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Vice-primeiro-ministro ucraniano rejeita alternativas à adesão plena à UE

Taras Kachka, vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração Europeia e Euro-Atlântica, no estúdio da Euronews, 26 de maio de 2026
Taras Kachka, vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração Europeia e Euro-Atlântica, no estúdio da Euronews, 26 de maio de 2026 Direitos de autor  Euronews
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De Sasha Vakulina
Publicado a Últimas notícias
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Bruxelas deve acelerar o processo de adesão à UE e a plena integração continua a ser a única opção, afirmou à Euronews Taras Kachka, vice‑primeiro‑ministro ucraniano para a Integração Europeia e Euro-Atlântica.

Para Kiev, "não há alternativa à adesão rápida, baseada no mérito, mas plena à União Europeia", afirmou Taras Kachka, vice-primeiro-ministro para a Integração Europeia e Euro-Atlântica da Ucrânia, em entrevista exclusiva à Euronews.

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No início deste mês, o chanceler alemão, Friedrich Merz, lançou a ideia de que a Ucrânia poderia tornar-se um "membro associado" da UE antes de se tornar um Estado-membro de pleno direito.

Kachka rejeitou a proposta, classificando-a como "inaceitável se for uma alternativa à adesão plena".

Sublinhou que a Ucrânia precisa de "um processo de adesão rápido, abrangente, normal, que termine com a assinatura de um tratado de adesão ao abrigo do artigo 49.º do Tratado da União Europeia". Tudo o resto, disse, "não importa".

Calendário da adesão

Num esforço renovado para acelerar o processo de adesão à UE, Kiev está a pedir a Bruxelas que abra todos os clusters de negociação da Ucrânia já em junho deste ano, antecipando o calendário inicialmente apontado para julho.

"Acreditamos que os seis clusters podem já estar abertos em junho", afirmou Kachka, na terça-feira, à Euronews. "No nosso calendário, já vamos em atraso face ao prazo."

As declarações de Kachka surgem depois de a comissária europeia responsável pelo Alargamento Marta Kos afirmar que o primeiro cluster de negociação pode ser aberto em junho durante a presidência rotativa cipriota da UE, com os restantes cinco a seguirem-se até julho, quando a Irlanda assumir a função.

Os clusters de negociação estão ligados a áreas de reforma essenciais para alinhar com as normas da UE, desde o Estado de direito até à reforma judicial.

Cada conjunto de critérios tem de ser cumprido por um país candidato, e a aprovação final exige o acordo unânime dos 27 Estados-membros da UE.

Taras Kachka, vice-primeiro-ministro da Ucrânia responsável pela Integração Europeia e Euro-Atlântica, no estúdio da Euronews, 26 de maio de 2026
Taras Kachka, vice-primeiro-ministro da Ucrânia responsável pela Integração Europeia e Euro-Atlântica, no estúdio da Euronews, 26 de maio de 2026 Euronews

Kachka insistiu que a Ucrânia já concluiu o trabalho preparatório necessário, pelo que a abertura formal dos clusters de adesão não significará um novo ponto de partida para o país.

"Por isso, está tudo feito, é por isso que já estamos atrasados face ao calendário", disse o vice-primeiro-ministro para a Integração Europeia e Euro-Atlântica da Ucrânia.

Kachka acrescentou que existe "um certo preconceito" em relação à Ucrânia quanto ao momento e às circunstâncias em que o país iniciou o seu processo de adesão à UE.

"Para a Ucrânia, começou há cerca de 15 anos, ou ainda antes, quando negociámos o acordo de associação", afirmou. "Todos os critérios já definidos pela União Europeia podem ser facilmente aplicados nos próximos 12 a 18 meses."

Os passos da Ucrânia rumo à adesão estiveram durante muito tempo bloqueados por um veto húngaro, que Kiev espera agora ver levantado sob a liderança do novo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar.

Hungria "não vai bloquear nada"

Após anos de relações difíceis, a Hungria e a Ucrânia iniciaram consultas sobre os direitos da minoria húngara no país devastado pela guerra, um ponto de discórdia de longa data entre os dois países e uma das principais razões para o veto de Budapeste à candidatura de Kiev à adesão à UE.

Kachka insistiu que "a Ucrânia trata a comunidade húngara no país com total respeito".

"Para nós, são uma parte absolutamente integrante da sociedade ucraniana, com total respeito pela sua identidade nacional", afirmou.

"Temos quase 100 escolas para húngaros que satisfazem todas as exigências. Isto significa que, literalmente, todos os alunos, todas as crianças na Ucrânia que queiram estudar em húngaro ou aprender a língua húngara enquanto estudam em ucraniano têm essa possibilidade."

Kachka afirmou que Kiev está agora a apresentar a Budapeste a mesma proposta para avançar que anteriormente ofereceu ao ex-primeiro-ministro Viktor Orbán: "aperfeiçoar a legislação para que todos saibam que este ambiente incrivelmente positivo não vai mudar".

Mas Budapeste não deve adiar mais o levantamento do veto à adesão da Ucrânia, sugeriu Kachka, explicando que "o diálogo sobre minorias nacionais entre a Ucrânia e a Hungria será permanente".

Poderão outros países impor vetos?

Embora o veto húngaro à adesão da Ucrânia à UE possa ser levantado mais cedo do que tarde, há receios de que outros Estados-membros possam bloquear os próximos passos de Kiev.

Um desses países poderá ser a Polónia. "Não é segredo que a agricultura polaca vê a agricultura ucraniana como concorrência", afirmou Kachka na terça-feira.

Explicou que Kiev já está envolvida em consultas com Varsóvia, mas também com outras capitais, sobre eventuais questões específicas por setor.

"Não vemos intenção de bloquear a abertura dos clusters, mas vemos a vontade, em boa fé, de encontrar uma solução para estes temas sensíveis e complexos com a Polónia, com os nossos vizinhos e também com outros Estados-membros, embora este vá ser o mais delicado."

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