Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

França: proibição de "químicos eternos" entra em vigor. Eis o que muda

Investigador de recursos hídricos testa amostra de água para detetar PFAS, terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
Investigador da qualidade da água analisa amostra de água para detetar PFAS, terça-feira, 14 de fevereiro de 2023 Direitos de autor  Copyright 2023 The Associated Press. All Rights Reserved.
Direitos de autor Copyright 2023 The Associated Press. All Rights Reserved.
De Liam Gilliver
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

França proíbe oficialmente cosméticos e vestuário com PFAS, também conhecidos como "químicos eternos".

A lei histórica foi aprovada em 20 de fevereiro de 2025, com mais de 140.000 cidadãos a pedir aos seus deputados que apoiassem a proibição. Surge num momento de crescente pressão sobre a UE para eliminar gradualmente o seu uso “o mais rapidamente possível”.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Embora tenha sido elogiada por proteger a saúde dos cidadãos franceses, os ambientalistas alertam que os itens removidos da primeira versão do projeto de lei enfraqueceram o seu significado.

Saudada por proteger a saúde dos franceses, ambientalistas alertam que a retirada de medidas da primeira versão do projeto de lei enfraqueceu o seu alcance.

Químicos eternos: o que são?

As substâncias per e polifluoroalquílicas (PFAS) são um grupo com mais de 10 000 químicos sintéticos que demoram milhares de anos a degradar-se naturalmente. Usadas desde a década de 1940, as PFAS foram detetadas praticamente em todo o planeta, do topo do Evereste aos tecidos de golfinhos de águas profundas e baleias ao largo da Nova Zelândia.

A exposição crónica a estes químicos artificiais tem sido associada ao desenvolvimento de certos cancros, à redução da fertilidade e à perturbação do sistema imunitário.

Cientistas alertam que estas substâncias tóxicas podem ser inaladas ou ingeridas; investigações recentes mostram que podem até entrar na corrente sanguínea por absorção através da pele. Na Europa, estima-se que 12,5 milhões de pessoas vivam em comunidades com água potável contaminada com PFAS.

França: o que abrange a proibição de PFAS?

A proibição francesa impede a venda, produção ou importação de qualquer produto para o qual já exista alternativa aos PFAS. Abrange cosméticos, vestuário e outros artigos como cera para esquis.

A lei obrigará ainda as autoridades francesas a testar regularmente a água potável para todas as categorias de PFAS e a aplicar coimas aos poluidores que libertem estas substâncias no ambiente.

Há, contudo, exceções relevantes para membranas de alto desempenho usadas em processos de filtração ou separação e para têxteis considerados “necessários para usos essenciais” ou para a soberania nacional.

A primeira versão da lei incluía também a proibição de tachos antiaderentes, mas a medida foi retirada após relatos de “lobby intenso” do fabricante francês Tefal.

No seu site, a Tefal confirma que não utiliza PFAS considerados cancerígenos pelas autoridades de saúde e que não recorre a materiais com PFOA (um tipo de “químico eterno” conhecido pela resistência ao calor) desde 2012. Em vez disso, usa revestimentos de PTFE em frigideiras e tachos, que, diz, “não representam risco para a saúde humana e são seguros para contacto com alimentos”.

No entanto, vários estudos alertam que utensílios de cozinha com revestimento de PTFE podem libertar micro e nanoplásticos para os alimentos durante a preparação.

França precisa de apoiar sem reservas uma restrição europeia aos PFAS

“Esta proibição de PFAS em produtos como vestuário e cosméticos é uma ótima notícia para os franceses preocupados com a exposição a estes químicos nocivos”, diz Sandra Bell, da CHEM Trust, organização dedicada a proteger pessoas e a vida selvagem de químicos nocivos.

“A má notícia é que alguns produtos-chave, como utensílios de cozinha, ficaram isentos. Agora, França precisa de apoiar sem reservas uma restrição a nível da UE aos PFAS, garantindo que mais produtos são abrangidos e que os cidadãos de todos os Estados-membros ficam protegidos.”

A UE diz que tem vindo a trabalhar num plano para eliminar gradualmente os PFAS há alguns anos. Ainda não apresentou nem aplicou essa regulamentação.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

"Não comer carne", "não usar carro" ou "viajar de avião": estão as políticas climáticas a sair pela culatra?

Hungria: água das termas pode salvar terras agrícolas áridas?

Conquistas climáticas de 2025: decisões judiciais históricas e boom das energias renováveis