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Irão avisa navios sobre corredor de Omã, Rubio rejeita taxas para atravessar Estreito de Ormuz

Arquivo: uma lancha rápida da Guarda Revolucionária iraniana navega no Golfo Pérsico, com um petroleiro ao fundo, 2 de julho de 2012
ARQUIVO: uma lancha rápida dos Guardas da Revolução iranianos navega no Golfo Pérsico, com um petroleiro ao fundo, 2 de julho de 2012 Direitos de autor  AP Photo
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De Babak Kamiar & Euronews
Publicado a Últimas notícias
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A Guarda Revolucionária iraniana avisou que qualquer navio fora das rotas de Teerão atua ilegalmente e rejeitou o corredor temporário de Omã. Rubio afirma que os EUA não aceitarão taxas, qualquer que seja a forma de as apresentar.

A Guarda Revolucionária do Irão advertiu, esta quinta-feira, que todos os navios que atravessam o estreito de Ormuz devem utilizar as rotas designadas por Teerão e que qualquer embarcação que navegue fora dessas rotas o faz de forma ilegal, contestando diretamente o anúncio de Omã de um novo corredor temporário junto à sua própria costa.

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"Todas as partes ficam desde já informadas de que as únicas rotas autorizadas para atravessar o estreito de Ormuz são as anunciadas pela República Islâmica do Irão", afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado.

Nesta declaração, advertia-se que "a navegação fora destas rotas designadas é extremamente perigosa e proibida".

Segundo o comunicado, uma rota anunciada horas antes – que não identificou, mas que coincidia com o corredor proposto por Omã – era "inaceitável e totalmente perigosa" e tinha sido decidida "sem aviso prévio nem coordenação com a República Islâmica do Irão".

"Serão tomadas medidas contra os infratores", acrescentou, sem detalhar.

Meios de comunicação alinhados com a Guarda Revolucionária do Irão afirmaram que três navios petroleiros que utilizavam o corredor sul de Omã regressaram ao Golfo Pérsico depois de receber avisos da Marinha da Guarda.

O Ministério dos Oceanos da Coreia do Sul informou, em separado, que cinco navios operados por empresas sul-coreanas saíram com êxito do estreito esta quinta-feira, sinal de que o tráfego continua a fluir.

O secretário da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iraniano, Benyamin Saeedi afirmou que o controlo da via marítima está "total e firmemente nas mãos das forças armadas do Irão" e advertiu que "qualquer erro de cálculo nesta área marítima será respondido de forma determinada".

Afirmou que o Irão espera que os Estados Unidos demonstrem, na prática e não apenas em declarações, o cumprimento do acordo-quadro, incluindo a libertação de ativos congelados e o levantamento de restrições marítimas.

Conservadores iranianos têm vindo a pressionar a equipa de negociação, citando uma mensagem escrita atribuída ao aiatola Mojtaba Khamenei, na qual afirma ter reservas em relação ao acordo-quadro, mas acabou por o aprovar.

A mensagem tem sido usada por fações linha-dura para defender que Teerão não deve abdicar do seu instrumento de pressão relativamente ao estreito.

Irão: Rubio rejeita taxas de Teerão no estreito de Ormuz

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou esta quinta-feira, numa reunião ministerial do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) no Bahrein, que Washington não aceitará quaisquer taxas ou portagens, seja qual for a designação.

Criticou ainda os linha-dura iranianos por, "nos seus meios de comunicação oficiais, fazerem todo o tipo de declarações" que descreveu como falsas.

"Podem chamar-lhe portagem, podem chamar-lhe taxa; no fim de contas, é tudo uma questão de semântica", disse Rubio.

Rubio acrescentou que nenhum país é proprietário do estreito de Ormuz e, por isso, nenhum país tem o direito de cobrar pela sua utilização.

"Nenhuma parte deste acordo, tal como está a ser implementado, compromete de forma alguma a segurança, a estabilidade ou a prosperidade de qualquer um dos nossos parceiros na região do Golfo", afirmou Rubio.

Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio (à esquerda), e o rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, deixam o Palácio de Al-Sakhir, perto de Zallaq, no Bahrein, após a sua reunião, quinta-feira, 25 de junho de 2
Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio (à esquerda), e o rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, deixam o Palácio de Al-Sakhir, perto de Zallaq, no Bahrein, após a sua reunião, quinta-feira, 25 de junho de 2 AP Photo

Ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Sayyid Badr Al Busaidi, afirmou, na mesma reunião, que Mascate tem uma responsabilidade especial, enquanto Estado costeiro, de apoiar os esforços internacionais para garantir a navegação, em conformidade com o direito internacional e a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, e disse que quaisquer futuros arranjos para o estreito não incluirão taxas de trânsito.

Trump afirmou na quarta-feira que o Irão assegurou a Washington não procurar impor taxas e ameaçou interromper de imediato as negociações se isso se revelar falso.

Apesar das afirmações contraditórias, dados de navegação da Organização Marítima Internacional indicaram uma normalização gradual do tráfego.

Um total de 13 navios atravessou o estreito na terça-feira, 32 na quarta e 12 até à manhã de quinta-feira, ao abrigo de um plano de evacuação coordenado pela ONU para retirar da zona centenas de navios retidos e milhares de marítimos.

Na semana passada, 125 navios cruzaram o estreito, face a 33 na semana anterior, segundo a empresa de dados e análise marítima Lloyd’s List Intelligence. A empresa de dados marítimos Kpler reportou 70 passagens na quarta-feira, o valor mais elevado desde 1 de março, o dia seguinte ao início da guerra.

Ainda assim, o número permanece abaixo da média diária de 130 ou mais registos antes da guerra.

"Operadores oportunistas – e são muitos – encorajados pelo menor risco de trânsito, ou pelo menos pelo risco de trânsito percecionado como menor, começaram a procurar recuperar o atraso de cargas retidas que se acumulou durante o conflito", disse Richard Meade, diretor-chefe da Lloyd’s List.

Os mercados petrolíferos continuaram a aliviar, com o Brent a descer para o nível mais baixo desde 27 de fevereiro, véspera do início da guerra.

Outras fontes • AP

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