Washington levantou as sanções impostas a Rodríguez, reforçando a sua legitimidade como líder reconhecida pelos EUA e abrindo as portas a laços mais estreitos no domínio do petróleo e dos negócios.
Washington levantou na quarta-feira as sanções contra a Presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, de acordo com uma informção partilhada pelo Gabinete de Controlo dos Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA.
O levantamento das sanções é o mais recente reconhecimento por parte dos EUA de que Rodríguez é uma autoridade legítima na Venezuela, desde que os militares norte-americanos capturaram Nicolás Maduro e a sua mulher, a 3 de janeiro, na capital Caracas.
Desde então, os dois foram levados para Nova Iorque para serem acusados de tráfico de droga e ambos se declararam inocentes.
A medida permite a Rodríguez trabalhar mais livremente com empresas e investidores norte-americanos. Sem mencionar explicitamente as sanções de que é alvo, Rodríguez manifestou esperança nas relações entre os EUA e a Venezuela, afirmando que a decisão se inscreve no quadro da "normalização e reforço" das relações bilaterais.
"Confiamos que este progresso permitirá o levantamento das sanções atualmente em vigor contra o nosso país e tornará possível construir e garantir uma agenda de cooperação bilateral eficaz em benefício dos nossos povos", acrescentou num post no X.
Rodríguez e o irmão, Jorge Rodríguez, foram alvo de sanções americanas durante o primeiro mandato de Trump pelo seu papel no alegado enfraquecimento da democracia venezuelana.
Os irmãos - juntamente com outros membros do círculo íntimo de Maduro - foram adicionados à lista negra dos EUA em setembro de 2018, meses depois de Maduro ter ganho a reeleição num concurso amplamente considerado uma farsa porque os políticos e partidos da oposição foram proibidos de participar.
"Maduro deu a Delcy Eloina Rodríguez Gomez e Jorge Jesus Rodríguez Gomez posições de destaque dentro do governo venezuelano para ajudá-lo a manter o poder e solidificar o seu governo autoritário", acusou na época o Tesouro dos EUA em comunicado.
A atual administração Trump, no entanto, optou por trabalhar com Rodríguez em vez da oposição política da Venezuela após a destituição de Maduro.
Desde então, Rodríguez tem liderado a cooperação da Venezuela com o plano faseado da administração para transformar o país, apresentando a sua nação rica em petróleo aos investidores internacionais e abrindo o país ao capital privado, à arbitragem internacional e ao escrutínio.
No mês passado, a administração reconheceu-a como a "única chefe de Estado" da Venezuela num processo civil em curso num tribunal federal dos EUA.
Os EUA levantaram as sanções contra as principais indústrias venezuelanas. Em março, o Tesouro norte-americano emitiu uma autorização geral que permite à empresa estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) vender diretamente petróleo venezuelano a empresas norte-americanas e nos mercados mundiais, o que representa uma grande mudança depois de Washington ter bloqueado durante anos as relações com o governo da Venezuela e o seu setor petrolífero.
Entretanto, Maduro continua a ser legalmente o presidente da Venezuela.
Nas horas que se seguiram à operação de 3 de janeiro, o Supremo Tribunal do país, fiel ao partido no poder, declarou a sua ausência "temporária", eliminando efetivamente a necessidade de uma eleição rápida e preservando as proteções que o cargo lhe confere ao abrigo do direito internacional.
O tribunal ordenou que Rodríguez assumisse o cargo por um período máximo de 90 dias, com a possibilidade de o prolongar até seis meses, se aprovado pela Assembleia Nacional, que também é controlada pelo partido no poder e presidida pelo seu irmão.
O período de 90 dias termina na sexta-feira.