Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Edifícios quentes e poucos sistemas de refrigeração dificultam a resposta à onda de calor

Um rapaz refresca-se numa fonte no centro de Budapeste, Hungria, durante uma vaga de calor com 35 graus Celsius, no sábado, 26 de agosto de 2023.
Rapaz refresca-se numa fonte no centro de Budapeste, Hungria, durante uma onda de calor com 35 graus Celsius, sábado, 26 de agosto de 2023. Direitos de autor  Copyright 2023 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2023 The Associated Press. All rights reserved
De Liam Gilliver
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Preveem-se temperaturas de 40 ºC nos próximos dias em países da UE habitualmente mais frios, e especialistas alertam para pressão em hospitais e escolas.

A onda de calor na Europa Ocidental provocou o caos generalizado e dezenas de mortes, apesar de anos de esforços dos países mediterrânicos para se prepararem para estes extremos.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Espanha, por exemplo, dispõe hoje de uma das maiores redes mundiais de abrigos climáticos, que oferecem às comunidades vulneráveis espaços onde se podem refrescar e hidratar.

O país alterou ainda as condições de trabalho ao ar livre, para reforçar a proteção dos trabalhadores, enquanto a cultura da sesta ajuda a aliviar a exposição nas horas de maior calor.

Em França, Paris tem combatido o efeito de ilha de calor urbana – em que as cidades permanecem mais quentes do que as zonas rurais – removendo o betão e o asfalto que retêm calor das suas ruas.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), foram plantadas em Paris mais de 100 mil árvores desde 2020, incluindo 40 mil no inverno de 2023, oferecendo aos habitantes mais sombra, que pode salvar vidas.

Ainda assim, grande parte da Europa Central e de Leste continua praticamente desprotegida perante temperaturas abrasadoras, devido ao clima habitualmente mais fresco.

“Os núcleos urbanos em alvenaria anteriores à guerra e os blocos de betão pré-fabricados da era comunista na Europa Central têm uma massa térmica muito elevada, mas nunca foram concebidos para dissipar o calor do verão”, explica Ioanna Vergini, fundadora da WFY24, à Euronews Earth.

“Com pouca sombra, ventilação limitada e praticamente nenhum sistema de arrefecimento, estes edifícios absorvem calor durante o dia e libertam-no para o interior muito depois de anoitecer. Os apartamentos nos últimos andares são os que sofrem mais e estes blocos pré-fabricados são recorrentemente identificados como dos mais vulneráveis ao calor na região.”

O ar condicionado, que pode ser vital durante ondas de calor, também é muito menos comum na Europa Central do que nos destinos mais soalheiros do Mediterrâneo – mesmo quando comparado com a ainda limitada instalação em países como França.

“Para a maioria dos lares da Europa Central, o único alívio é abrir a janela à noite, precisamente o tipo de alívio que este fenómeno impede”, explica Vergini.

As noites tropicais impedem os europeus de fugir ao calor depois do pôr do sol, o que reduz a capacidade do corpo de recuperar durante a noite.

“As noites quentes são um fator autónomo de mortalidade associada ao calor nas ondas de calor europeias, a par do pico diurno e não como algo secundário, e a investigação recente aponta precisamente para estes episódios combinados de calor diurno e noturno como os mais perigosos”, acrescenta Vergini.

Impactos do calor extremo

Bulgária, Hungria e Chéquia arriscam agora colocar uma pressão severa sobre hospitais e serviços de emergência, que costumam registar maior procura durante períodos de calor intenso.

Tal como no Reino Unido, escolas e instituições públicas sem infraestruturas de arrefecimento podem também ser obrigadas a encerrar ou a alterar os horários de funcionamento.

“A construção civil e o trabalho agrícola nas planícies do Danúbio, a par da rede ferroviária, são normalmente os pontos de maior pressão operacional”, alerta Vergini.

“O calor obriga à imposição de limites de velocidade e aumenta o risco de deformação das linhas à medida que a temperatura dos carris sobe, e vários operadores da Europa Central já anunciaram medidas específicas para esta vaga de calor.”

Europa: onda de calor começa a deslocar-se

De acordo com as previsões mais recentes da WFY24 (fonte em inglês), as temperaturas no fim de semana deverão atingir uns escaldantes 40 °C em Budapeste e 39 °C em Praga, 15 °C acima da média para um dia de junho.

Bratislava, na Eslováquia, também se prepara para máximas até 39 °C, uns impressionantes 17 °C acima da média diária, enquanto as temperaturas na planície do Danúbio, na Bulgária, podem chegar aos 41 °C no domingo (28 de junho).

Todas estas regiões terão noites tropicais durante o fim de semana, em que a temperatura não desce abaixo dos 20 °C num período de 24 horas.

As temperaturas recorde fizeram sufocar grande parte da Europa Ocidental esta semana, numa altura em que a mais recente onda de calor do ano se aproxima do pico.

As mortes por afogamento dispararam em França, com muitos habitantes a tentar refrescar-se em rios e canais, enquanto milhares de casas ficaram sem eletricidade depois de o calor intenso ter provocado um incidente no departamento de Finistère, no noroeste.

O país registou na terça-feira (23 de junho) o dia mais quente desde que há registos, com o serviço meteorológico nacional, Météo-France, a medir uns abrasadores 44,3 °C em Possos, enquanto outras regiões em alerta vermelho assavam sob máximas inéditas.

No Reino Unido, os britânicos preparam-se para máximas até 38 °C, depois de o país já ter vivido o dia de junho mais quente de que há registo, com temperaturas a chegarem aos 36,1 °C. Centenas de escolas foram encerradas por receio de que os alunos não estejam seguros em edifícios a ferver.

Em Espanha, prevê-se uma ligeira descida das temperaturas. É um alívio muito necessário depois de dias com 44 °C terem queimado o sul da Andaluzia na terça-feira, mas o tempo abafado deverá continuar.

Ainda assim, os meteorologistas alertam que a onda de calor que está a cozinhar a Europa Ocidental deverá deslocar-se em breve para leste, atingindo países ainda menos preparados para o calor extremo.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Paris: moradores de águas-furtadas sofrem com temperaturas extremas durante a onda de calor

Mães trabalhadoras e assalariados rurais: quem sofre mais com custos da onda de calor

Europa: bactéria "carnívora" espalha-se nas praias com o aquecimento global