«Mil mísseis estão prontos a disparar e apontados à República Islâmica do Irão», escreveu Trump nas redes sociais.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou durante a noite um aviso contundente a Teerão, afirmando que os Estados Unidos iriam «aniquilar e destruir completamente todas as áreas do Irão» caso haja uma tentativa de o assassinar.
Durante as cerimónias fúnebres esta semana do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei, que morreu no início do conflito entre os EUA e o Irão, em fevereiro, muitos participantes saíram às ruas com cartazes a apelar à morte de Trump e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
«1 000 mísseis estão preparados e apontados à República Islâmica do Irão, com milhares de outros prontos a seguir de imediato, caso o governo iraniano cumpra a sua ameaça», escreveu Trump numa publicação na sua conta na Truth Social.
Rematou depois a publicação com a expressão «louvado seja Alá», como já fizera numa mensagem em que ameaçava o Irão em abril passado.
Na sexta-feira, o Presidente norte-americano afirmou ter concordado em prolongar as conversações com o Irão, mas reiterou que o cessar-fogo previsto no «memorando de entendimento» (MoU) assinado em junho entre os dois países tinha chegado ao fim.
Ao abrigo dos termos do acordo provisório, Washington e Teerão tinham acordado cessar as hostilidades. Os Estados Unidos levantariam o bloqueio naval ao Irão, enquanto Teerão reabria o Estreito de Ormuz e reafirmaria que «não adquirirá nem desenvolverá armas nucleares». O memorando dava aos Estados Unidos e ao Irão 60 dias para chegar a um acordo final.
No entanto, uma série de ataques de retaliação entre as duas partes, esta semana, veio pôr em causa os esforços para chegar a um acordo definitivo.
A troca de fogo ocorreu numa altura de disputa contínua sobre o estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o transporte de petróleo e gás, que tem estado no centro das tensões entre Washington e Teerão. O Irão fechou na prática a via marítima depois do início da guerra, em fevereiro, provocando caos nos mercados de energia e levando a nova ação militar dos Estados Unidos.
O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que as suas forças lançaram, terça-feira e quarta-feira, uma nova vaga de ataques contra a defesa aérea iraniana e outros alvos militares, numa operação que descreveu como um esforço para «reduzir ainda mais a capacidade do Irão de atacar navios comerciais» no estreito.
Segundo o CENTCOM, cerca de 170 alvos foram atingidos ao longo dos dois dias. Em resposta, o Irão atacou várias bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait.
Irão insiste que cumpre a palavra
Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, afirmou no sábado que o país «tem cumprido a palavra» quanto ao cessar-fogo.
«Até agora o Irão tem cumprido a palavra, ao contrário do chamado secretário do Tesouro dos EUA, que está a violar o parágrafo 9 do MoU», escreveu numa publicação nas redes sociais. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou, na sexta-feira, novas sanções contra um financiador iraniano e casas de câmbio iranianas.
O parágrafo nove do MoU estipula que, enquanto não houver acordo final, o Irão «manterá o atual status quo do seu programa nuclear» e que os Estados Unidos «não imporão novas sanções» nem «deslocarão forças adicionais para a região».
«Essa violação soma-se a outras violações e erros cometidos pelos Estados Unidos. Convém ser claro: só pode haver cumprimento mútuo», acrescentou Araghchi.
Segundo a agência oficial iraniana IRNA, Araghchi deverá chegar a Omã no sábado para conversações sobre o estreito.
Uma agência marítima britânica reportou vários ataques contra petroleiros que atravessavam esta semana o estreito de Ormuz.
Na terça-feira, Majed Al Ansari, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, atribuiu ao Irão um ataque contra um navio qatari no estreito, classificando-o como «um ataque inaceitável à segurança e à proteção da navegação marítima internacional».
Ansari acrescentou que Doha considera o Irão «totalmente responsável, do ponto de vista jurídico, por este ataque e por quaisquer danos e consequências daí resultantes», embora Teerão tenha negado a acusação.
A agência iraniana Tasnim informou na sexta-feira que uma delegação do Qatar estava em Teerão para «tentar reforçar o papel do Qatar como mediador após os acontecimentos de terça-feira».