O secretário de Estado norte-americano elogiou Portugal por alegadamente ter autorizado o uso da Base das Lajes antes da guerra no Irão ou de os EUA sequer perguntarem. O Ministério dos Negócios Estrangeiros português diz que não foi assim que aconteceu.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português desmentiu as declarações de Marco Rubio relativamente ao uso da Base das Lajes, nos Açores, descartando um "elogio" do secretário de Estado dos EUA feito durante uma entrevista à estação norte-americana Fox News durante a viagem à China, onde acompanhou Donald Trump.
“Para ser justo, há países da NATO que foram muito úteis para nós. Vou só dizer um: Portugal. Disseram que sim mesmo antes de perguntarmos o que quer que fosse”, afirmou Rubio, depois de voltar a criticar os países da NATO pela falta de apoio no conflito contra o Irão.
Entre os países da aliança atlântica, Portugal foi o único a receber um elogio direto do representante da administração Trump por alegada prontidão no apoio às operações militares dos EUA no Médio Oriente.
Recorde-se que a utilização da Base das Lajes pelos EUA durante o conflito com o Irão foi contestada em Portugal, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, garantido que o país só autorizou a utilização da Base das Lajes mediante "três condicionantes", após ser informado da operação militar contra o Irão: a base portuguesa só pode ser utilizada "em resposta [a um ataque], portanto, só como [forma de] retaliação, como defesa". Em segundo lugar, a mesma "tem que ser necessária, ou seja, tem de obedecer ao princípio da necessidade e da proporcionalidade". E, finalmente, o seu uso apenas pode ocorrer para "visar alvos de natureza militar".
Ministério dos Negócios Estrangeiros emite declaração
O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português emitiu, entretanto, uma nota de esclarecimento sobre as palavras de Rubio, garantindo que “o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”.
“A declaração do Secretário de Estado Marco Rubio não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a algum dos outros países a que se referiu”, lê-se também no texto divulgado pelo MNE.
Críticas a Espanha
Entre os aliados da NATO, Marco Rubiu criticou diretamente Espanha pelo facto de o país não permitir o acesso dos Estados Unidos às suas bases aéreas. Referiu, inclusive, que Madrid só é aliada de Washington “quando lhe convém”.
Espanha tem adotado uma postura vocal e firme contra as ações de Washington no Irão, criticando fortemente a administração Trump.
Marco Rubio está de visita à China, juntamente com Donald Trump e altos executivos dos setores tecnológico, financeiro e industrial, para uma cimeira com Xi Jinping. As conversações terminam esta sexta-feira e sabe-se que, até então, resultaram numa oferta chinesa para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz.