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Irão recebe dezenas de líderes estrangeiros no funeral de Khamenei, sem Ocidente

Retrato do aiatola iraniano Ali Khamenei, assassinado, pendurado na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla, em Teerão, 3 de julho de 2026
Retrato do aiatola iraniano Ali Khamenei, assassinado, exposto na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla, em Teerão, 3 de julho de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Aleksandar Brezar & Euronews Persian
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Medvedev, o primeiro-ministro do Paquistão e responsáveis talibãs estão entre as cerca de 30 delegações estrangeiras esperadas no Irão para o funeral do aiatola Ali Khamenei, assassinado esta semana

Milhões de iranianos e delegações de cerca de 30 países deverão participar nas cerimónias fúnebres de Ali Khamenei que arrancam esta semana em Teerão, segundo responsáveis iranianos, com altas figuras da Rússia, do Paquistão e do governo talibã do Afeganistão entre os presentes.

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Khamenei, de 86 anos, foi morto em 28 de fevereiro num ataque contra a sua residência no centro de Teerão.

O corpo está em câmara ardente há três dias no Grande Mosalla de Teerão, o maior complexo de oração do país e palco habitual das grandes ocasiões de Estado.

Imagens divulgadas pelos meios de comunicação estatais iranianos mostraram uma cerimónia de luto realizada na noite de quinta‑feira em homenagem a Khamenei.

Os enlutados, vestidos de negro e identificados pelos media estatais como familiares de pessoas que perderam entes queridos nos 12 dias de conflito em 2025 e na recente guerra com o Irão, atiraram lenços e outros objetos para que fossem roçados no caixão pelos assistentes, uma prática comum no país, considerada uma bênção.

Mais tarde, os media estatais mostraram imagens do caixão de Khamenei coberto por uma bandeira vermelha com caligrafia branca onde se lia “Ya Hussein”, expressão xiita que recorda o martírio, no século VII, do neto do profeta Maomé.

A bandeira tinha estado içada sobre o santuário de cúpula dourada do imã Hussein, em Karbala, no vizinho Iraque. Tradicionalmente, simboliza tanto o sangue derramado de alguém morto injustamente como um apelo à vingança.

Entre os mortos homenageados contam‑se o genro de Khamenei, a filha mais velha, uma neta de 14 meses e a mulher do novo aiatola iraniano, Mojtaba Khamenei, filho do anterior líder, que continua escondido depois de alegadamente ter ficado ferido no ataque.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, e o presidente Masoud Pezeshkian, figuras centrais do governo civil do país, já prestaram homenagem.

Quem vai participar

O porta‑voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, afirmou que pelo menos oito chefes de governo ou de Estado e presidentes de parlamentos de 12 países irão participar, com delegações do Iraque, Afeganistão e Paquistão já em Teerão.

Segundo a lista divulgada pelos media estatais iranianos, a Rússia envia o antigo presidente e vice‑presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, como enviado especial do presidente Vladimir Putin. A China será representada pelo vice‑presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional.

O governo talibã do Afeganistão estará representado pelo ministro interino dos Negócios Estrangeiros, Amir Khan Muttaqi, enquanto os media iranianos avançam que o primeiro‑ministro Hassan Akhund e Ahmad Massoud, líder da Frente de Resistência Nacional, poderão também marcar presença.

A delegação iraquiana é chefiada pelo presidente Nizar Amidi e pelo presidente do parlamento Haibet al‑Halboosi, a que se junta Nechirvan Barzani, primeiro‑ministro da Região do Curdistão.

Líderes religiosos iranianos passam junto aos caixões de Ali Khamenei e de membros da sua família durante uma cerimónia na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla, em Teerão, 3 de julho de 2026
Líderes religiosos iranianos passam junto aos caixões de Ali Khamenei e de membros da sua família durante uma cerimónia na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla, em Teerão, 3 de julho de 2026 AP Photo

O primeiro‑ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, estará presente acompanhado pelo chefe do Exército, Asim Munir, entre outros, enquanto a Índia será representada pelo tenente‑general Syed Ata Hasnain, governador de Bihar, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Pabitra Margherita.

A Turquia envia o vice‑presidente Cevdet Yılmaz. A delegação do Azerbaijão é liderada pela presidente do parlamento Sahiba Gafarova, havendo relatos de que o presidente Ilham Aliyev poderá igualmente comparecer.

O primeiro‑ministro arménio, Nikol Pashinyan, o presidente georgiano, Mikheil Kavelashvili, e o presidente do Tajiquistão, Emomali Rahmon, deverão igualmente participar, a par do vice‑primeiro‑ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão, Yermek Kosherbayev, e de Gurbanguly Berdimuhamedow, presidente do Conselho do Povo do Turquemenistão.

São esperadas ainda delegações do Bangladesh, cujo primeiro‑ministro, Tarique Rahman, e o presidente do parlamento, Hafizuddin Ahmed, deverão estar presentes.

A Malásia estará representada pelo ministro da Agricultura, Mohamad Sabu, depois de o primeiro‑ministro Anwar Ibrahim ter indicado que não poderia comparecer devido a compromissos previamente assumidos.

São igualmente esperadas delegações de Omã, Catar, Bielorrússia, Quirguistão, Uzbequistão, Egito, Gana, Nicarágua, República Democrática do Congo, Sérvia e Cuba.

Os media iranianos referem ainda delegações da Tunísia, Líbano, Namíbia, Sri Lanka, Myanmar, Gâmbia e Tailândia, bem como representantes da Organização de Cooperação de Xangai e da Organização de Cooperação Económica.

Baghaei afirmou que nenhum país europeu foi formalmente convidado.

Segundo o porta‑voz, os presentes estão “do lado certo da história”, enquanto acusou os governos europeus de uma posição “vergonhosa” perante a ação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Disse ainda que os países que Teerão considera terem assumido “uma posição inadequada” sobre os ataques não foram convidados.

Seis dias de luto

O Irão anunciou um programa fúnebre de seis dias.

As cerimónias públicas de despedida e luto começam no Grande Mosalla de Teerão, no sábado e domingo, seguidas de um cortejo fúnebre.

As cerimónias prosseguem em Qom na segunda‑feira, antes de rituais religiosos na quarta‑feira em Najaf e Karbala, dois dos locais xiitas mais sagrados do Iraque. O funeral final e o enterro terão lugar em Mashhad, também na quarta‑feira.

Membros da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC) e clérigos fazem o luto na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla antes das cerimónias fúnebres do aiatola iraniano Ali Khamenei, assassinado em Teerão, 3 de julho de 2026
Membros da Guarda Revolucionária iraniana (IRGC) e clérigos fazem o luto na Grande Mesquita Imam Khomeini Mosalla antes das cerimónias fúnebres do aiatola iraniano Ali Khamenei, assassinado em Teerão, 3 de julho de 2026 AP Photo

Khamenei será sepultado na sua cidade natal, Mashhad, junto ao santuário do imã Reza, um dos locais mais sagrados do islão xiita.

Teerão, Qom e Mashhad estarão encerradas durante as respetivas cerimónias, indicaram responsáveis, e todos os serviços públicos e privados em Teerão foram mandados encerrar de sábado a segunda‑feira, com grande parte do centro da cidade interdito a veículos particulares.

O espaço aéreo de Teerão será parcialmente encerrado a partir de sexta‑feira e totalmente fechado na segunda‑feira.

Uma mulher passa diante de uma faixa com o retrato do aiatola iraniano Ali Khamenei, assassinado, antes das suas cerimónias fúnebres, em Teerão, 2 de julho de 2026
Uma mulher passa diante de uma faixa com o retrato do aiatola iraniano Ali Khamenei, assassinado, antes das suas cerimónias fúnebres, em Teerão, 2 de julho de 2026 AP Photo

Se se confirmar, a projeção das autoridades iranianas de 15 a 20 milhões de participantes fará deste o maior funeral de Estado da história do país.

Em Teerão, imagens do punho erguido de Khamenei podiam ser vistas em faixas e numa estátua gigante na praça Enghelab, enquadradas por aquilo que pareciam ser mísseis balísticos a cruzar o céu. Na sua primeira mensagem à nação, lida por um apresentador da televisão estatal, Mojtaba Khamenei afirmou ter visto o corpo do pai após a morte com o punho fechado levantado.

As faixas exibiam a frase “Temos de nos erguer” em árabe, inglês e farsi.

Mojtaba continua ausente enquanto comandantes regressam

Continua a não estar claro se Mojtaba Khamenei, filho e sucessor de Ali Khamenei, participará na principal cerimónia em Teerão.

Não aparece em público desde o ataque que matou o pai e os media iranianos, citando fontes governamentais, dizem ser improvável a sua presença por razões de segurança.

Esteve igualmente ausente de uma cerimónia de homenagem na quinta‑feira em memória da esposa, morta no mesmo ataque.

Desde que foi nomeado aiatola do país, o mais novo dos Khamenei tem‑se dirigido à nação apenas através de comunicados escritos lidos nos canais estatais de televisão.

As repetidas ameaças de Israel de matar Mojtaba Khamenei motivaram na quinta‑feira um aviso do comando militar conjunto iraniano.

