A guerra no Médio Oriente danificou gravemente mais de 40 infraestruturas energéticas em nove países, afirmou o diretor da Agência Internacional de Energia, alertando para riscos crescentes para a economia global.
O responsável máximo da Agência Internacional da Energia afirmou, esta segunda-feira, que a economia mundial enfrenta uma “ameaça muito, muito séria” por causa da guerra no Irão.
“Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar a evoluir nesta direção”, disse Fatih Birol no National Press Club da Austrália, em Camberra, na segunda-feira.
Birol acrescentou que a crise no Médio Oriente teve, no seu conjunto, um impacto pior do que os dois choques petrolíferos da década de 1970 e do que o efeito da guerra Rússia–Ucrânia nos mercados de gás.
“Algumas das artérias vitais da economia mundial, como os petroquímicos, os fertilizantes, o enxofre ou o hélio, têm o seu comércio completamente interrompido, o que poderá ter consequências graves para a economia global”, afirmou Birol.
Os preços do petróleo continuaram a subir, sem fim à vista para a guerra no Irão. Israel lançou, na madrugada de segunda-feira, uma nova vaga de ataques contra Teerão, e o Irão avisou que atingirá centrais elétricas em todo o Médio Oriente se o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprir a ameaça de bombardear centrais elétricas na República Islâmica.
O petróleo WTI dos Estados Unidos ultrapassou, na manhã de segunda-feira, os 100 dólares por barril, e o Brent, referência internacional, era negociado acima dos 113 dólares por barril.
Ao avaliar os danos provocados pela guerra no Irão, iniciada em 28 de fevereiro, Birol afirmou que 40 infraestruturas energéticas em nove países da região ficaram “gravemente ou muito gravemente danificadas”.
O responsável acrescentou que está em consultas com governos na Europa e na Ásia sobre a possibilidade de libertar mais petróleo das reservas estratégicas.
“Vamos ver, vamos olhar para os mercados”, disse. “Se for necessário, naturalmente que o faremos, mas vamos observar as condições, analisar e avaliar o mercado e discutir com os nossos países membros.”
Enquanto o Irão mantém o controlo apertado sobre o Estreito de Ormuz, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um prazo de 48 horas a Teerão para abrir a via marítima estratégica a todos os navios, avisando que, caso contrário, os Estados Unidos irão “destruir por completo” as centrais elétricas do Irão. Trump publicou a ameaça nas redes sociais no início da manhã de domingo, hora do Médio Oriente.