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Mundial 2026: Irão treina no México enquanto problemas fronteiriços nos EUA se agravam

Ehsan Hajisafi, à direita, chega com os seus companheiros de equipa ao Mundial de futebol, em Tijuana, México, domingo, 7 de junho de 2026. (AP Photo/Gregory Bull)
Ehsan Hajisafi, do Irão (à direita), chega com os colegas de equipa ao Mundial de futebol em Tijuana, México, domingo, 7 de junho de 2026. (AP Photo/Gregory Bull) Direitos de autor  AP Photo
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De Babak Kamiar
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Foi cancelada a quota de bilhetes do Irão para o Mundial e 13 delegados da delegação iraniana continuam sem visto, obrigando a seleção a instalar-se no México; um árbitro somali foi barrado, um avançado iraquiano retido sete horas em Chicago e jogadores senegaleses revistados à chegada

A seleção nacional de futebol do Irão está a estagiar na cidade mexicana de Tijuana, na fronteira com a Califórnia, sob forte segurança e constrangimentos logísticos, a menos de uma semana de a equipa ter de entrar em território dos Estados Unidos para o jogo de abertura do Mundial, e ainda com uma disputa por resolver sobre vistos para 13 membros da delegação e a revogação da sua quota de bilhetes para os três jogos da fase de grupos.

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A Federação Iraniana de Futebol afirmou, na terça-feira, que toda a sua quota de 8% da lotação para cada um dos jogos – frente à Nova Zelândia, Bélgica e Egito – foi cancelada sem explicação. A federação apresentou um protesto formal.

No Congresso da FIFA em Vancouver, em abril, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, abriu a sua intervenção garantindo a participação do Irão.

"Para quem quiser dizer outra coisa ou escrever outra coisa, [digo que] que, naturalmente, o Irão vai participar no Campeonato do Mundo de 2026 da FIFA. E, claro, o Irão vai jogar nos Estados Unidos da América", afiançou.

Antes dessa declaração no congresso, Infantino fez também uma visita não anunciada ao jogo de preparação do Irão com a Costa Rica, na Turquia, onde disse aos jornalistas que o Irão estaria no Mundial.

"É por isso que estamos aqui", disse Infantino. "Vi a equipa, falei com os jogadores e com o selecionador, portanto está tudo bem."

O ministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, afirmou que Infantino lhe deu uma garantia pessoal e direta.

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse, por seu lado, a Infantino que o Irão era "bem-vindo a competir", mensagem que o dirigente partilhou publicamente no Instagram.

Alireza Jahanbakhsh, do Irão, segundo a contar da direita, fala com um responsável da equipa à chegada com os colegas ao Mundial de futebol em Tijuana, México, domingo, junho
Alireza Jahanbakhsh, do Irão, segundo a contar da direita, fala com um responsável da equipa à chegada com os colegas ao Mundial de futebol em Tijuana, México, domingo, junho AP Photo

Os Estados Unidos recusaram previamente emitir vistos a 13 membros das equipas técnica e administrativa do Irão. Continua sem se saber se os jogadores iranianos poderão entrar no país apenas em dias de jogo ou também na véspera, como exigem os protocolos da FIFA.

De acordo com o calendário da FIFA, a seleção tem de chegar na véspera do jogo de estreia, a 15 de junho, frente à Nova Zelândia, em Los Angeles, para cumprir as obrigações mediáticas, estando a conferência de imprensa do selecionador, Amir Ghalenoei, marcada para as 15h45 locais de segunda-feira, 25 de junho, no estádio do encontro.

A equipa está baseada em Tijuana, mesmo do outro lado da fronteira mexicana com San Diego, para reduzir ao mínimo as deslocações em território norte-americano.

A comitiva regressará a Tijuana antes de viajar para Inglewood para o jogo com a Bélgica, a 21 de junho, e depois para Seattle para defrontar o Egito.

Os preparativos do Irão para o torneio foram seriamente perturbados pela guerra. Após meses de jogos cancelados e de incerteza diplomática, a seleção deslocou-se para um estágio na Turquia antes de entrar finalmente no México, via Espanha.

