O presidente colombiano alerta para o aumento da xenofobia e da extrema-direita na Europa, que associa ao discurso do ódio racial e à utilização do medo como instrumento eleitoral.
Na sexta-feira, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, propôs que o chavismo e o movimento da oposição formem um governo de concentração durante «um ou dois anos», a fim de gerar confiança entre ambas as partes.
"O que propus foi fazer algo que se fez na Colômbia para alcançar a paz: governar em conjunto durante algum tempo para criar confiança. Essa confiança permitiria eleições verdadeiramente livres", declarou aos microfones da EFE e da RTVE, numa entrevista conjunta à chegada a Barcelona, onde se reuniu com os seus homólogos da Irlanda, México, Brasil e Uruguai, entre outros.
Petro lamentou também a existência de "um bloco muito destrutivo para a humanidade", referindo-se ao presidente Donald Trump, "apoiado por Netanyahu", e acrescentando que este tem "amigos mais influentes no próprio Governo norte-americano do que o próprio Trump".
O líder de esquerda colombiano afirmou que a posição da Espanha relativamente aos bombardeamentos destas potências sobre o território iraniano é de vanguarda na Europa.
Quanto ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba, o último grande foco de tensão na América Latina, após o acordo alcançado com a cúpula chavista para os manter no poder, em troca da abertura da sua economia e do mercado energético, Petro declarou o seguinte: "o bloqueio é genocídio: matar um povo à fome. Isso deveria ser erradicado da história da humanidade".
O fantasma de Hitler na Europa
O líder de esquerda afirmou também que Adolf Hitler "ressuscitou na Europa" através do "ódio racial contra os estrangeiros", um fenómeno que, na sua opinião, permite aos partidos de extrema-direita ganhar eleições em vários países do continente.
O líder sustentou que esta rejeição não se dirige a qualquer imigrante, mas sim àqueles cuja cor de pele é diferente, o que definiu diretamente como uma expressão do ideário hitleriano.
"A diversidade é fonte de riqueza. Agora, a xenofobia e a vitória eleitoral através do ódio ao estrangeiro e do ódio racial, porque não se trata de qualquer estrangeiro, mas sim de estrangeiros com uma determinada cor de pele", afirmou Petro.
"Isso é Hitler. Hitler está de novo vivo na Europa e quer enviar bombardeiros para bombardear cidades europeias, como fez aqui perto."