O regime em Teerão está deliberadamente a bloquear as comunicações para transmitir a sua propaganda, impedindo que a verdade chegue ao mundo, especialmente no que diz respeito ao número de mortos, afirmou a eurodeputada Hannah Neumann, que preside a delegação do Parlamento Europeu para o Irão.
O número de mortos nos protestos no Irão pode chegar aos milhares, uma vez que o regime corta deliberadamente as comunicações para esconder a dimensão dos assassinatos, afirmou a eurodeputada Hannah Neumann à Euronews, ao mesmo tempo que expressou a sua preocupação com as mensagens contraditórias do presidente dos EUA, Donald Trump.
Neumann, uma legisladora europeia alemã do grupo dos Verdes que lidera a delegação do Parlamento Europeu para as Relações com o Irão, disse à Euronews, numa entrevista, que as imagens que chegam do Irão, com atrasos de um ou dois dias, mostram sacos mortuários empilhados e pessoas a fazer fila nos cemitérios para identificar familiares.
"Receio que enfrentemos milhares de mortes quando tivermos uma visão mais completa da situação", destacou Neumann.
"Também tenho muitos amigos iranianos que têm amigos e familiares no Irão que foram aos protestos, mas, neste momento, nem mesmo as nossas mensagens chegam até eles. Ninguém sabe se eles voltaram para casa, se foram detidos ou mortos."
Neumann adiantou que o regime está a bloquear deliberadamente as comunicações para transmitir a sua propaganda e impedir que a verdade chegue ao mundo.
Apelou ainda para que exista pressão internacional para que seja restaurado o acesso à Internet e que sejam apoiados métodos para contornar as restrições à comunicação, incluindo o serviço de satélite Starlink.
"Os manifestantes iranianos têm toda a razão em pedir às pessoas nos Estados Unidos, na Europa e em todo o mundo que os apoiem contra a brutalidade deste regime", disse Neumann.
Mensagens contraditórias de Trump sobre o Irão são motivo de preocupação
A eurodeputada expressou preocupação com as mensagens contraditórias de Trump sobre o Irão. "Estou a tentar, como todos os outros, entender o que Trump quer dizer com essas mensagens", referiu Neumann.
"Ele diz uma coisa pela manhã e outra à noite. E em situações tão voláteis, isso é muito perigoso."
Neumann referiu-se à operação dos EUA contra Nicolás Maduro, da Venezuela, dizendo que muitos inicialmente comemoraram, mas agora veem que Trump "apenas afastou Maduro, mas o seu sistema e regime continuam na Venezuela. Certamente não é por isso que o povo iraniano está a sair às ruas."
Hannah Neumann pediu a expulsão dos embaixadores iranianos e do pessoal das embaixadas nos países da UE, alegando que estes abusam dos privilégios diplomáticos para fins de propaganda e repressão transfronteiriça.
A eurodeputada também instou a UE a incluir a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) na lista de organizações terroristas, uma medida que o Parlamento tem vindo a pedir há mais de três anos.
"O que fizemos no Parlamento Europeu na segunda-feira — proibir a entrada de funcionários iranianos no edifício do Parlamento — foi uma das medidas imediatas que pudemos tomar", afirmou.
"Este Parlamento tem vindo a pedir há mais de três anos que a IRGC seja incluída na lista de organizações terroristas e, sinceramente, não compreendo por que razão alguns Estados-membros parecem continuar a bloquear esta medida."
"Tudo o que posso dizer é o que pessoalmente espero e aquilo pelo que estou a trabalhar para o povo do Irão: que esta opressão e este regime cheguem ao fim e que os iranianos tenham a oportunidade de discutir e trabalhar numa transição", afirmou Neumann.
"E sempre que houver uma oportunidade de transição, é essencial que todos sejam incluídos, porque este será um processo muito difícil."