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Qatar desenterra o passado. Uma história para turistas e gerações vindouras

De  Euronews
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Qatar desenterra o passado. Uma história para turistas e gerações vindouras
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As Quatro Casas de Msheireb mostram os alicerces da transformação do Qatar. Datadas do início do século XX, fazem parte da reabilitação do centro de Doha.

A casa Bin Jelmood tem como missão “honrar a contribuição do povo escravo, as contribuições culturais e económicas para o estado do Qatar, para contar a história que muitas vezes não é contada nesta parte do mundo”, explica Fahad Al-Turky, gerente de exposições do Museus Msheireb.

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No Museu, é possível ver como tem evolu'ido o bairro de MsheirebQATAR 365/EURONEWS

O público também pode conhecer a casa do filho do fundador do Qatar moderno ao desvendar a história da zona de Msheireb. Na Casa Radwani os visitantes têm a oportunidade de explorar a vida tradicional do Qatar e ver o local de uma das primeiras escavações arqueológicas da cidade.

Já a Company House, casa da primeira companhia petrolífera do país, revela as mudanças após a descoberta de petróleo e a chegada da eletricidade.

Passado desenterrado

Alexandrine Guérin, curadora do Museu Nacional de Arqueologia e História, tem acompanhado as escavações arqueológicas do Qatar desde a d'ecada de 1980. Começou pelo grande local de escavação conhecido como Murwab, que corresponde ao "início do período abássida, um período muito importante na história do Qatar islâmico. De certa forma, foi o início da era dourada. O Golfo começou a ser uma via rápida para o comércio, para as ideias, e o Qatar estava nesta via rápida", conta a arqueóloga.

Com mais de 240 células e salas, uma mesquita e um forte, o local oferece um vislumbre da vida das pessoas no século IX. Vários locais, alguns datados do século VII, ajudaram o Museu Nacional a construir modelos realistas e a mostrar cerca de 900 objetos.

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Alexandrine Guérin, curadora do Museu Nacional de Arqueologia e História do QatarQATAR 365/EURONEWS

Um forte património mundial da UNESCO

Património mundial da UNESCO, o Forte Al Zubarah albergou, durante os séculos XVIII e XIX, uma movimentada cidade mercante. Hoje constitui a maior área arqueológica do país e foi o primeiro local do Qatar inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO.

A fortificação foi construída pelo xeque Abdullah bin Jassim Al Thani, em 1938, como parte de um complexo sistema de defesa. O local inclui os ruínas de casas com pátio e cabanas de pescadores, becos estreitos, mesquitas e até palácios. Uma camada de areia soprada do deserto protegeu a cidade, fazendo com que grande parte da mesma permanecesse naturalmente preservada.

Forte Al Zubarah está classificado como património mundial da UNESCO
QATAR 365/EURONEWSForte Al Zubarah está classificado como património mundial da UNESCO

"O Qatar floresceu fora do controlo das potências otomana, persa e europeia. Por isso, é importante para a história da região que seja realmente o ponto fundador da actual paisagem política", defende Ferhan Serkal, responsável pelas escavações e a gestão de sítios arqueológicos dos Museus do Qatar.

O povoado foi outrora um centro regional do comércio de pérolas, mas após ter sido combatido por várias potências do Golfo, foi reduzido a cinzas em 1811. A cidade foi reinstalada, mas acabou por ser abandonada no início do século XX, antes de se tornar o que é hoje: um registo arqueológico vital de uma era perdida.