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A subida do nível do mar está a acelerar

Um cartaz de alerta climático onde se lê que "continuar assim é igual a morte"
Um cartaz de alerta climático onde se lê que "continuar assim é igual a morte" Direitos de autor Nardus Engelbrecht/Copyright 2022 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Nardus Engelbrecht/Copyright 2022 The AP. All rights reserved.
De  Euronews
Publicado a Últimas notícias
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As águas do mar estão a subir cada vez mais depressa. Desde 1990 a terra já perdeu mais de 10 centímetros e até 2100 deverá perder entre 60 cm e 1,5 m

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A subida do nível global do mar é menos visível do que muitos outros efeitos das alterações climáticas. Mas, tal como outras alterações, acelerou acentuadamente nas últimas décadas. Desde 1990, a terra afundou uma média de 10 centímetros.

Mas há zonas onde o fenómeno é mais grave, como refere Roderik van de Wal, professor na Universidade de Utrecht.

"As regiões mais vulneráveis são as regiões do Oceano Pacífico, onde a subida do nível do mar será um pouco mais elevada do que a subida média do nível do mar. Lá já têm alguns desses programas de evacuação, para retirar pessoas de ilhas mais baixas. É aí que veremos efeitos, e não é nas próximas décadas, é já agora um problema ao nível do mar".

"Na Europa não temos atualmente grandes problemas; há muitos lugares onde podemos erguer diques. Mas se a subida do nível do mar continuar, teremos problemas de erosão, inundações e problemas de salinização, quando a água salgada penetrar na terra".

Não há uma solução universal

O fenómeno não é igual em todo o planeta e as soluções também não. À medida que as águas vão subindo, cada país ou região terá de encontrar as suas próprias soluções, em função das condições no terreno e também das condições económicas.

"Não há uma solução única que resolva tudo. Isto depende muito das condições locais e se nos podemos dar ao luxo de construir diques, por exemplo, porque essa é uma solução bastante cara. Existem também soluções baseadas na natureza em algumas regiões que são possíveis para proteger o país, como ter mais mangais, por exemplo. Mas isso não é, obviamente, uma opção que funcione na Europa", diz Roderik van de Wal.

Inundações, pobreza e conflitos

Segundo os cientistas, mesmo num cenário idealmente favorável, o nível do mar subirá mais de meio metro até ao final do século. No pior dos cenários, a subida seria de 1,5 metros até 2100.

Isto conduzirá à inundação de vastas e densamente povoadas áreas. Alguns estados insulares da Oceânia poderão desaparecer completamente. Na Europa, se o nível do mar subir um metro, 13 milhões de pessoas encontrarão as suas casas inundadas. Na Ásia, isto irá afetar os deltas extremamente populosos de grandes rios, tais como o delta do Ganges no Bangladesh.

Isto ameaça não só a perda de território e de potencial económico, mas trará uma migração colossal de pessoas cujas casas acabarão no fundo do mar. Um cenário com forte potencial para novos conflitos causados pelo aumento da pobreza, por menos recursos e tensões etno-religiosas. Os velhos conflitos serão exacerbados.

O Direito Internacional não contempla estas situações

Além disso, o direito internacional não contempla este tipo de situação como a perda de território devido aos efeitos das alterações climáticas. Consequentemente, não existem regras: se a linha costeira mudar devido à subida do nível do mar e parte do país ficar debaixo de água para sempre, o que acontecerá com os limites da zona económica exclusiva, direitos de pesca e outras questões semelhantes?

Vanessa Fraser, representante permanente de Malta junto das Nações Unidas, afirma: "Na Oceânia, ilhas inteiras já estão a ser evacuadas. Algumas grandes cidades do sudeste asiático, como Jacarta, também já estão à procura de formas de lidar com a subida do nível do mar. Os países ricos podem dar-se ao luxo de construir diques, seguindo o exemplo dos Países Baixos, mas mesmo para eles o custo será muito elevado. Os países mais pobres não podem dar-se a esse luxo, e é para eles que o risco de conflitos causados por inundações terrestres será o mais elevado".

Há populações a sofrer já os efeitos no seu quotidiano.

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