A juíza Aslı Kahraman sofreu ferimentos graves quando Muhammet Çağatay Kılıçaslan abriu fogo, atingindo-a na virilha, de acordo com a imprensa nacional.
Uma juíza foi baleada no interior de um tribunal em Istambul, na terça-feira, pelo seu ex-marido, um procurador do Ministério Público, que foi impedido de disparar a arma uma segunda vez devido à ação de um prisioneiro em liberdade condicional que estava a servir chá, noticiaram os meios de comunicação turcos.
O incidente teve lugar no tribunal de recurso no lado asiático de Istambul por volta das 13h, hora local (12h CET), informou a agência de notícias DHA.
A juíza Aslı Kahraman sofreu ferimentos graves quando Muhammet Çağatay Kılıçaslan abriu fogo, atingindo-a na virilha, informou o jornal Sözcü.
Estava prestes a disparar novamente, mas foi impedido por um homem que estava a servir chá, um condenado em liberdade condicional que trabalhava no tribunal, revelaram ambas as fontes.
Kahraman recebeu os primeiros socorros no local antes de ser levada para o hospital, onde o seu estado foi considerado estável.
Kılıçaslan foi detido e deveria comparecer perante o tribunal principal de Istambul ainda na terça-feira, de acordo com o jornal Sözcü.
O incidente foi severamente condenado pela plataforma We Will Stop Femicide.
"Uma juíza foi baleada pelo seu ex-marido, um procurador, à vista de todos, no tribunal [...], o mesmo local onde os criminosos deveriam ser punidos",declarou a plataforma, num comunicado partilhado no X.
"As mulheres podem ser alvejadas com armas de fogo mesmo dentro dos tribunais."
A Turquia não recolhe dados oficiais sobre feminicídios, deixando a tarefa para organizações de mulheres que recolhem dados sobre homicídios e outras mortes suspeitas a partir de notícias da imprensa.
Os números compilados pela organização We Will Stop Femicide mostram que, em 2025, 294 mulheres foram mortas por homens e 297 mulheres foram encontradas mortas em circunstâncias suspeitas.
Desse número, pouco mais de 35% foram mortas pelos maridos, enquanto 57% foram mortas com recurso a armas de fogo.
Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que as mortes classificadas como suspeitas ou suicídios na Turquia aumentaram desde que Ancara se retirou de uma convenção internacional sobre violência contra as mulheres em 2021.
Este acordo, conhecido como a Convenção de Istambul, exige que os países criem leis destinadas a prevenir e punir a violência contra as mulheres.