Os dois líderes reuniram-se para as conversações finais da cimeira, que, segundo o presidente dos EUA, "resolveu muitos problemas diferentes".
Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping encerraram a cimeira bilateral esta sexta-feira, onde dizem ter alcançado progressos importantes na estabilização das relações entre os Estados Unidos e a China.
Xi recebeu Trump na sua residência oficial, Zhongnanhai, na sexta-feira, para as conversações finais da cimeira, antes do líder norte-americano regressar a Washington.
Durante o chá e o almoço, Trump e Xi, na presença de assessores de topo e tradutores, reuniram-se para quase três horas de conversações.
"Foram realmente uns dias fantásticos", disse Trump aos jornalistas enquanto se sentava com Xi, antes do início da reunião com os assessores.
Xi, por seu lado, classificou a visita como um "marco".
"Estabelecemos uma nova relação bilateral, ou melhor, uma relação construtiva, estratégica e estável", afirmou.
Trump disse que tinha feito "acordos comerciais fantásticos" com Xi, mas não deu mais detalhes.
"Esperemos que a nossa relação com a China seja mais forte e melhor do que nunca", escreveu Trump na rede social Truth Social, acrescentando que Xi o tinha felicitado "pelos inúmeros sucessos extraordinários alcançados num período de tempo tão curto".
Em outubro, Washington concordou em reduzir as tarifas sobre todos os produtos chineses, enquanto Pequim concordou em suspender as suas restrições às exportações de terras raras.
Para além do comércio, os dois líderes parecem ter feito alguns progressos no que diz respeito à guerra no Irão.
Xi disse a Trump que Pequim quer ajudar a negociar o fim da guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz. A forte dependência da China do petróleo iraniano poderá ajudar a influenciar Teerão, no sentido de chegar a um acordo com Washington.
Segundo a Casa Branca, "as duas partes concordaram que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto para apoiar o livre fluxo de energia".
Trump acrescentou que a China garantiu que não forneceria equipamento militar ao Irão.
Entretanto, Taiwan surgiu como um dos temas mais controversos da agenda, com Xi a alertar os EUA de que as divergências sobre a ilha autónoma — que a China reivindica como sua — poderiam conduzir a confrontos ou conflitos.
Em dezembro, Washington aprovou um pacote de armas no valor de 11 mil milhões de dólares para Taiwan, cuja entrega ainda não avançou.
Na quinta-feira, o secretário de Estado Marco Rubio advertiu que seria um "erro terrível" a China tomar Taiwan pela força.
Agitação no Estreito de Ormuz
Enquanto Trump termina a sua visita de Estado de dois dias à China, as tensões continuam elevadas no Estreito de Ormuz.
Um navio ancorado nos Emirados Árabes Unidos foi apreendido e levado para águas iranianas, enquanto um cargueiro de bandeira indiana se afundou perto da costa de Omã depois de ter sido atacado, informaram as autoridades na quinta-feira.
Ainda não é claro quem está por detrás de ambos os incidentes, mas o Irão avisou anteriormente que apreenderia petroleiros "invasores" ligados aos EUA.
Entretanto, os navios chineses começaram a atravessar o estreito na sequência de um acordo sobre os protocolos de gestão iranianos para a passagem, informou a imprensa estatal iraniana.
Desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o Irão tem bloqueado em grande medida a navegação através do estreito, que transporta normalmente cerca de um quinto do petróleo e do GNL do mundo.
Washington impôs o seu próprio bloqueio naval aos portos iranianos, apesar de um frágil cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.