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Crise energética da Ucrânia é "uma lição" para a UE, diz ministro polaco

Krzysztof Bolesta, vice-ministro polaco do clima e do ambiente, discursa em Bruxelas, a 11 de dezembro de 2024, num fórum político organizado pelo grupo de reflexão EPICO
Krzysztof Bolesta, vice-ministro polaco do clima e do ambiente, discursa em Bruxelas, a 11 de dezembro de 2024, num fórum político organizado pelo grupo de reflexão EPICO Direitos de autor  PAUL MARNEF / Isoway
Direitos de autor PAUL MARNEF / Isoway
De Robert Hodgson
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Varsóvia prepara-se para assumir a presidência do Conselho da UE numa altura em que uma das prioridades é a restruturação dos sistemas energéticos da Ucrânia bem como a sua segurança.

A continuação do apoio à Ucrânia, a manutenção do seu sistema energético e a conformidade com a legislação energética da UE, serão as prioridades dos Estados-membros nos próximos seis meses, afirmou na quarta-feira à noite o vice-ministro polaco do clima e do ambiente.

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Varsóvia prepara-se para assumir a presidência das negociações intergovernamentais da UE, a partir do próximo mês, e acredita que o bloco tem muito a aprender com o seu vizinho devastado pela guerra.

"Há muitas lições que a Ucrânia está a aprender da forma mais difícil e que devemos considerar a Europa, como a resiliência da produção distribuída, a segurança do aprovisionamento e a segurança em geral", afirmou Krzysztof Bolesta num fórum político em Bruxelas.

"Penso que seremos muito mais ricos em conhecimentos e transformaremos os nossos sistemas energéticos de uma forma melhor, quando virmos o que eles estão a fazer", afirmou Bolesta, que deverá desempenhar um papel fundamental nas negociações sobre a política energética da UE quando a Polónia substituir a Hungria na presidência, a 1 de janeiro.

Na cimeira sobre o clima COP29, realizada no Azerbaijão no mês passado, Kiev mostrou os seus esforços para reconstruir de forma mais ecológica, substituindo as infraestruturas energéticas destruídas, mesmo quando a Rússia reforça os ataques numa tentativa de criar o máximo de pressão durante o inverno.

Durante a presidência polaca, Bolesta ofereceu à Ucrânia a perspetiva de abrir o capítulo da energia, nas negociações de adesão à UE, que faz parte de um processo minucioso de alinhamento de leis e regulamentos antes de um novo membro poder aderir à UE.

Varsóvia enumerou as prioridades para o seu mandato de seis meses num manifesto publicado esta semana, dizendo que planeia "promover ações que visem a retirada total das importações de fontes de energia russas", um processo inicialmente desencadeado pela invasão russa e pela crise energética que se seguiu.

Para Bolesta, a política polaca é um "reflexo do estado de espírito na Europa", especialmente no flanco oriental da UE, onde, segundo ele, muitos receiam a chegada da guerra. Bolesta sublinhou a relação entre a segurança energética, alimentar, hídrica e climática e a segurança geral da Europa.

O vice-ministro, anteriormente funcionário sénior da Direção-Geral da Energia da Comissão Europeia, referiu-se aos recentes "acidentes infelizes" no Mar Báltico, uma provável referência à sabotagem dos gasodutos Nord Stream, entre a Rússia e a Alemanha, e a vários incidentes envolvendo danos em cabos de comunicação submarinos.

"É uma ameaça à segurança física das infraestruturas energéticas críticas", disse Bolesta sobre o fundo marinho pouco profundo atravessado por interconexões de gás e eletricidade, acrescentando que muita da legislação recente da UE se tem centrado na segurança do abastecimento, o que, ironicamente, poderia incluir o gás russo.

Preço do carbono "não é suficiente"

A produção de eletricidade já está a tornar-se descentralizada com o aumento da utilização de energia eólica e solar, mas Bolesta parece cético quanto a uma peça-chave da nova legislação que visa a procura de combustíveis fósseis.

O preço do carbono, que deverá ser aplicado a partir de 2027, não será suficiente para persuadir as pessoas a comprar carros eléctricos ou a instalar bombas de calor, afirmou o responsável polaco pela energia, questionando a lógica de um novo sistema de comércio de emissões que obrigará os fornecedores a comprar licenças de poluição.

"Posso garantir-vos que colocar mais 40 ou 50 cêntimos na gasolina não será um incentivo suficiente para mudar de carro", disse Bolesta. "E o facto de pagarmos um pouco mais pelo combustível para aquecimento não nos vai levar a investir milhares de euros no isolamento da casa".

A Polónia, que é o país mais dependente do carvão da UE, tem muito em jogo no novo Fundo Social Europeu para o Clima, financiado pela venda de licenças de emissão, que os governos podem utilizar para proteger as famílias mais pobres dos preços mais elevados da energia, através de subsídios diretos ou da promoção do isolamento das casas ou da mudança para bombas de calor e carros elétricos.

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