Um militar francês da ONU foi morto no sul do Líbano, enquanto Israel acusa militantes do Hezbollah de violarem o cessar-fogo de 10 dias.
As forças armadas israelitas anunciaram no sábado que tinham estabelecido uma "Linha Amarela" no sul do Líbano, semelhante à que separa as suas forças do território ainda controlado pelo Hamas em Gaza, acrescentando que já tinham atacado suspeitos de militância que se aproximavam das suas tropas ao longo da linha.
"Nas últimas 24 horas, as forças das FDI que operam a sul da Linha Amarela, no sul do Líbano, identificaram terroristas que violaram os acordos de cessar-fogo e se aproximaram das forças a partir do norte da Linha Amarela de uma forma que representava uma ameaça imediata", afirmou o exército, referindo-se a essa linha pela primeira vez desde que o cessar-fogo entrou em vigor.
"Imediatamente após a identificação e com o objetivo de eliminar a ameaça... as forças atacaram os terroristas em várias zonas do sul do Líbano", afirmou, salientando que as forças armadas estavam autorizadas a agir contra ameaças, apesar do cessar-fogo.
"As ações levadas a cabo em legítima defesa e para eliminar ameaças imediatas não são restringidas pelo cessar-fogo", afirmaram as forças armadas.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor em Gaza, a 10 de outubro, o território palestiniano tem estado dividido por uma "Linha Amarela", a fronteira de facto que divide Gaza em duas zonas: uma sob controlo militar israelita e outra sob controlo do Hamas.
Israel e o Líbano chegaram a um acordo na quinta-feira sobre um cessar-fogo de 10 dias, com o objetivo de negociar o fim de seis semanas de guerra entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão.
A guerra foi marcada por ataques aéreos israelitas em grande escala em todo o Líbano e também por uma invasão terrestre no sul. As autoridades libanesas afirmam que a guerra, que teve início a 2 de março, causou a morte de quase 2 300 pessoas e provocou uma devastação generalizada em vilas e cidades do sul, como Nabatiyeh.
Hezbollah suspendeu as operações militares após a entrada em vigor do cessar-fogo, mas advertiu que mantinha o "dedo no gatilho" para o caso de Israel violar a trégua.
O presidente libanês Joseph Aoun afirmou na sexta-feira que as "negociações diretas" com Israel "são cruciais" e que o governo pretende "consolidar um cessar-fogo, garantir a retirada das forças israelitas dos territórios ocupados do sul, recuperar os prisioneiros e resolver os litígios fronteiriços pendentes".
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos tinham "proibido" Israel de bombardear o Líbano na sequência do acordo de cessar-fogo, acrescentando que Washington iria colaborar com o Líbano para "lidar com" o Hezbollah. Mas Israel "ainda não terminou o trabalho" em relação ao Hezbollah, afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, prometendo prosseguir com o "desmantelamento" do grupo militante libanês poucas horas após a trégua ter entrado em vigor.
Soldado francês morto
Um soldado francês foi morto e outros três ficaram feridos num ataque ocorrido no sábado contra forças de manutenção da paz da ONU no Líbano, que parece ter sido perpetrado pelo Hezbollah, afirmou o presidente francês Emmanuel Macron.
"Tudo aponta para que o Hezbollah seja o responsável por este ataque", afirmou no X, instando as autoridades libanesas a deterem os autores.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condenou veementemente o ataque contra os soldados franceses da UNIFIL.
"Dei instruções rigorosas para que se realize uma investigação imediata, a fim de apurar as circunstâncias deste ataque e responsabilizar os autores", afirmou numa publicação no X.