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Russos “negam responsabilidade coletiva”

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De  Euronews
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Jornal russo veiculou notícias censuradas pelo Kremlin sobre a guerra na Ucrânia.
Jornal russo veiculou notícias censuradas pelo Kremlin sobre a guerra na Ucrânia.   -   Direitos de autor  скриншот из видео LUSA

No passado dia 9 de maio, um jornal russo veiculou notícias censuradas pelo Kremlin sobre a guerra na Ucrânia.

Yegor Polyakov, ex-chefe da secção de economia do jornal russo Lenta.Ru, e a sua colega Alexandra Miroshnikova, publicaram, de forma clandestina, notícias sobre a guerra na Ucrânia e criticaram o regime de Putin.

Os leitores foram avisados de que o conteúdo não tinha sido aprovado pelos editores e foram aconselhados a fazer capturas de ecrã. Os artigos permaneceram online cerca de 40 minutos. Entretanto, os jornalistas deixaram a Rússia com receio de serem perseguidos criminalmente.

Em videochamada, o jornalista Yegor Polyakov explicou à Euronews os motivos que o levaram a publicar estes artigos.

"Foram publicados vários materiais no jornal online Lenta.ru, nos quais, parece-me, havia informações bastante verdadeiras sobre o que está a acontecer agora na Rússia e na Ucrânia, o nosso vizinho mais próximo e, em geral, no mundo. Os artigos abordavam todos os tópicos que as autoridades russas queriam manter em silêncio.

Tomei esta decisão rapidamente. Houve várias semanas de choque total, após o início da guerra. Depois, procurei a melhor opção para mim e para a minha consciência. Pensei no que poderia fazer para influenciar esta situação.

Para mim, trata-se de limpar a minha consciência. Na minha opinião, algumas pessoas estão a tentar negar a responsabilidade coletiva. Muitos concidadãos da Rússia têm vindo a tranquilizar-se há muito tempo, dizendo que, não se envolverem na política, significa que não participam na guerra. Mas não, na sociedade moderna, na sociedade moderna normal, não funciona assim. A sua não-participação, infelizmente, é exatamente a mesma participação. Se você se afastar da luta, mas a luta acontecer diante dos seus olhos, não deixa de ser um cúmplice: É, pelo menos, testemunha.

Mas antes de mais é deixar que outros russos, que pensam da mesma maneira, sintam que não estão sozinhos porque muitas leis repressivas são agora adotadas e os meus concidadãos são agora forçados a viver de acordo com essas leis. Por um par de frases, pode obter-se, no mínimo, uma multa e no máximo 15 anos de prisão. Suspeito que para muitos é um stress terrível. Primeiro que tudo, esses artigos foram para todos eles. Para que eles não pensassem que estavam a sofrer sozinhos. Pelo menos não sofrem sozinhos. Para apoiá-los, de alguma forma, e animá-los porque a tirania não pode ser infinita. Mais cedo ou mais tarde chegará ao fim".