Este é o terceiro navio suspeito de pertencer à frota fantasma russa, que permite a Moscovo contornar as sanções internacionais, parado por França.
A Marinha francesa anunciou em comunicado que, esta sexta-feira, abordou o cargueiro Deyna no Mediterrâneo ocidental. Com pavilhão de Moçambique e proveniente de Murmansk, no noroeste da Rússia, este navio é suspeito de fazer parte da frota sombra russa.
Foi intercetado na sequência de uma operação realizada no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, cujo objetivo era "verificar a nacionalidade deste navio suspeito de arvorar uma bandeira falsa", segundo as autoridades francesas. O exame dos documentos "confirmou dúvidas quanto à legalidade do pavilhão arvorado", acrescentou.
Por conseguinte, foi apresentada uma queixa ao Ministério Público de Marselha, que decidiu escoltar o barco até um porto para efetuar novas inspeções.
De acordo com um vídeo publicado pelas forças armadas francesas, os militares foram transportados por via aérea para o Deyna, um navio de 250 metros sob sanções da União Europeia.
A operação foi levada a cabo em cooperação com o Reino Unido, "que participou no controlo do navio.
"Mantemo-nos determinados", disse Emmanuel Macron. "A guerra no Irão não vai distrair a França do apoio à Ucrânia, onde a guerra de agressão da Rússia continua. Estes navios, que estão a contornar as sanções internacionais e a violar o direito do mar, são aproveitadores de guerra. Estão à procura de lucro e estão a financiar o esforço de guerra russo", escreveu no X o presidente francês.
Terceira interceção
Este é o terceiro alegado navio da frota sombra russa a ser intercetado pela França. Moscovo é suspeito de utilizar estes navios para contornar as sanções relacionadas com a sua guerra contra a Ucrânia. A França e outros países comprometeram-se a intensificar a repressão.
Em setembro passado, o Boracay, também conhecido como Pushpa, foi abordado pelas autoridades francesas ao largo da costa da Bretanha, que ficaram intrigadas com o comportamento da embarcação. A 23 de fevereiro, a procuradoria de Brest pediu um ano de prisão e uma multa de 150.000 euros para o comandante do petroleiro. A decisão final está prevista para 30 de março.
Depois, em janeiro último, o "Grinch"foi também intercetado no Mediterrâneo, por suspeita de ter transportado petróleo em violação das sanções impostas à Rússia. Segundo as autoridades francesas, o navio tinha saído de Murmansk com um pavilhão falso das Comores. Já esta semana, a 17 de março, Paris anunciou que tinha libertado o "Grinch" depois de a empresa proprietária do navio ter pago uma multa de "vários milhões de euros".
Na France 2 (fonte em francês), o almirante Nicolas Vaujour, chefe do Estado-Maior da Marinha francesa, explicou que a frota sombra russa (que financia 40% do esforço de guerra russo, segundo Volodymyr Zelenskyy) é composta por um milhar de barcos. Apesar de apenas alguns terem sido abordados, Paris continua a seguir o rasto destes navios para "enfraquecer o modelo de negócio que os armadores complacentes com a Rússia criaram", disse. " A Rússia vai, portanto, ter cada vez mais problemas em encontrar armadores para jogar a esta frota fantasma", concluiu.