Os rios Oust, Laïta, Blavet e seus afluentes transbordaram na noite de quarta-feira, dia 21, para quinta-feira, 22 de janeiro. Após uma noite de inundações, os departamentos de Finistère, Ille-et-Vilaine e Morbihan permanecem em alerta laranja para cheias.
Em Quimperlé, no departamento de Finisterra, aqueles que moram no centro da cidade acordaram com os pés dentro de água. No cais de Brizeux, a água subiu até aos 4,47 metros, ultrapassando as barreiras contra inundações, informou o presidente da câmara da cidade, Michaël Quernez, à AFP. Os pisos térreos das habitações e dos estabelecimentos comerciais ficaram inundados, obrigando os habitantes a refugiarem-se nos andares superiores.
"As primeiras evacuações estão a decorrer neste momento, com a ajuda dos bombeiros", acrescentou o autarca.
Os bombeiros montaram um posto de comando no centro da cidade e mobilizaram meios adicionais, incluindo embarcações náuticas, informou a prefeitura.
A cidade, tal como o resto do departamento de Finisterra, foi colocada em alerta laranja para inundações pela Météo-France na quarta-feira. Morbihan e Ille-et-Vilaine são igualmente afetadas por este alerta.
A água subiu também em St-Gravé e Plélauff, entre outras localidades. Estas três cidades ficam às margens dos três rios afetados pelo alerta laranja : o Oust, o Laïta e o Blavet. O Odet, que atravessa Quimper, voltou ao estado de alerta amarelo na manhã de quinta-feira, 22 de janeiro.
As previsões da Météo-France indicam que o nível das águas deverá estabilizar lentamente antes de baixar gradualmente.
Solos saturados
São vários os fatores que estão na origem das inundações. Em primeiro lugar, o mês de janeiro de 2026 foi historicamente chuvoso na Bretanha. Desde o primeiro dia de janeiro, a cidade de Brest, por exemplo, recebeu 196 mm de água, em comparação com a norma mensal de 143 mm. O mesmo se aplica a Ouessant, Quimpert, Lorient e St-Brieux.
A isto acresce o facto de este período chuvoso se prolongar no tempo. O escoamento em solos saturados, o transbordo dos cursos de água e a subida dos lençóis freáticos provocam a subida das águas. E a evacuação dessas águas é ainda mais difícil, uma vez que os coeficientes das marés estão hoje elevados. Estão compreendidos entre 84 e 85. A Vigicrues, serviço público francês de vigilância e previsão de cheias, salienta que estas condições "vão limitar os escoamentos fluviais para o mar".
"A maré desta manhã chegou concomitantemente com o pico da cheia dos afluentes", precisou a Vigicrues, no seu boletim das 10h. "Os níveis vão voltar a baixar [...] mas o Laïta (que atravessa Quimperlé) permanecerá num nível muito elevado, apesar da descida." Os elevados coeficientes das marés irão "limitar a evacuação das cheias na altura da maré alta", acrescentou a Vigicrues.
Estão previstas novas chuvas para sexta-feira.
Em Malestroit, no departamento de Morbihan, "o pico da cheia está previsto para a noite de quinta para sexta-feira", informou a Vigicrues.