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Congo: descoberto novo macaco após 18 anos de busca na floresta

Likweli esquivo encara a câmara na copa da floresta do Congo
Likweli esquivo encara a câmara na copa da floresta do Congo Direitos de autor  Daniel Rosengren / PLOS One
Direitos de autor Daniel Rosengren / PLOS One
De Craig Saueurs
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Fotografia desfocada de 2008 leva investigadores a uma busca de 18 anos para confirmar nova espécie de macaco

Quase duas décadas depois de um macaco invulgar ter sido avistado pela primeira vez nas copas de uma floresta tropical no Congo, uma equipa internacional de investigadores descreveu-o como uma nova espécie.

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De pequeno porte, com a boca alaranjada e a viver no que é hoje parte do Parque Nacional Lomami, na República Democrática do Congo, o macaco é conhecido como Likweli entre os membros do grupo étnico Balanga. Nos registos científicos, passou agora a ser oficialmente descrito como Colobus congoensis – a sexta espécie de macaco-colobus, todas nativas de África.

“A nossa equipa analisou múltiplos conjuntos de dados, que chegaram todos à mesma conclusão: o Likweli é uma espécie distinta de macaco-colobus, nunca antes observada”, afirma Julia Arenson, bolseira de pós-doutoramento no Departamento de Antropologia de Yale e no Yale Institute for Biospheric Studies, que coassinou o estudo que reconhece formalmente o macaco.

“Descobrir uma nova espécie de primata é algo excecionalmente raro, sobretudo quando se trata de populações até então desconhecidas da ciência.”

Pista desfocada na copa da floresta

Para os investigadores, um vislumbre fugaz deste curioso animal acabou por transformar-se numa investigação de 18 anos.

Em 2008, os investigadores fotografaram um macaco preto desconhecido, no alto da copa da floresta tropical. Embora o animal parecesse diferente, a imagem estava demasiado desfocada para determinar se se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência.

Uma década mais tarde, um segundo avistamento reavivou o interesse e deu origem a um projeto de investigação.

“Só ao fim de 10 anos a explorar a floresta de Lomami é que obtivemos observações suficientemente nítidas e fotografias convincentes que nos permitiram afirmar que havia mais uma nova espécie de macaco”, explica a coautora Terese Hart.

“Este primata não era apenas novo – era extremamente raro e tinha uma distribuição muito limitada.”

Entre 2018 e 2022, os cientistas percorreram as florestas, registaram os chamamentos estrondosos e semelhantes ao coaxar de rãs, analisaram amostras genéticas e entrevistaram habitantes de 52 aldeias na periferia da área de distribuição do animal.

Os investigadores registaram 114 avistamentos ao longo de cerca de 1 700 quilómetros quadrados de floresta, mas o macaco continuou a revelar-se esquivo.

Apenas moradores de oito das aldeias inquiridas reconheceram a espécie – algo significativo, dado que estas comunidades têm um conhecimento profundo da vida selvagem que as rodeia.

O responsável pelo estudo, John Hart, atribuiu a descoberta aos investigadores congoleses que primeiro perceberam que estavam a observar algo invulgar.

“A descoberta e documentação do Likweli nunca teriam acontecido sem a nossa equipa de naturalistas exploradores congoleses”, afirma.

“Estes responsáveis de trabalho de campo souberam reconhecer quando estavam perante algo que desconheciam. Fizeram o esforço adicional necessário para o documentar e confirmar.”

Achado raro com implicações urgentes

Publicado na revista científica PLOS One (fonte em inglês), o estudo torna o Likweli apenas na quinta espécie de macaco africano descrita, nos últimos 75 anos, a partir de uma população selvagem anteriormente desconhecida.

Os investigadores estimam que o macaco ocupa uma área limitada de floresta entre três afluentes do rio Congo e alertam que a caça e a expansão das atividades humanas ameaçam a sua sobrevivência. A equipa recomendou também que a espécie seja classificada como em perigo.

“Trata-se de uma descoberta rara, com importantes implicações para a conservação”, sublinha Eric Sargis, professor de antropologia na Universidade de Yale.

Agora, com o Colobus congoensis oficialmente reconhecido pela ciência, os investigadores esperam que a sua descoberta ajude a chamar a atenção para a necessidade de proteger o Parque Nacional Lomami, a sua extraordinária biodiversidade e as espécies que ainda ali aguardam ser descobertas.

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