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Mau tempo: Plano Nacional de Emergência acionado em todo o país

Figueira da Foz, Portugal
Figueira da Foz, Portugal Direitos de autor  Figueira Na Hora/Jorge Lemos via AP
Direitos de autor Figueira Na Hora/Jorge Lemos via AP
De Ricardo Figueira & Ema Gil Pires
Publicado a Últimas notícias
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A Proteção Civil acionou o Plano Nacional de Emergência e o governo prolongou o estado de calamidade durante mais uma semana, com 14 distritos de Portugal Continental com aviso laranja.

A Proteção Civil ativou, este domingo, o Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil em todo o país, devido aos estragos causados pela tempestade Kristin e à previsão de continuação do mau tempo por pelo menos mais uma semana. A decisão foi tomada, por unanimidade, na primeira reunião extraordinária de 2026 da Comissão Nacional de Proteção Civil (CNPC), à qual presidiu a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, segundo o comunicado da CNPC.

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O estado de calamidade, decretado na semana passada, foi prolongado até ao dia oito de fevereiro, na reunião extraordinária do Conselho de Ministros.

As consequências do mau tempo mataram pelo menos nove pessoas em Portugal nos últimos dias: às cinco vítimas mortais de quarta-feira juntam-se mais um homem na Marinha Grande, dois homens que caíram de telhados que estavam a reparar na Batalha e em Alcobaça, e outro que morreu na última madrugada, em Leiria, por intoxicação com monóxido de carbono que teve origem num gerador.

14 distritos de Portugal Continental estão sob aviso laranja, esta segunda-feira, devido ao mau tempo - Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.Em todo o litoral, são esperadas fortes chuvas, rajadas de vento e agitação marítima, enquanto os distritos mais a norte, com exceção de Aveiro, foram colocados sob alerta devido à neve. Há ainda dois avisos laranja no Arquipélago da Madeira: Costa Norte e Porto Santo.

Espera-se uma melhoria generalizada, pelo menos no centro e no sul, a partir de quarta-feira.

Os distritos mais afetados pelo mau tempo são, até agora, Coimbra, Leiria e Santarém.

Várias linhas de comboio cortadas

Entre as 00:00 e as 12:30 desta segunda-feira, segundo o último balanço divulgado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), contabilizaram-se 764 ocorrências relacionadas com as condições meteorológicas adversas, adiantou à agência Lusa o comandante Telmo Ferreira.

Quedas de árvores e de estruturas, o corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações, estão a ser as principais consequências materiais do temporal que tem assolado o país nos últimos dias.

Aliás, pelas 13:30 desta segunda-feira, cerca de 147 mil clientes da E-Redes permaneciam sem energia, principalmente em Leiria.

A circulação na linha ferroviária do norte foi suspensa, por volta das 6:00, no troço entre Castanheira do Ribatejo e Alverca, no concelho de Vila Franca de Xira, mas já foi retomada. Através do Facebook, a CP avisou para interrupções, sem previsão de retoma, numa série de linhas e troços:

  • Urbanos de Coimbra
  • Linha do Douro - circulação suspensa entre Régua e Pocinho
  • Linha do Norte - supressão dos serviços de Longo Curso entre Braga e Lisboa
  • Linha do Oeste A circulação está igualmente suspensa entre Barcelos e Tamel, na linha do Minho, devido à queda de uma barreira, informou ainda a CP.

Coimbra preparou-se para o pior

Coimbra, um dos distritos mais afetados pelo mau tempo, preparou-se para um cenário que obrigasse à evacuação de localidades nas margens do Mondego, entre Coimbra e Figueira da Foz. A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, anunciou uma lista de locais preparados para acolher a população de várias freguesias para pernoitarem, caso a evacuação fosse necessária.

Na Figueira da Foz, uma grua caiu sobre cinco prédios na Rua Bernardo Lopes durante esta madrugada. O acidente não causou feridos, mas obrigou à evacuação dos moradores e ao realojamento de seis pessoas.

Em Lisboa e no Porto, as populações das zonas ribeirinhas também se prepararam para o cenário de uma eventual cheia. O caudal do rio Douro subiu e algumas zonas do cais, na cidade do Porto, ficaram submersas. A situação preocupou sobretudo os moradores de Miragaia, zona mais baixa da cidade.

Na Grande Lisboa, foram os moradores de Algés, frequentemente palco de inundações, que se apressaram a proteger os bens, temendo uma cheia.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, pediu à população que ficasse em casa e evitasse deslocações desnecessárias durante a última noite.

Já na tarde desta segunda-feira, a Proteção Civil alertou, em conferência de imprensa, para o risco de "inundações significativas" junto ao rio Tejo, em vários municípios de Santarém, como é o caso da Chamusca, Salvaterra de Magos e Almeirim. Um distrito onde, devido aos "episódios de chuva e vento" expectáveis no seu território, poderá ser emitido um novo aviso amarelo para esta terça-feira.

Também em Alcácer do Sal, as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de novas inundações durante a maré alta da próxima madrugada, enquanto decorrem as operações de limpeza no local.

"Não se justifica" pedir ajuda à UE, diz presidente da Proteção Civil

O presidente da Proteção Civil, José Manuel Moura, questionado pelos jornalistas, esta segunda-feira, sobre a eventual necessidade de ativar o Mecanismo de Proteção Civil da UE, assegurou que "Portugal ainda não esgotou, muito longe disso, a sua capacidade" para dar resposta às consequências das últimas intempéries. E que, por isso, "não se justifica, de todo", recorrer a essa via.

“Portugal ainda não esgotou a sua capacidade, muito longe disso. A sua capacidade instalada seja pelos próprios bombeiros, as forças de segurança, os militares. Portanto, por essa via, da nossa parte, não se justifica de todo o Mecanismo [de Proteção Civil da UE] para recrutar ou para solicitar ajuda, em termos de pessoas, para vir ajudar o país", afirmou José Manuel Moura.

Recordou, ainda, sobre o tema, que esse "Mecanismo Europeu pode ser ativado em qualquer momento" e que aquilo que não se pode fazer "é ativá-lo por qualquer razão, para pedir um meio que pode estar ao nosso alcance e que não está esgotado nas capacidades do país". Tendo concluído: "O país não vai pedir tellhas ao Mecanismo Europeu."

Segundo informação avançada em comunicado enviado à agência Lusa, o Exército português mobiliza um total de 656 militares para o apoio às populações afetadas pela depressão Kristin, dos quais 375 se encontram efetivamente "no terreno".

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