O anúncio foi feito poucas horas depois de os meios de comunicação social iranianos terem afirmado que duas instalações nucleares tinham sido atacadas em ataques reivindicados por Israel.
Teerão concordou em "facilitar e acelerar" a passagem da ajuda humanitária pelo Estreito de Ormuz, disse na sexta-feira o embaixador iraniano nas Nações Unidas em Genebra.
Ali Bahreini disse que Teerão aceitou um pedido da ONU para permitir que a ajuda humanitária e os carregamentos agrícolas passem pela via navegável crítica, no mesmo dia em que as suas instalações nucleares foram atingidas por ataques aéreos.
O plano de ajuda seria o primeiro avanço no ponto de estrangulamento da navegação após um mês de guerra.
Embora os mercados e os governos se tenham concentrado sobretudo no bloqueio do fornecimento de petróleo e gás natural, a restrição dos fertilizantes ameaça a agricultura e a segurança alimentar em todo o mundo.
"Esta medida reflecte o empenho contínuo do Irão em apoiar os esforços humanitários e em assegurar que a ajuda essencial chegue sem demora aos necessitados", afirmou Bahreini num post no X.
A ONU anunciou anteriormente a criação de um grupo de trabalho para fazer face aos efeitos da guerra do Irão na distribuição da ajuda.
O anúncio foi feito poucas horas depois de os meios de comunicação social iranianos terem afirmado que duas instalações nucleares tinham sido atacadas.
Israel, que tinha ameaçado "escalar e expandir" a sua campanha contra Teerão, reivindicou a responsabilidade e o Irão rapidamente ameaçou retaliar.
"O ataque contradiz o prazo alargado do POTUS para a diplomacia", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no X, referindo-se ao presidente dos EUA, Donald Trump. "O Irão vai cobrar um preço PESADO pelos crimes israelitas".
A Organização de Energia Atómica do Irão disse que o Complexo de Água Pesada de Shahid Khondab em Arak e a fábrica de produção de yellowcake de Ardakan na província de Yazd foram alvos, informou a IRNA.
Os ataques não causaram vítimas e não houve risco de contaminação, afirmou. A fábrica de Arak não está operacional desde que Israel a atacou em junho passado.
O yellowcake é uma forma concentrada de urânio, obtida após a remoção das impurezas do minério bruto. A água pesada é utilizada como moderador em reactores nucleares.
O exército israelita afirmou mais tarde que as matérias-primas são processadas para enriquecimento na central de Yazd e que o ataque foi um duro golpe para o programa nuclear iraniano.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica avisou que o Irão iria retaliar, segundo a IRNA. Seyed Majid Moosavi, comandante da Força Aeroespacial do IRGC, publicou no X que os empregados de empresas ligadas aos EUA e a Israel deveriam abandonar os seus locais de trabalho.
"Desta vez, a equação não será mais 'olho por olho', basta esperar", disse ele.
Mas o organismo de vigilância atómica da ONU reiterou o seu apelo à "contenção" após a notícia dos ataques.
"O Diretor-Geral da AIEA, Rafael Grossi, reitera o seu apelo à contenção militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear", declarou a Agência Internacional da Energia Atómica no dia X, referindo que "não houve aumento dos níveis de radiação fora das instalações".
A disputa diplomática mantém-se
Diplomatas de vários países, incluindo o Paquistão e a Turquia, tentaram organizar um encontro direto entre os enviados dos EUA e do Irão.
Por outro lado, os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, reunidos em França, pediram formalmente o fim imediato dos ataques contra as populações e as infra-estruturas.
Entretanto, navios norte-americanos aproximaram-se da região transportando cerca de 2.500 fuzileiros navais e pelo menos 1.000 pára-quedistas da 82ª Força Aérea, treinados para aterrar em território hostil para garantir posições-chave e aeródromos, e foram enviados para o Médio Oriente.
No entanto, o Secretário de Estado, Marco Rubio, disse durante a reunião do G7 que a maioria dos objectivos dos EUA no Irão está "adiantada" e que "podemos alcançá-los sem tropas terrestres".