Uma imagem divulgada pelo presidente norte-americano reacende as tensões simbólicas com Caracas, que defende a sua soberania.
Uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reabriu o debate sobre as relações entre Washington e Caracas. O presidente publicou nas redes sociais uma imagem que retrata a Venezuela como o "51º Estado" dos Estados Unidos, uma mensagem que foi partilhada pela Casa Branca e que provocou reações imediatas no país sul-americano.
Trump já tinha indicado em declarações anteriores que estava a considerar "seriamente" a possibilidade, argumentando que os venezuelanos "o adoram" e que a sua administração mantém um controlo efetivo sobre setores estratégicos do país.
A mensagem foi divulgada enquanto o presidente se deslocava à China para uma cimeira de alto nível e surge meses depois da captura de Nicolás Maduro, em janeiro, durante uma operação militar norte-americana.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, já tinha rejeitado categoricamente qualquer integração como Estado norte-americano: "Isso nunca seria encarado porque se há uma coisa que nós, venezuelanos, temos é que amamos o nosso processo de independência", disse na segunda-feira, a partir de Haia, onde participava nas audiências perante o Tribunal Internacional de Justiça sobre o litígio de Essequibo com a Guiana.
Rodríguez sublinhou que, apesar da provocação, Caracas mantém uma agenda de cooperação com Washington e defendeu a importância estratégica do país devido às suas reservas de petróleo e gás.
Libertação de prisioneiros e transição em curso
Ao mesmo tempo, a administração norte-americana está a promover um plano trifásico para a Venezuela - estabilização, reconstrução e transição - e afirma que a primeira fase já foi concluída.
Este período foi marcado pela libertação parcial de presos políticos e pela aprovação de uma lei de amnistia em fevereiro pela Assembleia Nacional venezuelana, medidas que Washington apresenta como passos iniciais para a normalização institucional.
No entanto, na quarta-feira, a Human Rights Watch (HRW) denunciou que a aplicação desta nova lei está a ser dificultada por "graves deficiências" e exigiu que Caracas garanta "a libertação incondicional" de todos os detidos ou perseguidos arbitrariamente.
Por seu lado, Trump disse na terça-feira que o seu governo continua a trabalhar para garantir a libertação de todos os presos políticos na Venezuela, não hesitando em elogiar o trabalho de Rodriguez à frente do país. "Delcy está a fazer um grande trabalho. O povo da Venezuela está eufórico com o que aconteceu. Não conseguem acreditar. Estão a dançar nas ruas", disse o presidente pouco antes de partir para a China.