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Meloni visita a Albânia com crise das migrações no topo da agenda

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni  com o seu homólogo albanês Edi Rama num centro de acolhimento para migrantes no porto de Shenjin
A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni com o seu homólogo albanês Edi Rama num centro de acolhimento para migrantes no porto de Shenjin Direitos de autor Laurent Cipriani/Copyright 2024. The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Laurent Cipriani/Copyright 2024. The AP. All rights reserved.
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Primeira-ministra italiana visitou os centro de acolhimento de migrantes na Albânia, a propósito do acordo assinado com Tirana no ano passado. A visita foi alvo de fortes críticas por parte da oposição.

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A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, visitou a Albânia na quarta-feira e encontrou-se com o seu homólogo albanês, Edi Rama.

A visita teve como objetivo reforçar a colaboração entre os dois países em matéria de migrações, na sequência do acordo assinado em novembro do ano passado entre Roma e Tirana.

O acordo, em vigor pelo período de cinco anos, previa a construção de dois centros de acolhimento para requerentes de asilo que cheguem a Itália. A Albânia comprometeu-se a acolher mensalmente até 3.000 migrantes resgatados de águas internacionais, enquanto a Itália processa os seus pedidos de asilo.

“Acreditamos que o elemento mais útil deste projeto é que pode representar um extraordinário instrumento de dissuasão para os migrantes ilegais destinados a chegar à Europa, bem como, obviamente, um meio eficaz de combater as redes de tráfico, porque há traficantes que estamos a tentar combater, o que obviamente também significa levar à contenção de custos”, afirmou Meloni a partir do porto de Shengjin, onde decorre a construção de um dos centros.

A visita começou num antigo aeroporto militar, a 80 quilómetros a norte da capital Tirana, onde já arrancaram as obras de um dos centros de acolhimento de migrantes, e seguiu para o porto de Shengjin, onde já está instalado um centro com unidades de alojamento e escritórios, numa área de quatro mil metros quadrados, protegida por uma vedação metálica de cinco metros de altura com arame farpado no topo.

Edi Rama, primeiro-ministro albanês, também reforçou a importância deste projeto, bem como a relação diplomática entre os dois países. “Para nós, o governo italiano foi, e será sempre, um país pelo qual temos uma amizade muito especial e que constitui uma aliança estratégica que queremos desenvolver e reforçar a cada passo”, afirmou.

Estima-se que os pedidos de asilo demorem cerca de um mês a ser processados, o que significa que a Albânia pode vir a receber cerca de 36 mil requerentes num ano.

Os dois centros de tratamento na Albânia terão um custo de 670 milhões de euros suportados pelo governo italiano.

Como funciona a gestão dos centros na Albânia?

Ambos os centros estão sob jurisdição italiana, e a gestão também é feita pelo país, contudo a segurança será assumida pelos guardas albaneses.

O tratamento das requisições de asilo é da responsbilidade da Itália que acolherá os migrantes a quem lhes for concedida proteção internacional, ou organizará a sua deportação da Albânia se esta for recusada.

Rama recordou a história do país para afirmar que o acordo era um sinal de gratidão para os albaneses que “escaparam ao inferno e imaginaram uma vida melhor”. Após o colapso do regime comunista na Albânia, a Itália tornou-se o principal paíse de imigração para os albaneses que deixaram o seu país.

O momento insólito de Riccardo Magi na Albânia

O secretário do Più Europa, Riccardo Magi, também foi até à Albânia e protestou frente às instalações do centro localizado no porto de Shengjin com frases de protesto como “não ao Guantánamo italiano” ou “não ao centro eleitoral de Giorgia Meloni”.

Os seguranças albaneses acabaram por agarrá-lo e empurrá-lo e os ânimos só acalmaram à passagem da comitiva presidencial, em que a própria primeira-ministra saiu do carro e apelou aos seguranças para o soltarem. “Por favor, deixem-no, é um deputado italiano”.

O secretário do Più Europa saiu com a camisa manchada de sangue no peito e o vídeo do episódio correu os meios de comunicação social.

“Se isto acontece a um deputado sob as câmaras da imprensa, imaginem o que acontecerá aos pobres cristãos que aqui chegarem com as câmaras desligadas”, escreveu Magi nas redes sociais.

Meloni comentou o sucedido já à noite no canal de televisão Tg La7. “Riccardo Magi atirou-se para a frente do carro do Primeiro-Ministro albanês e os seguranças bloquearam-no, como teria acontecido em qualquer outro país”, disse.

Críticas à visita de Meloni à Albânia

A primeira-ministra italiana foi fortemente criticada pela oposição pela sua visita à Albânia e acusada de propaganda para as eleições europeias. "Meloni ataca-me dizendo que não sabe onde ir buscar recursos para o projeto de lei sobre a saúde que apresentámos, mas não estamos a pedir recursos para ir fazer um spot eleitoral na Albânia que custou oitocentos milhões de euros", afirmou Elly Schlein, cabeça de lista do Partido Democrático às eleições europeias.

“Dinheiro retirado a pessoas frágeis: porque não o pomos imediatamente a contratar médicos e enfermeiros?”, acrescentou.

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O líder do Movimento 5 Estrelas, Giuseppe Conte, corroborou as críticas feitas. "O governo de Giorgia Meloni não põe um euro nos cuidados de saúde, mas depois faz um spot eleitoral na Albânia que é completamente inútil. Os cuidados de saúde devem ser entregue a pessoas competentes e não a chefes de partido, a comparsas", disse Conte.

"Na Albânia, a primeira-ministra fez mais um anúncio. Estamos perante uma propaganda de Estado utilizada como arma de arremesso a poucos dias da votação", disse o secretário do partido Alleanza Verdi e Sinistra (Avs), Nicola Fratoianni, durante o último comício eleitoral em Milão.

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