Resposta foi enviada por mediadores paquistaneses, avançou imprensa estatal de Teerão. Um entendimento nesta fase porá formalmente fim à guerra e reabrirá o Estreito de Ormuz antes do início das negociações sobre questões mais controversas, nomeadamente o programa nuclear iraniano.
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, considera "totalmente inaceitável" a resposta do Irão à proposta de paz norte-americana.
A posição da República Islâmica ao mais recente projeto proposto por Washington com o objetivo de pôr fim à guerra foi expressa à Casa Branca no domingo através de um mediador paquistanês, informou a imprensa local iraniana no domingo, sem fornecer detalhes.
"A República Islâmica do Irão enviou hoje (domingo), através de mediadores paquistaneses, a sua resposta ao mais recente texto proposto pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra", afirmou a agência noticiosa oficial IRNA.
"É de salientar que o foco principal da resposta do Irão à proposta dos EUA é o 'fim da guerra e a segurança marítima' no Golfo Pérsico, particularmente no Líbano e no Estreito de Ormuz."
A resposta do Irão surge após relatos da imprensa de que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o secretário de Estado, Marco Rubio, se reuniram com o primeiro-ministro do Catar no sábado para discutir a guerra.
Os detalhes da mensagem iraniana ainda não são conhecidos.
Até agora, com base nas informações avançadas pela televisão estatal iraniana, sabe-se que a resposta do regime dos aiatolas está focada em "assegurar a paz em todas as frentes", incluindo no Líbano, onde Israel tem intensificado os ataques, "garantir a segurança da navegação" e a soberania no Estreito de Ormuz, a libertação dos ativos iranianos apreendidos, bem como reparações de guerra por parte dos EUA.
No domingo à noite, a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citada pelo The Guardian, deu conta de que Teerão insiste no levantamento das sanções norte-americanas e no fim do bloqueio naval dos EUA ao Estreito de Ormuz após a assinatura de um acordo preliminar, exigindo a cessação imediata das hostilidades com garantias de que não serão feitos novos ataques.
Caso haja entendimento nesta fase, a guerra chega formalmente ao fim e o Estreito de Ormuz será reaberto, antes do início das negociações sobre questões mais controversas, entre as quais se inclui o programa nuclear iraniano.
Ataques com drones contra navios por todo o Golfo
Informações que chegam também no mesmo dia em que drones iranianos atacaram diversos pontos no Golfo Pérsico, incluindo um cargueiro que se encaminhava para o Qatar e ficou danificado, ao passo que Teerão advertiu os Estados Unidos de que deixaria de se abster de ataques de retaliação.
"Qualquer ataque a petroleiros e navios comerciais iranianos resultará num ataque violento contra um dos centros norte-americanos na região e contra navios inimigos", terá afirmado a Guarda Revolucionária Islâmica, segundo reporta a comunicação social iraniana.
De acordo com o Ministério da Defesa do Qatar, deflagrou um pequeno incêndio no navio comercial, mas não houve vítimas, ao passo que no Kuwait, as forças armadas afirmaram ter repelido um ataque com drones ao amanhecer.
Já os Emirados Árabes Unidos acusam o Irão de estar também por detrás de um ataque ao seu território.
"Nunca nos curvaremos perante o inimigo e, se falamos de diálogo ou negociação, isso não significa rendição nem recuo", afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian numa publicação no X.
O chefe militar do Irão, Ali Abdollahi, esteve reunido com o líder supremo Mojtaba Khamenei e terá recebido "novas diretrizes e orientações para a continuação das operações de combate ao inimigo", segundo a televisão estatal iraniana.
Anteriormente, a Coreia do Sul tinha afirmado que um dos seus navios de carga, danificado há alguns dias no Estreito de Ormuz, tinha sido atingido por "duas aeronaves não identificadas", e que estavam a ser realizadas análises aos destroços e a fragmentos do motor para determinar a origem do ataque. O Irão nega qualquer responsabilidade pelo ataque de 4 de maio.
No entanto, na altura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irão tinha "disparado alguns tiros" contra o navio de carga.
Numa conversa telefónica no sábado, o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, disse ao principal diplomata iraniano, Abbas Araghchi, que usar o Estreito de Ormuz como "moeda de troca" só irá agravar a crise no Médio Oriente, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar.