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Crise energética: Cuba prepara-se para receber o primeiro carregamento de petróleo russo do ano

Uma imagem do herói da Revolução Cubana, Ernesto "Che" Guevara, ao lado de uma televisão numa loja de recordações em Havana, 13 de março de 2026
Uma imagem do herói da Revolução Cubana, Ernesto "Che" Guevara, ao lado de uma televisão numa loja de recordações em Havana, 13 de março de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Jerry Fisayo-Bambi
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Os analistas afirmam que o carregamento poderá produzir cerca de 180.000 barris de gasóleo, o suficiente para satisfazer as necessidades diárias de Cuba durante um período de até 10 dias.

Cuba prepara-se para receber o seu primeiro carregamento de petróleo russo este ano, uma entrega que marca a primeira vez que um carregamento de petróleo de qualquer país chega à ilha nos últimos três meses, desde o bloqueio energético imposto pelos EUA.

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O carregamento previsto, proveniente da Rússia, surge depois de o governo ter anunciado que o país estava a operar com recurso a gás natural, energia solar e centrais termoelétricas, numa altura em que as graves falhas energéticas continuam a causar apagões num país com uma rede elétrica em ruínas.

O navio de bandeira russa Anatoly Kolodkin encontra-se a cerca de 3.000 milhas náuticas de Cuba, no Oceano Atlântico, e deverá chegar à ilha dentro de 10 dias, segundo Jorge Piñón, especialista do Instituto de Energia da Universidade do Texas.

O navio-tanque transporta 730.000 barris de combustível e consta da lista de navios deste tipo sancionados pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Reino Unido na sequência da guerra na Ucrânia, afirmou Piñón.

Acrescentou ainda que é difícil determinar por quanto tempo essa quantidade de combustível poderá sustentar Cuba.

"Estamos a falar de petróleo bruto que tem de ser refinado para se transformar em combustíveis líquidos. Cada produto tem a sua procura específica."

O carregamento poderia produzir cerca de 180.000 barris de gasóleo, o suficiente para satisfazer as necessidades diárias de Cuba durante nove a dez dias.

Pessoas caminham por uma rua durante um apagão em Havana, 16 de março de 2026
Pessoas caminham por uma rua durante um apagão em Havana, 16 de março de 2026 AP Photo

Segundo navio com destino a Havana

Segundo Piñón, outro navio, o Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, também estaria a transportar petróleo russo para Cuba, levando aproximadamente 200.000 barris de gasóleo.

Os analistas afirmam que Cuba consome cerca de 20.000 barris de gasóleo por dia e que a carga do Sea Horse não cobre necessariamente a procura total de gasóleo, tendo em conta os baixos níveis de reservas da ilha.

Piñón acredita que o combustível será provavelmente utilizado em "setores críticos da economia", como os transportes e a agricultura, e que o Sea Horse poderá demorar quatro dias a chegar a Cuba, se esse for o seu destino, segundo Piñón.

O especialista em energia observou que o navio permaneceu durante 20 dias no meio do Oceano Atlântico antes de decidir continuar a sua viagem para sudoeste. Encontra-se a cerca de 958 milhas náuticas do porto cubano de Matanzas.

Um vendedor ambulante espera por clientes no Malecón durante um apagão em Havana, segunda-feira, 16 de março de 2026
Um vendedor ambulante espera por clientes no Malecón durante um apagão em Havana, segunda-feira, 16 de março de 2026 Ramon Espinosa/AP

Agravamento das crises energéticas

Cuba produz apenas cerca de 40% do seu petróleo, sendo o restante importado da Rússia, do México e da Venezuela.

No entanto, depois de os EUA terem atacado a Venezuela no início de janeiro e detido o seu então líder, o presidente Nicolás Maduro, um aliado comercial de Cuba, os carregamentos vitais provenientes daquele país sul-americano foram suspensos.

No final de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a qualquer país que vendesse ou fornecesse petróleo a Cuba. Nesse mês, o México suspendeu os seus envios de petróleo para Cuba.

A situação agravou as crises energética e económica de Cuba, levando a cortes de energia de 10 horas, forçando uma redução do horário de trabalho e dos transportes e provocando uma queda no turismo, anteriormente uma das suas principais fontes de rendimento.

Outras fontes • AP

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