Mobilização dos agricultores europeus continua a intensificar-se

Bloqueios prosseguem em França e na Roménia
Bloqueios prosseguem em França e na Roménia Direitos de autor Vaggelis Kousioras/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Euronews
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

A lista de países da União Europeia que enfrentam, há vários meses, movimentos do setor agrícola continua a crescer. Agricultores estão revoltados com os custos na produção fruto das políticas para reduzir emissões.

PUBLICIDADE

A mobilização dos agricultores franceses intensificou-se na quarta-feira em todo o país e em Bruxelas, com o mal-estar do setor agrícola a manifestar-se também noutras partes da Europa.

Os bloqueios para obter "respostas concretas" do governo de Gabriel Attal multiplicaram-se por várias localidades, um dia depois das mortes acidentais de uma agricultora e da sua filha, durante um bloqueio de estrada na região sudoeste do país.

A França, o maior produtor agrícola da União Europeia, recebe um total de 9 mil milhões de euros por ano em subsídios no âmbito da Política Agrícola Comum, mais do que qualquer outro Estado-membro.

Arnaud Rousseau, líder da Federação dos Sindicatos dos Operadores Agrícolas (FNSEA), adiantou que os agricultores vão apresentar uma lista com cerca de 40 exigências nos próximos dias.

Divididos entre o desejo de produzir e a necessidade de reduzir o seu impacto no ambiente, franceses e demais agricultores europeus partilham os mesmos motivos de insatisfação: o aumento do imposto cobrado no diesel usado em tratores, os custos de adaptação às normas ambientais do pacto de transição ecológica da União Europeia e a concorrência desleal de produtos provenientes de outros países aos quais não se aplicam essas regras, como o Brasil ou a Ucrânia.

Na Polónia, o governo de Donald Tusk quer assinar um acordo com a Ucrânia, para garantir que os interesses dos agricultores polacos são protegidos contra um influxo descontrolado de produtos agrícolas ucranianos. O tema esteve em cima da mesa durante o encontro de Tusk com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, em Kiev, esta semana.

Nas últimas semanas, na Alemanha, nos Países Baixos e na Roménia, também se realizaram protestos de agricultores contra a regulamentação europeia e outras razões diversas ligadas à indústria alimentar local. 

Os agricultores romenos prosseguem com os protestos pelo 14.º dia consecutivo, insatisfeitos com as medidas apresentadas pelo governo.

Na Grécia, a história repete-se. Os agricultores tentaram bloquear a circulação nas estradas com tratores, exigindo uma melhor compensação pelas perdas na produção devido a desastres naturais, bem como a construção de infraestrutura para proteger a agricultura de condições climáticas extremas. 

Muitos agricultores gregos perderam gado e colheitas durante os incêndios e inundações que devastaram o país no verão e no outono. 

Esta quinta-feira, arranca também o diálogo estratégico com o setor agroalimentar, prometido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, face à crescente polarização na Europa. No total, cerca de 30 organizações do setor foram convidadas a participar neste debate sobre a agricultura e a transição para uma economia verde.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

UE enfrenta pressões para acalmar raiva crescente dos agricultores que protestam em toda a Europa

Protestos dos agricultores continuam a alastrar-se na Europa

Comissão Europeia pondera autorizar restrições aos cereais ucranianos