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ONU: Guterres critica líderes mundiais por porem cooperação em risco

Chega secretário-geral da ONU, António Guterres, à Cimeira do Clima COP30 em Belém, 20 de novembro de 2025
Secretário-Geral da ONU António Guterres chega à Cimeira do Clima COP30 em Belém a 20 de novembro de 2025 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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Guterres, nas suas declarações de largo alcance, apelou para a ação contra o abuso da inteligência artificial e esforços para combater a desigualdade.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou duramente, esta quinta-feira, líderes mundiais que, disse, procuram "condenar à morte a cooperação internacional", numa altura de violações flagrantes do direito internacional, mas evitou apontar países em concreto.

Guterres também reiterou estar "profundamente preocupado com a repressão violenta no Irão", antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a crise, prevista para mais tarde, esta quinta-feira.

Guterres, que deixará o cargo no final de 2026, proferia o último discurso anual de definição de prioridades para o ano seguinte e afirmou que o mundo está marcado por "divisões geopolíticas autodestrutivas e violações flagrantes do direito internacional".

Também denunciou "cortes generalizados na ajuda ao desenvolvimento e humanitária", numa aparente referência aos cortes profundos nos orçamentos das agências da ONU determinados pelos Estados Unidos ao abrigo da política "America First" da administração Trump.

"Estas forças e outras estão a abalar os alicerces da cooperação global e a pôr à prova a resiliência do próprio multilateralismo", disse Guterres à Assembleia Geral.

"Numa altura em que mais precisamos da cooperação internacional, parecemos menos dispostos a usá-la e a investir nela. Alguns procuram condenar à morte a cooperação internacional."

Guterres disse que a ONU está "totalmente empenhada na causa da paz em Gaza, na Ucrânia, no Sudão e muito para além desses casos, e incansável na entrega de ajuda que salva vidas a quem desespera por apoio".

Três conflitos mortíferos e prolongados passaram a marcar o mandato de Guterres à frente da ONU, com críticos a sustentarem que a organização se revelou ineficaz na prevenção de conflitos.

Trump questionou a relevância da ONU e atacou as suas prioridades. Principal órgão de decisão da organização, o Conselho de Segurança, está paralisado devido a tensões entre os Estados Unidos, a Rússia e a China, três membros permanentes com poder de veto.

Palestinianos caminham entre edifícios destruídos por operações aéreas e terrestres israelitas na Cidade de Gaza, 15 de janeiro de 2026
Palestinianos caminham entre edifícios destruídos por operações aéreas e terrestres israelitas na Cidade de Gaza, 15 de janeiro de 2026 AP Photo

"Hoje, enquanto nos reunimos, as armadilhas do conflito prenderam milhões de membros da família humana em ciclos miseráveis e prolongados de violência, fome e deslocação", disse Guterres.

Sobre Gaza, o chefe da ONU pediu que a ajuda humanitária "flua sem impedimentos" e, sobre a Ucrânia, pediu que não se poupem esforços para travar os combates.

Também apelou para a retoma das conversações no sentido de que se alcance um cessar-fogo duradouro no Sudão.

Guterres aproveitou também a intervenção abrangente para instar à ação contra o uso abusivo da inteligência artificial, pedindo esforços de combate à desigualdade.

Outras fontes • AFP

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