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Irão: guerra faz subir preço do petróleo e leva lucros da Shell a dispararem

Arquivo – Preços dos combustíveis num posto Shell em frente à refinaria Marathon Petroleum em Carson, Califórnia, 1 de abril de 2026
Arquivo - Preços dos combustíveis num posto Shell junto à refinaria da Marathon Petroleum em Carson, Califórnia, em 1 de abril de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Jae C. Hong
Direitos de autor AP Photo/Jae C. Hong
De Doloresz Katanich
Publicado a Últimas notícias
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A maior petrolífera da Europa mais do que duplica os lucros do primeiro trimestre, com a guerra no Irão e o fecho de facto do Estreito de Ormuz a fazer disparar os preços da energia.

A Shell plc apresentou resultados do primeiro trimestre acima do esperado, numa altura em que a guerra no Irão fez subir os preços do petróleo e do gás e reforçou os lucros de trading, compensando as quebras de produção relacionadas com o conflito.

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"A Shell apresentou resultados sólidos, fruto do nosso foco constante no desempenho operacional, num trimestre marcado por uma perturbação sem precedentes nos mercados energéticos globais", afirmou o presidente executivo, Wael Sawan.

O lucro ajustado subiu para 6,9 mil milhões de dólares (5,86 mil milhões de euros), face aos 3,3 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) do trimestre anterior. A Shell anunciou ainda um aumento de 5% no dividendo e um programa de recompra de ações de 3 mil milhões de dólares para os próximos três meses.

"Um dos principais motores dos lucros tem sido o conflito no Médio Oriente, que levou a um disparo dos preços do petróleo e permitiu à Shell vender os seus produtos a valores muito mais elevados", explicou Dan Coatsworth, responsável de mercados na AJ Bell. Acrescentou que "o preço do petróleo tem sido volátil desde o início do conflito, ao ritmo das esperanças intermitentes de uma resolução, e essa volatilidade criou oportunidades para a divisão de trading da Shell".

Antes do início da guerra, o preço internacional do petróleo negociava-se em torno de 70 dólares por barril. O choque de oferta provocado pelo conflito viria a empurrar o Brent para um máximo próximo dos 126 dólares por barril, o nível mais alto em mais de quatro anos. Na manhã de quinta-feira, os futuros do Brent para entrega no próximo mês recuaram para menos de 100 dólares, perante a expectativa de um avanço diplomático entre os Estados Unidos e o Irão.

Perspetivas e impacto na produção no Médio Oriente

Os preços mais elevados do crude e margens de refinação mais robustas impulsionaram os lucros em todo o setor. Mas Coatsworth salientou que a Shell também enfrentou contratempos operacionais, incluindo danos numa das suas instalações no Qatar durante o conflito e paragens relacionadas com um ciclone numa das suas unidades de gás natural liquefeito na Austrália.

Cerca de 20% da produção de petróleo e gás da Shell vem do Médio Oriente, deixando a empresa exposta a uma perturbação prolongada na região.

A Shell sinalizou que a produção de gás no Qatar deverá cair pelo menos 30% no segundo trimestre face aos primeiros três meses de 2026. No entanto, indicou que os seus ativos em Omã continuam operacionais e que a atividade de exploração e produção não foi afetada.

"Do ponto de vista estratégico, a questão de mais longo prazo continua a ser a substituição de reservas e o crescimento da produção", afirmou Maurizio Carulli, analista global de energia na Quilter Cheviot, ao comentar os desafios que a empresa enfrenta. "A recente aquisição da ARC Resources é um passo relevante nesse sentido, ao elevar as perspetivas de produção da Shell de estagnação para um crescimento modesto, mas visível."

A empresa anunciou recentemente a aquisição da ARC Resources Ltd., produtora focada na bacia de xisto de Montney, no Canadá. Analistas consideram que o acordo reforça a produção de gás e líquidos de xisto da Shell no país.

Imposto sobre lucros extraordinários pode ser prolongado?

No Reino Unido, a forte subida dos lucros da Shell reacendeu o debate sobre um eventual prolongamento do imposto sobre lucros extraordinários no setor da energia.

"Mais uma vez, os gigantes dos combustíveis fósseis estão a encaixar lucros monstruosos enquanto os condutores são pressionados nos preços à bomba e as famílias se preparam para pagar contas de energia mais elevadas", disse Danny Gross, ativista climático da Friends of the Earth, à BBC. Defendeu o reforço do imposto sobre os lucros das empresas de combustíveis fósseis.

As empresas de energia que operam no Reino Unido já estão sujeitas a um imposto sobre lucros extraordinários, mas a taxa aplica-se apenas aos lucros gerados com a extração de petróleo e gás no país. O Reino Unido representa menos de 5% da produção global de petróleo e gás da Shell.

"Os apelos a um imposto sobre os lucros do petróleo só vão ganhar força agora que tanto a Shell como a BP plc reportaram lucros avultados como resultado direto da guerra no Médio Oriente", afirmou Coatsworth. Acrescentou que "quanto mais tempo os preços do petróleo se mantiverem elevados, mais difícil será para estas empresas oporem-se a qualquer proposta de imposto sobre lucros extraordinários".

As ações da Shell recuaram cerca de 2% após a divulgação dos resultados, embora analistas sublinhem que a queda reflete sobretudo a expectativa mais ampla de que o tráfego marítimo pelo estreito de Ormuz possa retomar em breve, e não preocupações específicas com a empresa.

"Os números da Shell no primeiro trimestre foram claramente melhores do que o previsto", concluiu Carulli. "A fraqueza inicial da cotação parece inteiramente explicada por fatores macroeconómicos e não por questões próprias da empresa, com o conjunto das ações do setor petrolífero sob pressão devido às esperanças de uma rápida resolução das perturbações no estreito de Ormuz."

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