O general da Guarda Revolucionária (IRGC) Ahmad Vahidi senta‑se junto ao caixão do aiatola iraniano Ali Khamenei numa sala de luto antes do funeral, em Teerão, 2 de julho de 2026
O general da Guarda Revolucionária (IRGC) Ahmad Vahidi senta‑se junto ao caixão do aiatola iraniano Ali Khamenei numa sala de luto antes do funeral, em Teerão, 2 de julho de 2026 AP Photo

“Alertamos os inimigos de um Irão forte, especialmente os Estados Unidos, o regime israelita e os seus cúmplices regionais e extrarregionais, para que evitem qualquer erro de cálculo e tenham em conta as duras respostas, capazes de provocar arrependimento, que os filhos da nação iraniana nas forças armadas darão a qualquer ameaça ou agressão contra o nosso querido país”, afirmou o comando militar.

O comandante máximo da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, surgiu em público na quinta‑feira pela primeira vez desde o início da guerra, em fevereiro, para prestar homenagem junto ao caixão de Khamenei.

Não era visto em público desde 8 de fevereiro, semanas antes do início do conflito.

“Devem saber que o sangue puro do nosso imã mártir marcará um novo ponto de viragem nas vitórias do amado islão em todo o cenário mundial”, declarou Vahidi à televisão estatal, em declarações transmitidas esta sexta‑feira.

“Levarão para a cova o desejo de ver esta nação render‑se. Esta nação erguer‑se‑á cada dia mais graças a este sangue puro.”

Acredita‑se que Vahidi desempenha um papel de destaque na definição da posição do Irão nas negociações com os Estados Unidos e que integra o círculo restrito em torno de Mojtaba Khamenei.

O major‑general Hatami, comandante‑em‑chefe do Exército, afirmou, numa cerimónia de despedida separada para altos comandantes, que o Irão irá “vingar o sangue do imã mártir (Ali Khamenei) e dos mártires”.

O major‑general Abdollahi, comandante do Quartel‑General Central Khatam al‑Anbia, o comando militar conjunto do Irão, declarou “vitória no campo de batalha”, atribuindo‑a às prioridades de defesa definidas por Khamenei.

Influência contínua de Teerão no Iraque

Estão previstas cerimónias semelhantes em Najaf e Karbala, sinal da influência duradoura do Irão junto da comunidade xiita iraquiana.

Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano e principal negociador de Teerão com os Estados Unidos, disse ao homólogo iraquiano, Haibat al‑Halboosi, que Irão e Iraque estiveram “lado a lado tanto nos dias difíceis como nos dias de alegria”.

Ghalibaf classificou o funeral como “um dos momentos mais importantes da história do Irão” e apelou a uma participação maciça, afirmando na quinta‑feira que “o apelo de vingança da nação deve ecoar nos ouvidos de todo o mundo”.

ARQUIVO: Fiéis visitam o santuário sagrado do imã Abbas, durante o Muharram, período de luto para os muçulmanos xiitas, em Karbala, 25 de junho de 2025
ARQUIVO: Fiéis visitam o santuário sagrado do imã Abbas, durante o Muharram, período de luto para os muçulmanos xiitas, em Karbala, 25 de junho de 2025 AP Photo

Sobre o Estreito de Ormuz, Ghalibaf afirmou que “questões importantes foram assinadas no recente (memorando) com os Estados Unidos”, acrescentando que, ao abrigo do direito internacional, a gestão do estreito “deve ser partilhada entre os dois Estados ribeirinhos, Irão e Omã”, enquanto o Irão está “a ter em conta as posições dos Estados ribeirinhos do Golfo, incluindo o Iraque”.

Al‑Halboosi qualificou a posição do Irão como “uma firmeza histórica” e felicitou Teerão pelo acordo provisório, salientando que o papel de Ghalibaf para o alcançar foi significativo.

Disse esperar que o estreito reabra “para que, ao retomar as exportações de petróleo, possamos compensar as perdas infligidas ao Iraque durante a guerra”, e descreveu “um nível muito elevado de solidariedade” entre as populações dos dois países perante os ataques dos Estados Unidos e de Israel.

Depois do funeral

Espera‑se que as atenções se centrem na transferência de poder sob a liderança de Mojtaba Khamenei, na diplomacia regional e numa decisão sobre o Estreito de Ormuz assim que forem retomadas as conversações, atualmente suspensas, entre o Irão e os Estados Unidos.

Na quinta‑feira, o Quartel‑General Central Khatam al‑Anbia avisou que “qualquer interferência dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz será respondida de forma rápida e decisiva”.

Descreveu aquela via marítima como “uma zona sob a soberania indiscutível da República Islâmica do Irão” e não, nas suas palavras, “um campo de recreio para a América agressiva”.

Indicou ainda que todos os navios devem utilizar as rotas designadas pelo Irão ou enfrentar “uma resposta imediata e decisiva”.

As conversações indiretas entre o Irão e os Estados Unidos, conduzidas através de mediadores, foram suspensas durante o período de luto.

Espera‑se que sejam retomadas após o enterro, sendo o elevado número de delegações estrangeiras em Teerão visto como uma oportunidade para contactos informais de alto nível à margem das cerimónias.

Outras fontes • AP

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