinação para o desporto a experimentar".

O Clube de Golfe de Doha ambiciona fazer do golfe um desporto inclusivo: "Temos aulas para mulheres principiantes, temos uma secção feminina ativa e temos treinadoras profissionais", diz Gary McGlinchey, membro britânico da PGA e Diretor de Operações do Clube de Golfe de Doha.

Para promover o golfe, o clube aposta na tecnologia. O Education City Golf Club abriu as portas ao público em 2019.Com 8000 horas de treino por ano, o objetivo era propiciar igualdade de oportunidades para homens e mulheres.

Diz Rhys Alex Beecher, diretor da Education City: "Foi um dos pilares do projeto para garantir que o golfe pudesse expandir-se não no sentido tradicional, mas abarcando partes da população que talvez não estivessem tão familiarizadas com este desporto.

Os treinadores do Clube são oriundos dos quatro cantos do mundo.

Rachel Choi treina os jovens: "Há um número mais ou menos igual de rapazes e raparigas, especialmente entre os mais jovens. Adoraria que houvesse mais adolescentes. É uma questão de divertimento, especialmente nessas idades. Estou sempre a encorajar as mães das crianças a participarem também com os amigos. É muito emocionante ver que o clube tem cada vez mais membros, especialmente crianças e mulheres".

Há um número mais ou menos igual de rapazes e raparigas (nas aulas de golfe), especialmente entre os mais jovens.
Rachel Choi
Treinadora de golfe

Houve um esforço para integrar toda a gente: "Nesta área temos uma cerca alta à volta e há uma entrada privada a partir do vestiário que dá diretamente para um dos nossos estúdios no Centro de Excelência", diz Rachel Choi.

Entrevista

O Comité do Desporto Feminino do Qatar ambiciona criar oportunidades para que as mulheres se destaquem no desporto.

A Presidente do Comité, Lolwa Al Marri, afirma ter uma visão clara do que é preciso fazer atingir os objetivos.

"O Comité do Desporto Feminino do Qatar foi criado em 2000. Esteve sob a égide do Comité Olímpico do Qatar 2001 e tem duas funções principais. Uma é trabalhar com as Federações Nacionais e com o Comité Olímpico do Qatar para estabelecer equipas desportivas olímpicas para participar e representar o Qatar. E o outro é encorajar as pessoas a praticar desporto e a ver o desporto como um estilo de vida. Organizamos programas ao longo do ano para que mulheres de todas as idades participem plenamente nos desportos", diz.

Como vê a evolução do desporto e das oportunidades para as mulheres desde que integrou o comité?

Integrei a comissão em 2008, mas é claro que estive envolvida no desporto toda a minha vida. As coisas mudaram muito. O país está a encorajar as mulheres a praticar desporto. Depois de o Qatar ter anunciado a realização de grandes eventos, ténis e atletismo, e de muitos eventos serem organizados aqui no Qatar, as pessoas apaixonaram-se pelo desporto.

Disse que o desporto sempre fez parte da sua vida, como começou o seu amor pelo desporto?

Eu praticava judo, mas não a um nível profissional. Depois estudei na Universidade do Qatar. Tirei o curso de professora de Educação Física. Depois, trabalhei no comité que organizou os Jogos Asiáticos. O Qatar foi o país anfitrião em 2006. Trabalhei durante dois anos e no final regressei ao ensino mas já não conseguia ensinar. Estava apaixonada pela gestão desportiva e pela organização dos eventos.

Quais são os grandes eventos atuais, além do Campeonato do Mundo, que as pessoas talvez não conheçam bem?

É uma grande honra para nós acolher o Campeonato do Mundo nesta região do mundo, pela primeira vez. Claro, o Qatar é conhecido por acolher muitos eventos. Já organizámos os Jogos Asiáticos e vamos voltar a organizar os Jogos Asiáticos de 2030. Temos o torneio de ténis há muito tempo e muitos outros torneios.

