O Gabinete da ONU para os Direitos Humanos alerta para o aumento do recrutamento em conflitos armados e para segurança privada no estrangeiro. O seu papel é fundamental em guerras como a da Ucrânia, mas também noutros conflitos menos visíveis, especialmente em África.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou, esta quarta-feira, para o facto de mais de 10 mil cidadãos colombianos terem sido recrutados para participar em conflitos armados e trabalhos de segurança privada em diferentes partes do mundo, uma tendência que considera estar a aumentar e que representa graves riscos para os direitos humanos.
O aviso consta de um comunicado do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Mercenários, divulgado no final de uma visita oficial ao país, na qual os peritos se congratulam com a assinatura de uma nova lei pelo presidente Gustavo Petro que ratifica a Convenção Internacional de 1989 contra o Recrutamento, a Utilização, o Financiamento e o Treino de Mercenários. De acordo com o grupo, a lei é "um passo essencial para a proteção dos direitos humanos e para cumprir as obrigações".
Os peritos sublinham que décadas de conflito armado interno na Colômbia favoreceram a proliferação de atores armados e de empresas de segurança privada. Embora reconheçam os progressos registados nas reformas em matéria de direitos humanos e na reintegração de ex-combatentes, alertam para a persistência de desafios importantes.
"Mais de 10 mil colombianos são recrutados em conflitos armados em todo o mundo, através de canais legais e irregulares", diz o comunicado, que insiste na necessidade de dados mais precisos e de abordar as causas profundas do fenómeno.
A maior parte dos recrutados são ex-militares, muito procurados em cenários de segurança e de guerra devido à sua experiência. Os elevados incentivos económicos, a falta de oportunidades de emprego e o aumento do recrutamento online têm levado os colombianos para o estrangeiro, inclusive para participar em combates.
As famílias daqueles que morrem ou desaparecem nestes contextos, acrescenta a ONU, enfrentam sérias dificuldades para obter informações, especialmente quando houve engano ou práticas predatórias.
O Grupo de Trabalho alerta também para os riscos associados ao elevado número de empresas de segurança privada não regulamentadas, armas não licenciadas e tecnologias avançadas, como drones e sistemas de vigilância. Embora reconheça que a utilização legítima no âmbito militar e de segurança pode ser uma fonte de rendimento, recorda que o recurso a mercenários é proibido pelo direito internacional.
A ONU recomenda o reforço da cooperação institucional e internacional, o lançamento de campanhas de sensibilização e a melhoria das oportunidades económicas para reduzir o recrutamento. O relatório completo será apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos em setembro de 2026.