Jude Bellingham e Harry Kane marcaram, com a Inglaterra de Thomas Tuchel a sofrer para vencer o México e garantir os quartos de final com a Noruega.
Foi uma ocasião digna de uma final. Após um pontapé de saída atrasado, duas grandes penalidades, uma expulsão, 11 minutos de compensação e um ambiente hostil no Estádio Azteca, a Inglaterra foi ao limite para aguentar e vencer o México por 3-2, num clássico do Mundial.
Os Três Leões tornaram-se apenas a terceira equipa a vencer um jogo oficial no icónico estádio da Cidade do México, com Jude Bellingham a bisar na primeira parte e Harry Kane a marcar de grande penalidade.
Com a Inglaterra a vencer por 2-0 graças aos golos de Bellingham aos 36 e 38 minutos, o México reagiu mesmo antes do intervalo, quando Julián Quiñones rematou forte já dentro da área.
A expulsão direta de Jarell Quansah aos 54 minutos deu ainda mais impulso aos coanfitriões, mas a Inglaterra voltou a repor a vantagem de dois golos à hora de jogo, através de uma grande penalidade convertida por Kane, o seu sexto golo no torneio.
Com apenas dez jogadores, a Inglaterra viu o México reduzir para 3-2, com o penálti de Raúl Jiménez aos 69 minutos. Nos últimos 30 minutos, porém, a equipa de Thomas Tuchel assinou uma exibição defensiva notável e garantiu um duelo dos quartos de final com a Noruega, no sábado à noite (23h00 CEST).
Como já se tornou rotina após as vitórias neste Mundial, os jogadores ingleses juntaram-se aos adeptos para celebrar e cantar o novo hino da seleção, "Wonderwall".
"Muito orgulhoso", disse o selecionador inglês, Tuchel, após o jogo. "Precisámos de tudo. Foi super difícil. Nos momentos em que pensámos que íamos aproveitar o impulso, tivemos contratempos. Isso é verdadeira mentalidade".
"Esta equipa leva isto muito a sério. Quando as coisas apertam, nunca desiste, nunca perde a crença. Foi mais um passo. Temos de assimilar isto. Este é o Azteca, é o México, um jogo louco. Deixámos tudo em campo, cada um de nós. Temos de assimilar isto, agora é a todo o vapor."
México: Inglaterra vence num "panteão do desporto"
Antes do jogo, falava-se sobretudo de como a Inglaterra iria lidar com a altitude na Cidade do México. Perante a forte vantagem de jogar em casa do México e um pontapé de saída atrasado uma hora, os Três Leões "resistiram de forma heroica" para vencer no "alti-Jude", escreveu David Richardson na Sky Sports.
A Inglaterra tem uma longa história no brilhante Azteca, onde já tinha disputado seis encontros antes desta vitória sobre o México.
A passagem mais marcante aconteceu no Mundial de 1986, quando a equipa bateu o Paraguai por 3-0 nos oitavos de final antes de sofrer uma dolorosa derrota por 2-1 nos quartos de final frente à Argentina, encontro lembrado pelo célebre golo da "Mão de Deus" de Diego Maradona e pelo seu impressionante golo em jogada individual.
Viveram-se "cenas incríveis" no final do encontro, descreveu Jess Anderson na BBC. A vitória no Azteca parece «enorme», sobretudo por chegar 40 anos depois da Mão de Deus. "Este grupo de Inglaterra venceu neste panteão do desporto."
Os Três Leões «enterraram os fantasmas» do Azteca com esta vitória emocionante, afirmou Shivam Pathak na ESPN. No entanto, tudo isto foi um pouco demais para o capitão Kane, cuja voz estava "completamente rouca" quando falou com a imprensa.
Literalmente "sem palavras", Kane explicou: "Foi um jogo louco. Tivemos de lutar e de encontrar qualquer coisa. Estive a cantar, quase não consigo falar. A ocasião, a equipa, tudo contra nós, e encontrámos uma forma."
Este será "um dos maiores resultados na história da Inglaterra nos Mundiais", afirmou o comentador Guy Mowbray. "Ninguém devia ter tanta emoção às quatro da manhã."