Alguns dias depois de deixar a Casa Branca sem um entendimento e envolvido numa forte polémica com Donald Trump, o presidente ucraniano disse aos jornalistas que o seu país está pronto para assinar um acordo sobre minerais com os EUA.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, disse aos jornalistas no domingo que o seu país está "pronto" para assinar o acordo sobre minerais entre os EUA e a Ucrânia.
Poucos dias depois de ter deixado a Casa Branca sem assinar o acordo e envolvido numa polémica com Donald Trump, Zelenskyy disse aque apenas prentende "que a posição da Ucrânia seja ouvida". "Queremos que os nossos parceiros se lembrem de quem é o agressor nesta guerra", afirmou.
O acordo estava previsto para ser assinado após uma reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e Zelenskyy na sexta-feira.
No entanto, a reunião transformou-se numa acesa discussão em direto na televisão, com Trump a concluir que o acordo sobre minerais brutos com a Ucrânia - que levou Zelenskyy à Casa Branca - estava cancelado.
"Eu determinei que o presidente Zelenskyy não está pronto para a paz se a América estiver envolvida, porque ele sente que nosso envolvimento lhe dá uma grande vantagem nas negociações", disse Trump numa publicação na sua plataforma Truth Social na sexta-feira.
"Eu não quero vantagens, quero paz. Ele desrespeitou os Estados Unidos da América na sua querida Sala Oval. Ele pode voltar quando estiver pronto para a paz", anunciou.
O acesso dos EUA aos minerais de terras raras da Ucrânia foi apresentado pela primeira vez a Volodymyr Zelenskyy pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, no início de fevereiro.
Washington está a pedir uma redução de 50% de todas as receitas geradas pelos recursos minerais e naturais da Ucrânia, o que os funcionários norte-americanos afirmaram ser um pagamento pelo anterior apoio militar.
Segundo o documento, a Ucrânia contribuirá com as receitas para um fundo, que será depois investido para "promover a segurança e a prosperidade da Ucrânia".
Zelenskyy afirmou que o acordo deve incluir garantias efetivas de segurança para a Ucrânia e alertou para a possibilidade de uma nova agressão russa se estas não forem implementadas.
Os seus comentários sobre o acordo surgiram no final de uma cimeira de dois dias no Reino Unido, na qual o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o Reino Unido e França iriam reunir uma "coligação de interessados" que elaboraria um plano de paz para a Ucrânia.
"Estamos hoje numa encruzilhada da história", disse Starmer.
"Este não é um momento para mais conversas. É altura de agir. É altura de dar um passo em frente e liderar e de nos unirmos em torno de um novo plano para uma paz justa e duradoura."
Os comentários de Zelenskyy sobre o acordo surgem depois de o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ter afirmado à CBS News que o líder ucraniano tinha "deitou fora a sequência" sobre como deveriam acontecer o acordo sobre os minerais e o acordo de paz, insistindo que as discussões deveriam ter tido lugar em privado.
Era "impossível ter um acordo económico sem um acordo de paz", afirmou Bessent.