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EUA: Trump ameaça destruir totalmente o Irão após acordo para mais conversações

Presidente Donald Trump fala com jornalistas a bordo do Air Force One após aterrar na base da Força Aérea dos EUA em RAF Mildenhall, Inglaterra, a 8 de julho.
Presidente Donald Trump fala com jornalistas a bordo do Air Force One após aterrar na base da Força Aérea dos EUA em RAF Mildenhall, em Suffolk, Inglaterra, a 8 de julho Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Nathan Rennolds
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«Mil mísseis estão prontos a disparar e apontados à República Islâmica do Irão», escreveu Trump nas redes sociais.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou durante a noite um aviso contundente a Teerão, afirmando que os Estados Unidos iriam «aniquilar e destruir completamente todas as áreas do Irão» caso haja uma tentativa de o assassinar.

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Durante as cerimónias fúnebres esta semana do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei, que morreu no início do conflito entre os EUA e o Irão, em fevereiro, muitos participantes saíram às ruas com cartazes a apelar à morte de Trump e do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

«1 000 mísseis estão preparados e apontados à República Islâmica do Irão, com milhares de outros prontos a seguir de imediato, caso o governo iraniano cumpra a sua ameaça», escreveu Trump numa publicação na sua conta na Truth Social.

Rematou depois a publicação com a expressão «louvado seja Alá», como já fizera numa mensagem em que ameaçava o Irão em abril passado.

Captura de ecrã de uma publicação na conta Truth Social do Presidente dos EUA, Donald Trump
Captura de ecrã de uma publicação na conta Truth Social do Presidente dos EUA, Donald Trump Screenshot of a post on US President Donald Trump's Truth Social account

Na sexta-feira, o Presidente norte-americano afirmou ter concordado em prolongar as conversações com o Irão, mas reiterou que o cessar-fogo previsto no «memorando de entendimento» (MoU) assinado em junho entre os dois países tinha chegado ao fim.

Ao abrigo dos termos do acordo provisório, Washington e Teerão tinham acordado cessar as hostilidades. Os Estados Unidos levantariam o bloqueio naval ao Irão, enquanto Teerão reabria o Estreito de Ormuz e reafirmaria que «não adquirirá nem desenvolverá armas nucleares». O memorando dava aos Estados Unidos e ao Irão 60 dias para chegar a um acordo final.

No entanto, uma série de ataques de retaliação entre as duas partes, esta semana, veio pôr em causa os esforços para chegar a um acordo definitivo.

Um participante leva um cartaz com a inscrição «Vamos matar Trump» enquanto as pessoas se dirigem ao cortejo fúnebre do líder supremo iraniano, aiatola Ali Khamenei, assassinado, em Teerão.
Um participante leva um cartaz com a inscrição «Vamos matar Trump» enquanto as pessoas se dirigem ao cortejo fúnebre do líder supremo iraniano, aiatola Ali Khamenei, assassinado, em Teerão. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

A troca de fogo ocorreu numa altura de disputa contínua sobre o estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o transporte de petróleo e gás, que tem estado no centro das tensões entre Washington e Teerão. O Irão fechou na prática a via marítima depois do início da guerra, em fevereiro, provocando caos nos mercados de energia e levando a nova ação militar dos Estados Unidos.

O Comando Central dos Estados Unidos anunciou que as suas forças lançaram, terça-feira e quarta-feira, uma nova vaga de ataques contra a defesa aérea iraniana e outros alvos militares, numa operação que descreveu como um esforço para «reduzir ainda mais a capacidade do Irão de atacar navios comerciais» no estreito.

Segundo o CENTCOM, cerca de 170 alvos foram atingidos ao longo dos dois dias. Em resposta, o Irão atacou várias bases militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait.

Irão insiste que cumpre a palavra

Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, afirmou no sábado que o país «tem cumprido a palavra» quanto ao cessar-fogo.

«Até agora o Irão tem cumprido a palavra, ao contrário do chamado secretário do Tesouro dos EUA, que está a violar o parágrafo 9 do MoU», escreveu numa publicação nas redes sociais. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou, na sexta-feira, novas sanções contra um financiador iraniano e casas de câmbio iranianas.

O parágrafo nove do MoU estipula que, enquanto não houver acordo final, o Irão «manterá o atual status quo do seu programa nuclear» e que os Estados Unidos «não imporão novas sanções» nem «deslocarão forças adicionais para a região».

«Essa violação soma-se a outras violações e erros cometidos pelos Estados Unidos. Convém ser claro: só pode haver cumprimento mútuo», acrescentou Araghchi.

Segundo a agência oficial iraniana IRNA, Araghchi deverá chegar a Omã no sábado para conversações sobre o estreito.

Um porta-contentores, à direita, e um navio de carga são vistos no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, quarta-feira, 17 de junho de 2026.
Um porta-contentores, à direita, e um navio de carga são vistos no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, quarta-feira, 17 de junho de 2026. AP Photo

Uma agência marítima britânica reportou vários ataques contra petroleiros que atravessavam esta semana o estreito de Ormuz.

Na terça-feira, Majed Al Ansari, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, atribuiu ao Irão um ataque contra um navio qatari no estreito, classificando-o como «um ataque inaceitável à segurança e à proteção da navegação marítima internacional».

Ansari acrescentou que Doha considera o Irão «totalmente responsável, do ponto de vista jurídico, por este ataque e por quaisquer danos e consequências daí resultantes», embora Teerão tenha negado a acusação.

A agência iraniana Tasnim informou na sexta-feira que uma delegação do Qatar estava em Teerão para «tentar reforçar o papel do Qatar como mediador após os acontecimentos de terça-feira».

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