Falando aos meios de comunicação social em Bruxelas, um dia depois de ter bloqueado o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, Orbán disse que ele e o seu governo têm "muitas cartas nas mãos".
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, levantou a perspetiva de novas ações que o seu governo poderá tomar contra a Ucrânia para forçar a retoma do fornecimento de petróleo russo à Hungria e à Eslováquia, que está parado desde janeiro.
Falando aos meios de comunicação social em Bruxelas, um dia depois de ter bloqueado novamente um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, Orbán disse que ele e o seu governo têm "muitas cartas nas mãos", para além de impedir a ajuda financeira de que a Ucrânia necessita para equipar as suas forças armadas e manter a sua economia a funcionar.
"Também temos outras ferramentas", disse. "40% do abastecimento de eletricidade da Ucrânia passa pela Hungria e nós ainda não tocámos nisso. A UE quer constantemente introduzir novas sanções [contra a Rússia]. Isso exige unanimidade e nós não a vamos dar".
O transporte de petróleo através do oleoduto Druzhba foi interrompido depois de, segundo a Ucrânia, um ataque de um drone russo ter danificado as infraestruturas do oleoduto. A Hungria e a Eslováquia são os únicos países da UE que continuam a importar petróleo russo.
Orbán insiste em que a Ucrânia sabotou propositadamente o oleoduto para orquestrar uma crise energética antes das eleições legislativas de 12 de abril e prometeu bloquear todas as medidas da UE para ajudar Kiev até que os carregamentos sejam retomados.
Num esforço para persuadir Orbán a levantar o seu bloqueio ao empréstimo, os funcionários da UE disseram na terça-feira que o bloco tinha oferecido à Ucrânia apoio técnico e financiamento para reparar o gasoduto, uma oferta que Kiev aceitou.
Orbán também ameaçou, na sexta-feira, vetar o próximo orçamento da UE para sete anos se este incluir ajuda financeira à Ucrânia, acrescentando: "Temos muitas cartas nas nossas mãos, por isso não me parece que valha a pena entrar em conflito com a Hungria".
Líderes da UE censuram "chantagem"
Na quinta-feira, os líderes da UE, indignados, acusaram Orbán de continuar a bloquear o empréstimo à Ucrânia, acusando-o de atrasar a ajuda crítica e de minar a tomada de decisões da UE, num esforço para ganhar as eleições no seu país.
A condenação foi liderada por António Costa, o habitualmente moderado presidente do Conselho Europeu, cuja autoridade está a ser diretamente posta em causa pela perturbação de Orbán.
"Os líderes usaram da palavra para condenar a atitude de Viktor Orbán, para recordar que um acordo é um acordo e que todos os líderes têm de honrar essa palavra", disse Costa no final da cimeira, dando vazão a meses de frustração com o húngaro.
"Ninguém pode chantagear o Conselho Europeu. Ninguém pode chantagear as instituições da União Europeia", disse aos jornalistas, insistindo que o empréstimo será pago como acordado em dezembro passado.
Zelenskyy diz que as alegações de Orbán contra a Ucrânia sobre a sua responsabilidade na danificação do oleoduto Druzhba são infundadas, mas também atacou Orbán em público em várias ocasiões.
Costa, de acordo com um diplomata, disse que ambos devem abrandar a retórica, mas também observou que a Hungria está a colocar em cima da mesa condições impossíveis, como garantir a segurança do trânsito, enquanto a Rússia continua a atacar a Ucrânia com mísseis e drones.
"Isto não é agir de boa fé, quando se coloca uma condição que nem a União Europeia nem os Estados-membros podem garantir", afirmou Costa.
Enquanto Orbán enfrenta o que se espera ser a eleição mais apertada da sua carreira, a 12 de abril, tem-se apoiado cada vez mais numa ampla campanha anti-Ucrânia, retratando o presidente do país, Volodymyr Zelenskyy, como uma ameaça existencial para a Hungria.
Alegou que o líder ucraniano, juntamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, quer arrastar a Hungria para a guerra da Rússia e argumentou que a sua reeleição é a única garantia de paz e segurança.