As casas de terra e palha na resposta à inflação e à crise da energia na Europa

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A Euronews testemunhou em França e na Hungria como algumas famílias europeias estão a encontrar alternativas para terem casa própria e faturas mais baixas

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A inflação galopante do último ano e a crise da energia agravada pela invasão russa da Ucrânia estão a provocar dores de cabeça a muitos europeus desejosos de ter casa própria, mas sem capacidade no atual contexto de taxas de juro elevadas e salários estagnados.

O relançamento de técnicas de construção ancestrais está, no entanto, a revelar-se revolucionário perante o atual cenário económico: o recurso a materiais crus da natureza como a terra, a palha ou a água.

A equipa de "Euronews Witness" foi conhecer alguns europeus, que, sem capacidade de acesso a créditos bancários para aquisição ou construção de habitação, meteram mesmo mãos à obra.

Alguns frequentaram formações para se lançarem na respetiva empreitada; outros procuraram a ajuda de vizinhos e amigos com conhecimentos e experiência nessas técnicas ancestrais e fintaram a necessidade de ter de pedir avultados empréstimos a bancos.

Darren Chambon fez parte de um grupo de nove aprendizes estagiários que frequentaram uma formação sobre o uso da palha na construção de estruturas de madeira em Mosnac-Saint-Simeux, no departamento de Charente, região da Nova Aquitânia, no centro-oeste do hexágono francês.

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André de Bouter explica uma das técnicas aos aprendizes estagiáriosEuronews

André de Bouter, especialista no uso destes materiais na construção, foi o anfitrião deste grupo e ajudou a dar esperança a Darren de que com um orçamento de 240 mil euros poderia realizar o sonho de contruir a própria habitação, pela qual tinha inicialmente recebido um projeto com orçamento de 600 mil euros.

O pedido de crédito para habitação foi-lhe recusado uma dúzia de vezes e, por diversas vezes, esteve quase a desistir do sonho.

A possibilidade de ele próprio realizar parte da obra, de poder usar materiais bem mais baratos que os habitualmente usados na construção moderna e um projeto agora bem mais barato permitiram-lhe acreditar ser possível tornar o sonho realidade, com folga inclusive para uma pequena derrapagem no atual orçamento.

André de Bouter explicou-nos que o perfil dos autoconstrutores se alterou após a Covid-19. Agora, há mais gente determinada a trabalhar para ter habitação própria mais autónoma, resiliente e ecológica.

O grupo de aprendizes estagiários que conhecemos na formação de André de Bouter são sensíveis à atual crise climática, mas estão também a enfrentar os atuais problemas de acesso à propriedade.

Com as taxas de juro em alta, desde o início deste ano 45% dos pedidos de crédito para habitação em França foram recusados pelos bancos, revalm os números do mercado imoboliário do hexágono.

Regresso ao Futuro na Hungria

No leste da Europa, a situação é ainda pior. A Hungria é um dos países mais afetados pela inflação, com os preços a escalarem mais de 20% e os salários quase estagnados.

Em Fegyvernek, no interior centro do país, a equipa de "Euronews witness" conheceu István Bajnok e Kinga, um casal com três filhos, que precisava de uma casa nova e está finalmente a termina-la.

Recorreram a uma técnica ancestral abandonada na Hungria desde a era em que o país viveu sob o regime soviético e no qual o cimento foi rei. O passado pode agora ser o futuro devido à crise.

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Casa renovada por Janos e Adam em Balatonendred, na HungriaEuronews

István passou todo o ano passado a escavar o próprio jardim para conseguir a terra crua necessária para a casa com que sonhava. Misturando-a com palha e água, fabricou ele mesmo os tijolos, mais de 17 mil, de que precisava.

Teve a ajuda de dezenas de amigos e vizinhos, explicou-nos diante da casa já na fase final de construção, que acaba de isolar com recurso a colmo. No interior, mostrou-nos o sistema de aquecimento que lhe vai permitir poupar cerca de 40% no orçamento energético e que pode descobrir também assistindo ao vídeo disponível no topo desta página.

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