O último encontro de preparação previsto, alegadamente contra o Granada, foi cancelado devido à indisponibilidade do adversário.

A designação da IRGC, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, como organização terrorista estrangeira pelos Estados Unidos e pelo Canadá – ambos coanfitriões do Mundial – complicou o processamento de vistos para os responsáveis da equipa ao longo de toda a preparação.

Árbitro somali impedido de entrar nos EUA

O torneio tem sido marcado por restrições ligadas às regras de imigração que afetam várias delegações, com um árbitro somali selecionado pela FIFA, que faria história como o primeiro do seu país a arbitrar num Campeonato do Mundo, a ser impedido de entrar no aeroporto de Miami, cinco dias antes do arranque da competição.

Omar Abdulkadir Artan, de 34 anos, era um dos 52 árbitros escolhidos para o Mundial e um dos sete africanos, mas foi impedido de entrar pelo serviço norte-americano de Alfândega e Proteção de Fronteiras.

Artan foi eleito árbitro do ano de 2025 pela CAF – a mais alta distinção individual na arbitragem africana – e apitou os jogos decisivos das duas últimas edições da final, a duas mãos, da Liga dos Campeões de África, no Cairo em 2025 e em Rabat em 2026.

ARQUIVO - O árbitro Omar Artan, ao centro, assinala uma grande penalidade durante a final da Liga dos Campeões africana entre o AS FAR Rabat e o Mamelodi Sundowns, em Rabat, Marrocos, domingo,
ARQUIVO - O árbitro Omar Artan, ao centro, assinala uma grande penalidade durante a final da Liga dos Campeões africana entre o AS FAR Rabat e o Mamelodi Sundowns, em Rabat, Marrocos, domingo, AP Photo

Artan tornou-se o primeiro somali a arbitrar na Taça das Nações Africanas de 2024, dirigindo a surpreendente derrota da Tunísia frente à Namíbia e a histórica vitória da Mauritânia sobre a Argélia, duas das maiores surpresas do torneio.

O principal conselheiro do Ministério do Desporto da Somália, Ciise Aden Abshir, disse à AFP que a decisão "prejudica não só ele, pessoalmente, como também mina o compromisso do futebol com a justiça, o mérito e o espírito de fair play".

A FIFA afirmou ter sido informada de que a situação "não irá mudar por agora" e confirmou que o árbitro não irá participar.

Trump emitiu, em junho de 2025, uma ordem executiva que proíbe a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de 12 países, incluindo o Irão e a Somália.

Outras seleções enfrentam obstáculos

O avançado estrela do Iraque foi, em separado, detido cerca de sete horas no aeroporto internacional O'Hare, em Chicago, para controlos de segurança. Aymen Hussein, que joga no Al-Karma SC, no Iraque, acabou por ser autorizado a entrar.

O serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos afirmou que todos os viajantes, incluindo atletas, estão "sujeitos a inspeções e verificações", caso a caso.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostraram jogadores do Senegal sujeitos a revistas corporais numa zona aparentemente adjacente à pista do aeroporto. O Senegal está inserido no Grupo F com França, Iraque e Noruega.

A seleção do Uzbequistão, incluindo o selecionador Fabio Cannavaro, foi revistada por agentes federais com cães-polícia junto ao autocarro da equipa antes de um jogo de preparação com os Países Baixos, em Nova Iorque, que o Uzbequistão perdeu por 2-1.

A próxima participação será histórica para o Uzbequistão, que se estreia num Campeonato do Mundo. Cannavaro venceu o torneio como capitão da seleção italiana em 2006.

O Irão é uma das seleções asiáticas com mais experiência em Campeonatos do Mundo e está pela quarta vez consecutiva na prova.

Os "Yuzs", ou Leopardos Persas, do Irão estão inseridos no Grupo G com a Nova Zelândia, a Bélgica e o Egito. A Bélgica está entre as seleções mais fortes da Europa, enquanto a Nova Zelândia se apurou como representante da Oceânia.

Outras fontes • AP, AFP

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