Lionel Jospin, antigo primeiro-ministro socialista de França, morreu no domingo. Tinha sido submetido a uma "intervenção cirúrgica grave" em janeiro.
Lionel Jospin, antigo primeiro-ministro francês, morreu no domingo aos 88 anos. A morte foi anunciada pela família esta segunda-feira. Em janeiro, Jospin tinha sido submetido a uma "intervenção cirúrgica grave".
Lionel Jospin liderou o Partido Socialista de 1981 a 1988 e, posteriormente, de 1995 a 1997, antes de assumir o cargo de primeiro-ministro de 1997 a 2002, sob a presidência de Jacques Chirac, à frente de uma coligação de forças de esquerda que reunia socialistas, comunistas e ecologistas.
Durante esta terceira "coabitação", Lionel Jospin promoveu a redução do tempo de trabalho para 35 horas semanais e implementou a cobertura universal de saúde, bem como o contrato de união civil aberto a todos os casais, incluindo os homossexuais.
A carreira política de Lionel Jospin é igualmente marcada pelas suas candidaturas mal sucedidas às eleições presidenciais de 1995 e 2002.
Foi, aliás, na sequência deste último fracasso — que viu a extrema-direita chegar à segunda volta das eleições presidenciais pela primeira vez — que Lionel Jospin anunciou a sua retirada da vida política, num discurso que ficou famoso.
Reações da classe política
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, elogiou a trajetória política de um homem que "serviu a França com constância, rigor e sentido de responsabilidade".
"A sua ação, guiada por uma certa ideia de progresso social e de valores republicanos, deixa uma marca duradoura e um modelo de empenho", acrescentou o chefe do governo francês."França perde hoje um servidor fiel, cujo nome permanecerá ligado ao Estado".
O ministro da Educação, Édouard Geffray, prestou igualmente homenagem ao seu antigo antecessor no cargo, afirmando que Lionel Jospin "defendeu uma certa visão do Estado, exigente e fiel aos seus princípios, na qual a educação ocupava um lugar central".
"Deixou uma marca profunda na Escola pelo seu empenho na democratização do ensino e na elevação do nível de formação de todos os alunos", prosseguiu. "A sua ação contribuiu para tornar a educação uma prioridade nacional, ao serviço da igualdade de oportunidades".
O líder do La France Insoumise, Jean-Luc Mélenchon, foi ministro de Lionel Jospin e um dos primeiros a saudar a sua memória, considerando-o um "modelo de exigência e de trabalho".
Por seu lado, o antigo ministro da Economia e das Finanças, Pierre Moscovici, considerou que Lionel Jospin "encarnava uma esquerda autêntica que conhecia a realidade", enquanto o primeiro secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, prestou homenagem a um "inspirador" que "levou a esquerda plural ao poder".
Do outro lado do espetro político, a líder do Rassemblement National, Marine Le Pen, também apresentou as suas condolências à família de Lionel Jospin.
"Lionel Jospin foi um adversário político cujas políticas combatemos quando ele era primeiro-ministro. Não obstante, era também um homem de esquerda íntegro, o único que teve a coragem, na sequência das eleições presidenciais de 2002, de denunciar a mentira descarada do perigo fascista agitada freneticamente pela direita e pela esquerda entre as duas voltas", afirmou Le Pen.