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Quase metade de Kiev sem aquecimento e energia elétrica devido a ataques russos

Tendas de emergência são montadas num bairro residencial onde as pessoas se podem aquecer após os ataques aéreos regulares da Rússia em Kiev, 15 de janeiro de 2026
Tendas de emergência são montadas num bairro residencial onde as pessoas se podem aquecer após os ataques aéreos regulares da Rússia em Kiev, 15 de janeiro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gavin Blackburn
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A Rússia tem vindo a atacar o sistema energético da Ucrânia desde o início da guerra, numa tentativa, segundo Kiev, de minar o moral e enfraquecer a resistência dos ucranianos.

Um bombardeamento russo durante a noite deixou milhares de edifícios residenciais na capital ucraniana, Kiev, sem aquecimento e sem água, numa altura em que as temperaturas desceram para -14ºC.

O ataque de centenas de drones e mísseis, que visou instalações energéticas em toda a Ucrânia, matou pelo menos um homem de 50 anos perto de Kiev.

A capital ucraniana está já a esforçar-se por restaurar os serviços vitais destruídos em bombardeamentos anteriores.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiga, criticou o presidente russo, Vladimir Putin, afirmando: "O criminoso de guerra Putin continua a travar uma guerra genocida contra mulheres, crianças e idosos".

Acrescentou que as forças russas atacaram infraestruturas energéticas durante a noite em pelo menos sete regiões e instou os aliados da Ucrânia a reforçarem os seus sistemas de defesa aérea.

Pessoas aquecem-se e carregam os seus dispositivos móveis durante um corte de energia causado pelos ataques aéreos regulares da Rússia ao setor energético do país, em Kiev
Pessoas aquecem-se e carregam os seus dispositivos móveis durante um corte de energia causado pelos ataques aéreos regulares da Rússia ao setor energético do país, em Kiev AP Photo

"O apoio ao povo ucraniano é urgente. Não haverá paz na Europa sem uma paz duradoura para a Ucrânia", afirmou nas redes sociais.

Em declarações aos jornalistas na terça-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, sugeriu que iria faltar ao Fórum Económico Mundial, que decorre atualmente na Suíça, para lidar com as consequências do ataque.

"Tenho um plano para ajudar as pessoas com a energia. Estabeleci contactos relevantes com os serviços centrais de energia. Também realizei reuniões online e offline. Esta é a principal prioridade neste momento. Claro que, neste caso, escolho a Ucrânia e não os fóruns económicos. Mas tudo pode mudar a qualquer momento. Porque é muito importante para mim e para os ucranianos acabar com esta guerra", afirmou.

Mas manteve em aberto a possibilidade de ir à reunião de líderes mundiais na estância suíça de Davos, se os acordos com os Estados Unidos sobre um possível apoio económico e de segurança pós-guerra estivessem prontos a ser assinados.

"Por enquanto, vou ficar onde estou", acrescentou.

Pessoas abrigam-se numa estação de metro durante um ataque noturno de mísseis e drones russos em Kiev, 20 de janeiro de 2026
Pessoas abrigam-se numa estação de metro durante um ataque noturno de mísseis e drones russos em Kiev, 20 de janeiro de 2026 AP Photo

Bombardeamentos em todo o país

A Rússia disparou cerca de 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis durante a investida noturna, informou a força aérea de Kiev.

Zelenskyy, que recentemente se queixou da lentidão na entrega de armas, disse que a Ucrânia tinha recebido um carregamento de munições para os sistemas de defesa aérea apenas um dia antes do ataque.

O bombardeamento ocorreu cerca de 10 dias após o mais significativo ataque russo à rede de energia de Kiev desde o início da sua invasão em grande escala, há quase quatro anos.

Pessoas abrigam-se numa estação de metro durante um ataque noturno de mísseis e drones russos em Kiev, 20 de janeiro de 2026
Pessoas abrigam-se numa estação de metro durante um ataque noturno de mísseis e drones russos em Kiev, 20 de janeiro de 2026 AP Photo

Esse ataque, na madrugada de 9 de janeiro, deixou metade da capital sem aquecimento e muitos residentes sem eletricidade durante dias, com temperaturas negativas.

A maioria dos edifícios que sofreram cortes na terça-feira foram também os afetados pelo ataque do início do mês.

As escolas foram encerradas até fevereiro e a iluminação pública foi reduzida, numa tentativa de preservar os recursos energéticos.

"Depois deste ataque, 5.635 edifícios residenciais ficaram sem aquecimento", declarou o presidente da Câmara, Vitali Klitschko, no Telegram - o equivalente a cerca de metade dos blocos de apartamentos da capital.

Grande parte de Kiev também ficou sem água corrente, acrescentou.

"Quase metade de Kiev está a passar por um apagão neste momento", confirmou a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Mariana Betsa.

Abrigada numa estação de metro no centro de Kiev, Marina Sergienko, uma contabilista de 51 anos, disse que achava que os repetidos ataques russos, que deixaram milhões de pessoas no frio e no escuro nas últimas semanas, tinham um objetivo claro.

"Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico para que não haja mais forças, para quebrar a nossa resistência", explicou.

"Infraestruturas críticas"

As autoridades da região ocidental de Rivne afirmaram que outro ataque tinha danificado "infraestruturas críticas", deixando 10.000 famílias sem eletricidade.

O dirigente da região sul de Odessa acrescentou que um drone russo tinha colidido com um edifício residencial e que as instalações de energia tinham sido atingidas.

E na região oriental de Poltava, as autoridades locais afirmaram que um ataque provocou um incêndio numa instalação industrial.

A Rússia tem vindo a atacar o sistema energético ucraniano desde o início da invasão, numa tentativa, segundo Kiev, de minar o moral e enfraquecer a resistência dos ucranianos.

Militares disparam um blindado de artilharia autopropulsada 2S1 Gvozdika contra posições russas perto da cidade de Chasiv Yar, 18 de janeiro de 2026
Militares disparam um blindado de artilharia autopropulsada 2S1 Gvozdika contra posições russas perto da cidade de Chasiv Yar, 18 de janeiro de 2026 AP Photo

O Kremlin assegura que apenas tem como alvo as instalações militares ucranianas e culpa Kiev pela continuação da guerra, por se recusar a aceitar as suas exigências de paz.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, na terça-feira, ter efetuado ataques a instalações que apoiam as forças armadas da Ucrânia.

O Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de captura contra dois altos responsáveis militares russos pelos ataques à rede energética da Ucrânia.

O Tribunal considerou que se tratava de um crime de guerra, uma vez que se destinava a prejudicar civis ucranianos.

Devido às sensibilidades inerentes a um contexto de guerra, Kiev não diz quais as instalações energéticas que foram danificadas ou destruídas pelos ataques russos.

Outras fontes • AFP

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