A ameaça de Trump surge depois de, no início da semana, Merz ter dito que Washington estava a ser "humilhado" pela liderança iraniana, criticando a falta de estratégia dos EUA na guerra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou na quarta-feira uma nova ameaça contra a Alemanha, aliada da NATO, sugerindo que poderia em breve reduzir a presença militar americana no país, enquanto continua a discutir com o chanceler alemão Friedrich Merz sobre a guerra EUA-Israel contra o Irão.
A ameaça de Trump surge depois de Merz ter dito, no início da semana, que Washington estava a ser "humilhado" pela liderança iraniana, criticando a falta de estratégia de Washington na guerra.
"Os Estados Unidos estão a estudar e a rever a possível redução das tropas na Alemanha, com uma determinação a ser feita no próximo curto período de tempo", disse Trump numa publicação nas redes sociais na quarta-feira.
Washington tem várias instalações militares importantes no país, incluindo as sedes do Comando Europeu dos EUA e do Comando Africano dos EUA, a Base Aérea de Ramstein e o Centro Médico Regional de Landstuhl, o maior hospital americano fora dos Estados Unidos.
A ameaça de reduzir a presença das tropas americanas na Alemanha soma-se à manifestação de Trump contra a NATO pela recusa da aliança em ajudar os EUA na sua guerra de dois meses.
No entanto, esta não é a primeira vez que Trump expressa planos sobre uma redução de tropas na Alemanha.
Durante o seu primeiro mandato na Casa Branca, Trump também decidiu cortar as tropas americanas na Alemanha porque disse que o país gastava muito pouco em defesa.
Em junho de 2020, Trump anunciou que iria retirar cerca de 9.500 dos cerca de 34.500 soldados americanos que estavam então estacionados na Alemanha, mas o processo nunca chegou a ser iniciado. O presidente democrata Joe Biden suspendeu formalmente a retirada planeada pouco depois de assumir funções em 2021.
Relação Merz-Trump
Na quarta-feira, Merz tinha afirmado que a sua relação pessoal com Trump continuava “tão boa como sempre”, mas o líder alemão referiu que “tinha dúvidas desde o início sobre o que se estava a desenrolar com a guerra no Irão”.
Merz encontrou-se com Trump na Casa Branca em março, poucos dias depois de os EUA e Israel terem começado a bombardear o Irão.
Na altura, Merz disse a Trump que a Alemanha estava ansiosa por trabalhar com Washington numa estratégia para quando o atual governo iraniano deixar de existir. Merz também expressou a preocupação de que um conflito prolongado poderia causar grandes danos à economia global.
A sua preocupação, tal como a de muitos outros líderes europeus, só tem aumentado, uma vez que os EUA e o Irão ainda não chegaram a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, a via fluvial crítica através da qual cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo fluía antes do início da guerra. Desde o início do conflito, a 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz encontra-se efetivamente encerrado.
"Estamos a sofrer consideravelmente na Alemanha e na Europa com as consequências, por exemplo, do encerramento do Estreito de Ormuz", disse Merz na quarta-feira, horas antes de Trump publicar a sua ameaça nas redes sociais. "E, nesse sentido, insisto para que este conflito seja resolvido".
Merz acrescentou que o seu governo estava "a falar bem" com a administração Trump.
Por seu lado, Trump não tem conseguido conter a sua frustração com Merz.
Na terça-feira, ele escreveu: "O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acha que está tudo bem para o Irão ter uma arma nuclear. Ele não sabe do que está a falar!" Trump disse ainda que não era surpresa "que a Alemanha esteja a ir tão mal, tanto economicamente como noutros aspectos!"