Pensa que o desporto desempenha um papel para aproximar as pessoas e estimular a participação?

A nossa primeira participação olímpica foi em 2012. Foi a primeira vez para nós e para muitos outros países. Em muitas áreas, podemos ver os vários atletas de nacionalidades, religiões e cores diferentes, juntos pelo amor ao desporto. Isso propicia paz para todos.

"Está a trabalhar em grandes planos para os próximos anos?

Como disse, a nossa primeira participação olímpica foi em 2012 e depois estivemos no Rio de Janeiro, sem ganhar medalhas. Por isso, é claro que estamos a trabalhar para obter medalhas e esperamos consegui-lo. É o nosso sonho e penso que se vai tornar realidade.

Atletas de exceção

Do tiro aos pratos, ao remo e ao atletismo, as mulheres no Qatar estão a bater recordes e a competir ao mais alto nível. Falámos com algumas atletas para descobrir o que é preciso para atingir o topo. Três mulheres, Três desportos, três campeãs. 

Mariam Farid é uma estrela do atletismo no Qatar."Eu dizia que tínhamos de organizar o Campeonato Mundial pela primeira vez no Médio Oriente. Mais mulheres têm de ver o que fazemos e sentir-se inspiradas", diz.

Em 2019, Mariam Farid representou o Qatar em Doha, na prova dos 100 metros barreiras. Foi a primeira vez que a prova se desenrolou na região árabe: "Como mulher no desporto, ou até no atletismo, as coisas mudaram muito o que inspirou as gerações mais jovens. As pessoas vêm que há mulheres que competem. Há mulheres que praticam desporto a nível profissional, há mulheres que vão ao ginásio e gostam de treinar", conta.

Reem Al-Sharshani começou a praticar tiro aos pratos quando tinha 15 anos de idade. Desde então já conquistou uma medalha de bronze num Campeonato Mundial: "Pratiquei judo e taekwondo. Depois, quando comecei a praticar tiro, experimentei vários tipos de tiro incluindo o tiro aos pratos. Escolhi esse desporto, que combina com a minha personalidade", diz Al-Sharshani, que tem um sonho: "Quero participar nas Olimpíadas, qualificar-me, receber a medalha de ouro, ter muito orgulho em mim própria por ter escolhido este desporto e deixar a minha família orgulhosa, e o meu país".

Luis Acosta/AFP
Tala AbujbaraLuis Acosta/AFP

Tala Abujbara foi a primeira mulher do Qatar a competir na modalidade de remo nos Jogos Olímpicos, ao entrar nos recentes jogos de Tóquio. 

"O remo fez provavelmente mais do que muitos outros desportos pela igualdade das mulheres e pela igualdade de oportunidades no desporto. Nos Jogos Olímpicos, por exemplo, temos tantas mulheres a competir como os homens. Há outra coisa que adoro no remo. Quando se observa uma corrida a descida ao longe, não sabemos se quem rema são homens ou mulheres. Percorremos as mesmas distâncias, é a mesma disciplina. Utilizamos o mesmo equipamento. Até usamos a mesma roupa. Penso que é algo muito bonito e especial no desporto".

O remo fez provavelmente mais do que muitos outros desportos pela igualdade das mulheres e pela igualdade de oportunidades no desporto.
Tala Abujbara
Remadora Olímpica do Qatar

Tala Abujbara deixou-nos alguns conselhos para conseguir ir longe no desporto: "É importante termos pessoas que nos apoiam e agarrar-nos a elas com muita força porque é uma viagem difícil. Há muitos altos e baixos. Essas pessoas estarão presentes para nos ajudar quando caímos. E se há alguém que por acaso está a ouvir o que estou a dizer e sente que ainda não tem essa pessoa nas suas vidas, pode pensar em mim. Estou aqui num pequeno canto do mundo, no Qatar, a torcer por ti e espero que possas alcançar os teus objetivos".