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Número de mortos nos protestos no Irão ultrapassa os 2.500

Nesta fotografia obtida pela The Associated Press, iranianos participam num protesto antigovernamental em Teerão, Irão, sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. (UGC via AP)
Nesta fotografia obtida pela The Associated Press, iranianos participam num protesto antigovernamental em Teerão, Irão, sexta-feira, 9 de janeiro de 2026. (UGC via AP) Direitos de autor  AP/Copyright 2026 The AP. All rights reserved
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De Jerry Fisayo-Bambi & Euronews
Publicado a Últimas notícias
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O número de mortos ultrapassa o de qualquer revolta iraniana nas últimas décadas e lembra o caos em torno da Revolução Islâmica de 1979, segundo analistas.

Pelo menos 2.571 pessoas morreram nos protestos em curso no Irão, segundo um grupo de defesa dos direitos humanos sediado nos Estados Unidos, numa altura em que as autoridades restabeleceram parcialmente as comunicações após dias de apagão nacional.

A Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos adiantou que 2.403 manifestantes e 147 funcionários ligados ao governo foram mortos. Doze crianças morreram, juntamente com nove civis que não participavam nas manifestações. Mais de 18.100 pessoas foram detidas, segundo a organização.

O número de mortos excede o de qualquer revolta iraniana nas últimas décadas e lembra o caos em torno da Revolução Islâmica de 1979, na ótica de analistas.

A televisão estatal iraniana reconheceu as mortes pela primeira vez na terça-feira, citando um funcionário que referiu que o país tinha "muitos mártires".

Protesto de apoio aos manifestantes no Irão, em frente ao Consulado dos EUA, em Milão, Itália, 13 de janeiro de 2026
Protesto de apoio aos manifestantes no Irão, em frente ao Consulado dos EUA, em Milão, Itália, 13 de janeiro de 2026 Luca Bruno/AP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exortou os manifestantes na terça-feira a continuarem. "Patriotas iranianos, continuem a protestar — tomem o controlo das vossas instituições", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que cessem as mortes sem sentido de manifestantes. A ajuda está a caminho."

Trump disse aos jornalistas, na terça-feira à noite, que a sua administração estava à espera de números exatos de vítimas antes de agir "em conformidade". Comentários que surgiram numa altura em que os observadores aguardam para ver se Trump cumprirá as ameaças a propósito de uma intervenção militar.

Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, culpou Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, pelas mortes dos manifestantes. "Declaramos os nomes dos principais assassinos do povo do Irão: 1, Trump; 2, Netanyahu", afirmou Larijani.

Skylar Thompson, da Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, destacou que o número de mortos atingiu quatro vezes o dos protestos de 2022 por Mahsa Amini, em apenas duas semanas. "Estamos horrorizados, mas ainda achamos que o número é conservador", disse Thompson, alertando que o número de mortos continuará a aumentar.

Iranianos procuram ajuda, mas o mundo não consegue dar resposta

Tem sido difícil acompanhar as manifestações a partir do exterior devido ao bloqueio imposto pelas autoridades, durante vários dias, ao acesso à Internet.

Testemunhas em Teerão descreveram por telefone, na terça-feira, uma forte presença de segurança nas ruas, edifícios governamentais incendiados, caixas multibanco destruídas e poucos peões a circular. Vários moradores de Teerão telefonaram para o escritório da AP no Dubai, mas a agência não respondeu às chamadas.

As mensagens de texto continuaram indisponíveis. Os utilizadores da Internet no Irão podiam aceder a sites aprovados pelo governo localmente, mas a nada no estrangeiro, de acordo com informações disponibilizadas à Euronews. Ativistas disseram na quarta-feira que a Starlink estava a oferecer serviço gratuito no Irão.

As manifestações começaram no final de dezembro de 2024, desencadeadas por reivindicações económicas após o colapso do rial iraniano, que era negociado a mais de 1,4 milhões por dólar. Os protestos intensificaram-se, transformando-se em atos de desafio mais amplos ao sistema teocrático.

Nos últimos anos, o Irão tem sofrido repetidas vagas de agitação. Os protestos em nome de Mahsa Amini, em 2022, eclodiram após a morte desta mulher de 22 anos sob custódia policial, na sequência da sua detenção por alegadamente violar as regras do hijab. Essas manifestações duraram meses e resultaram em centenas de mortes.

Outras fontes • AP

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