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Autoridades eleitorais turcas confirmam segunda volta a 28 de maio

Recep Tayyip Erdogan no meio da multidão na eleição presidencial de 14 de maio de 2023, na Turquia
Recep Tayyip Erdogan no meio da multidão na eleição presidencial de 14 de maio de 2023, na Turquia Direitos de autor AP/DHA
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De  Maria Barradas com Agências
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Recep Tayyip Erdoğan e Kemal Kılıçdaroğlu irão disputar uma segunda volta das eleições presidenciais turcas, depois de nenhum dos dois ter chegado aos 50% no escrutínio deste domingo

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A Turquia vai ter um tira-teimas entre Recep Tayyip Erdoğan e Kemal Kılıçdaroğlu, após um tenso escrutínio este domingo. Após a contagem final, com os resultados definitivos anunciados só na tarde desta segunda-feira, nenhum dos candidatos chegou à barreira dos 50%. A segunda volta está marcada para o dia 28 de maio.

Antes da segunda volta ser oficialmente anunciada, a oposição acusou o poder de atrasar expressamente a publicação dos resultados.

Em jeito de resposta, o presidente Erdogan deixava na madrugada eleitoral esta mensagm no Twitter:

"O facto de as eleições de 14 de maio terem ocorrido sob a forma de uma grande festa da democracia com paz e tranquilidade é uma expressão da maturidade democrática da nossa Turquia.

Enquanto a eleição decorreu em um ambiente tão positivo e democrático e a contagem dos votos ainda está em andamento, tentar anunciar os resultados às pressas significa uma usurpação da vontade nacional. (...) Peço a todos os meus amigos e colegas que permaneçam nas urnas, aconteça o que acontecer, até que os resultados sejam oficialmente finalizados.

Parabenizo todos os meus cidadãos que votaram em nome da democracia e participaram dos trabalhos eleitorais e expresso minha gratidão a cada um deles".

Num clima de forte tensão, o seu opositor pedia também aos observadores e funcionários eleitorais que não arredassem pé das urnas de voto.

"A ficção, que começou com 60 por cento, agora caiu para menos de 50. Os observadores eleitorais e os funcionários do conselho eleitoral nunca devem deixar seus lugares. Não vamos dormir esta noite, meu povo. Eu aviso o YSK (Conselho Superior Eleitoral), que tem de fornecer entrada de dados nas províncias".
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Cofiguração provável do novo parlamento

Ao mesmo tempo da eleição presidencial, os eleitores turcos escolheram um novo parlamento. Os lugares são atribuídos por estrita proporcionalidade a qualquer partido ou aliança que ultrapasse os 7% do voto popular. 

O parlamento passou para segundo plano nos últimos anos, mas poderá voltar a ser importante se Kılıçdaroğlu ganhar a presidência e cumprir a promessa de restringir os poderes presidenciais.

Segundo a agência estatal turca Anadolu, o partido de Erdogan,AKP, terá alcançado até agora 266 lugares no parlamento; o MHP, 50; os Verdes 44; o CHP, Partido Republicano de centro esquerda, de Kiliçdaroglu, 169 e outras formações políticas, 9.

Toda a Turquia e muitas capitais do mundo anseiam por conhecer o resultado oficiais destas eleições e perceber se haverá segunda volta da eleição presidencial a 28 de maio.

Na noite eleitoral ambos os candidatos se mostraram confiantes numa vitória na segunda volta. Erdogan, que teve um desempenho melhor do que as sondagens pré-eleitorais previam, mostrou confiança e espírito combativo perante os seus eleitores: "Acreditamos firmemente que continuaremos a servir a nossa nação nos próximos 5 anos."

Inspirado pela possibilidade de uma segunda volta, o principal opositor do presidente, Kemal Kılıçdaroğlu, está convencido: "Se a nossa nação disser segunda volta, aceitamos de bom grado. Vamos ganhar estas eleições na segunda volta", disse, acrescentando: "Esta vontade de mudança na sociedade é superior a 50 por cento".

Quem são os dois cadidatos

Recep Tayyip Erdoğan lidera a política turca há mais de duas décadas. Foi primeiro-ministro de 2003 a 2014 e, desde então, é presidente. Durante a sua presidência fez com que  o papel do presidente  tornasse o mais importante cargo do Estado. O seu partido Justiça e Desenvolvimento (AK) é populista e conservador e tem afastado a nação turca do passado secularista, em direção ao islamismo.

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Kemal Kılıçdaroğlu, um funcionário público reformado de 74 anos, é o principal líder da oposição turca há mais de uma década, tendo conduzido o seu Partido Republicano do Povo (CHP), de centro esquerda, a importantes vitórias numa série de municípios de grandes cidades, incluindo Istambul, Ancara e Esmirna. Nesta batalha pela presidência lidera uma coligação de seis partidos da oposição.

Os desafios do vencedor

Estas eleições têm como pano de fundo uma grave crise económica e o rescaldo dos terramotos devastadores em fevereiro passado, na sequência dos quais o governo foi fortemente criticado pela sua resposta.

A eleição decide não só a liderança interna da Turquia e o futuro de 85 milhões de turcos, mas o rumo da nação, membro da NATO, na cena internacional.

A contagem dos votos é seguida atentamente pelos governos de todo o mundo. A derrota de Erdogan será um revés para Vladimir Putin, que perde um aliado de peso, mas um alívio para Washington e vários países do Médio Oriente, com relações difíceis com a Turquia.

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Erdogan deu ao país uma dimensão incontornável na cena internacional e modernizou a Turquia com novas infraestruturas como pontes, hospitais e aeroportos e uma indústria militar procurada pelas forças armadas de muitos países, mas a política económica não acompanhou a dinâmica e o país vive numa espiral de crise, agravada pelas consequências dos terramotos devastadores.

Kemal Kılıçdaroğlu é para milhões de turcos o rosto da mudança e a esperança num futuro melhor. O candidato de uma coligação de seis partidos da oposição prometeu dar um novo rumo à Turquia, com o "regresso da democracia" e novas políticas económicas que capacitem as instituições que foram perdendo autonomia sob o controlo rígido do aparelho de estado de Erdogan.

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