Invasão russa da Ucrânia está a prejudicar a educação de cinco milhões de crianças

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De  Francisco Marques
Duas crianças ucranianas refugiadas em Bucareste, na Roménia
Duas crianças ucranianas refugiadas em Bucareste, na Roménia   -   Direitos de autor  AP Photo/Vadim Ghird/Arquivo

A invasão russa da Ucrânia há exatamente onze meses já prejudicou a educação de pelo menos cinco milhões de crianças ucranianas, alerta a UNICEF num relatório publicado neste Dia Internacional da Educação.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância aproveita a data e a publicação deste relatório para apelar à ajuda para devolver a educação às crianças ucranianas, que já tinham sido afetadas por dois anos de pandemia e agora, desde 24 de fevereiro, também pelas bombas do Kremlin, que têm destruído muitos estabelecimentos de ensino.

A diretora regional da UNICEF para a Europa e Ásia Central diz que "não há um botão de pausa possível" na educação.

"Não é possível simplesmente adiar a educação dos filhos e retoma-la depois de resolvidas outras prioridades sem arriscar o futuro de toda uma geração", afirmou Afshan Khan, numa declaração citada pelo organismo que representa.

A UNICEF diz estar a trabalhar com o governo ucraniano "para ajudar as crianças a voltarem à educação, nas salas de aula quando for seguro ou através de alternativas online ou baseadas na comunidade, se a educação presencial não estiver disponível."

"Ao mesmo tempo que mais de 1,9 milhões de crianças tiveram acesso a oportunidades de ensino pela Internet e 1,3 milhões de crianças foram matriculadas numa combinação de educação presencial e online, os recentes ataques [russos] às infraestruturas elétricas e outras fontes de energia causaram interrupções generalizadas e deixaram quase todas as crianças na Ucrânia sem acesso sustentável à eletricidade, o que significa que até mesmo frequentar salas de aula virtuais é um desafio contínuo", lê-se no relatório hoje publicado.

Fora da Ucrânia, salienta a UNICEF, "a situação também é preocupante, com duas em cada três crianças refugiadas ucranianas sem estarem inscritas atualmente no sistemas educativo do país de acolhimento.

Em Portugal, por onde exemplo, onde das mais de 14 mil crianças oriundas da Ucrânia, 10 mil, de acordo com o Jornal de Notícias, ainda não se tinham sequer matriculado numa escola há pouco mais de um mês.