Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

ONU estima que mais de 10 mil colombianos tenham sido recrutados como mercenários em todo o mundo

ARQUIVO - Esta fotografia sem data, divulgada em abril de 2022 pelo exército francês, mostra um grupo de mercenários a embarcar num helicóptero no norte do Mali.
ARQUIVO - Esta fotografia sem data, divulgada em abril de 2022 pelo exército francês, mostra um grupo de mercenários a embarcar num helicóptero no norte do Mali. Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Rafael Salido
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

O Gabinete da ONU para os Direitos Humanos alerta para o aumento do recrutamento em conflitos armados e para segurança privada no estrangeiro. O seu papel é fundamental em guerras como a da Ucrânia, mas também noutros conflitos menos visíveis, especialmente em África.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou, esta quarta-feira, para o facto de mais de 10 mil cidadãos colombianos terem sido recrutados para participar em conflitos armados e trabalhos de segurança privada em diferentes partes do mundo, uma tendência que considera estar a aumentar e que representa graves riscos para os direitos humanos.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O aviso consta de um comunicado do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Mercenários, divulgado no final de uma visita oficial ao país, na qual os peritos se congratulam com a assinatura de uma nova lei pelo presidente Gustavo Petro que ratifica a Convenção Internacional de 1989 contra o Recrutamento, a Utilização, o Financiamento e o Treino de Mercenários. De acordo com o grupo, a lei é "um passo essencial para a proteção dos direitos humanos e para cumprir as obrigações".

Os peritos sublinham que décadas de conflito armado interno na Colômbia favoreceram a proliferação de atores armados e de empresas de segurança privada. Embora reconheçam os progressos registados nas reformas em matéria de direitos humanos e na reintegração de ex-combatentes, alertam para a persistência de desafios importantes.

"Mais de 10 mil colombianos são recrutados em conflitos armados em todo o mundo, através de canais legais e irregulares", diz o comunicado, que insiste na necessidade de dados mais precisos e de abordar as causas profundas do fenómeno.

A maior parte dos recrutados são ex-militares, muito procurados em cenários de segurança e de guerra devido à sua experiência. Os elevados incentivos económicos, a falta de oportunidades de emprego e o aumento do recrutamento online têm levado os colombianos para o estrangeiro, inclusive para participar em combates.

As famílias daqueles que morrem ou desaparecem nestes contextos, acrescenta a ONU, enfrentam sérias dificuldades para obter informações, especialmente quando houve engano ou práticas predatórias.

O Grupo de Trabalho alerta também para os riscos associados ao elevado número de empresas de segurança privada não regulamentadas, armas não licenciadas e tecnologias avançadas, como drones e sistemas de vigilância. Embora reconheça que a utilização legítima no âmbito militar e de segurança pode ser uma fonte de rendimento, recorda que o recurso a mercenários é proibido pelo direito internacional.

A ONU recomenda o reforço da cooperação institucional e internacional, o lançamento de campanhas de sensibilização e a melhoria das oportunidades económicas para reduzir o recrutamento. O relatório completo será apresentado ao Conselho dos Direitos Humanos em setembro de 2026.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Petro denuncia possível "bombardeamento desde o Equador" e desencadeia tensões entre os dois países

ONU estima que mais de 10 mil colombianos tenham sido recrutados como mercenários em todo o mundo

Avisos da Guarda Revolucionária do Irão alimentam receios de nova escalada na guerra