Um autocolante publicado pelos meios de comunicação social iranianos, com a imagem de Pedro Sánchez em mísseis, provocou uma resposta direta de Israel, que acusa o PM de ser instrumentalizado por Teerão, no meio de uma escalada de tensões.
A agência semiestatal iraniana Tasnim News divulgou imagens de um alegado autocolante afixado em mísseis hipersónicos que mostra o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, acompanhado de mensagens em farsi e inglês.
O autocolante reproduz uma frase atribuída ao dirigente espanhol, na qual este descreve a guerra como "ilegal", juntamente com uma mensagem de agradecimento do Irão. O texto, repetido em várias línguas, acrescenta que o conflito não seria apenas ilegal, mas também "desumano".
A imagem foi reproduzida por meios de comunicação internacionais, como a "Al Jazeera", e, segundo diferentes fontes, Israel lhe confere credibilidade como parte da sua estratégia de comunicação. A divulgação deste material faz parte da escalada entre o Irão e Israel, com ataques que visam tanto o território israelita como os interesses dos EUA na região.
A Tasnim News mantém laços estreitos com a Guarda Revolucionária iraniana, um órgão-chave na estrutura militar do país que, entre outras funções, controla o estratégico Estreito de Ormuz. Neste contexto, a utilização de líderes ocidentais em mensagens de propaganda faz parte da batalha narrativa que acompanha o conflito.
A reação de Israel
O governo israelita não tardou a reagir. Por meio do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, enviou uma mensagem direta a Sánchez nas redes sociais, censurando-o por terem sido utilizadas as suas palavras por Teerão.
"Como se sente ao saber que o seu rosto e as suas palavras aparecem nestes mísseis?", perguntou o diplomata israelita numa mensagem em que também advertia que a Europa, incluindo a Espanha, está ao alcance deste tipo de armamento.
A reação surge num momento de fricção entre Israel e a União Europeia, que o acusa de não se alinhar totalmente com a sua posição sobre o conflito.