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Evo Morales alerta para guerra civil e garante: "Não me vou render"

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O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales
Ex-presidente da Bolívia, Evo Morales. -  Direitos de autor  Copyright 2025. The Associated Press. All rights reserved
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De Sergio Garcia
Publicado a •Últimas notícias
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Procurado pela Justiça e refugiado no seu bastião do Chapare, Evo Morales desafia o governo de Rodrigo Paz e rejeita qualquer solução que implique entregar-se.

Para chegar até Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, é preciso atravessar vários postos de controlo, entrar na selva do Chapare e encontrar Lauca Eñe, uma povoação perdida no seu feudo histórico de Cochabamba, onde está escondido há semanas.

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Sobre ele pesa um mandado de captura, por isso, à volta do seu refúgio, dezenas de seguidores, alguns armados, montam guarda à espera do que possa acontecer.

Há já algum tempo que o país atravessa um dos contextos políticos mais complicados das últimas décadas: um braço-de-ferro entre Morales e os seus apoiantes e um governo, o de Rodrigo Paz, que ameaça detê-lo.

O ex-chefe de Estado não deixa margem para dúvidas quando lhe perguntam se admite entregar-se. "Não me vou render", garante numa entrevista à agência AFP, dias depois de o Executivo ter admitido a possibilidade de intervir no seu bastião para o deter. "Quem negoceia a sua sobrevivência não é digno", acrescenta.

Bolívia à beira do colapso

O pano de fundo é o de uma Bolívia à beira do colapso, onde, durante sete semanas, as principais cidades sofreram falta de alimentos, combustível e medicamentos devido aos bloqueios de estradas contra o presidente de centro-direita Rodrigo Paz, cuja demissão tem sido exigida há muito por sindicatos e organizações indígenas.

Paz, que em novembro pôs fim a duas décadas de governos de esquerda, aponta Morales como instigador dos protestos e, no sábado passado, decretou o estado de emergência para pôr o Exército nas ruas.

Para Evo Morales, o que está a acontecer não passa de "uma sublevação contra o modelo neoliberal e o Estado colonial", que deixou, nas suas palavras, "um governo sem autoridade".

E se detiverem Morales?

A grande incógnita, que paira sobre toda a conversa, é o que acontecerá se as forças de segurança acabarem por entrar no Chapare.

Morales descarta esse cenário por desnecessário, alegando que já não há bloqueios de estrada que justifiquem o dispositivo, mas não esconde o que poderá seguir-se se o governo decidir avançar. "Estão a forçar uma guerra civil", adverte.

"Perante qualquer intervenção militar ou policial, os camponeses vão resistir". Insiste em que não procura mortos nem feridos, mas "estamos bem organizados".

Sobre o processo que o mantém na clandestinidade (o caso por alegado tráfico de menores), Morales é taxativo e garante que se trata de um "processo inventado": "Não encontram nada de narcotráfico, de corrupção. Como o Evo não é corrupto, tentam usar o rótulo de 'pedófilo'. As pessoas acham graça", afirma.

"A qualquer momento qualquer setor se vai mobilizar"

O seu prognóstico sobre o que aí vem é bastante pessimista. Morales considera que, se a economia não voltar a crescer, toda esta situação se vai prolongar no tempo. "Esta 'mentirocracia' provoca muita reação no povo boliviano".

"Se não se resolver a questão estrutural, que é a questão económica, a qualquer momento qualquer setor se vai mobilizar".

Morales, que sublinha nunca ter pedido a demissão do presidente, define as suas exigências: "Evitar que se privatize a eletricidade, a água, os recursos naturais, a saúde, a educação. Esse é o pedido".

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