A Guarda Revolucionária iraniana alertou os civis no Médio Oriente para se manterem afastados de qualquer local com forças norte-americanas, numa escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão.
A Guarda Revolucionária iraniana dirigiu um aviso à população civil dos países do Médio Oriente onde estão destacadas forças norte-americanas, apelando para que se afaste de imediato, num raio de 500 metros, das bases e posições que acolhem militares dos Estados Unidos da América, incluindo os locais de residência por si descritos como "secretos e camuflados" no interior das cidades. Tal acontece num momento de escalada do confronto militar entre Teerão e Washington e de alargamento das ações iranianas contra posições norte-americanas na região.
O aviso foi incluído no Comunicado n.º 49 da Guarda Revolucionária, o qual recapitulou a evolução do confronto desde o início da guerra até à retomada das operações militares, há 13 dias. O texto afirma que os militares norte-americanos abandonaram algumas das suas bases e se deslocaram para edifícios no interior das cidades, a fim de dirigirem as operações, e alerta os residentes para não permanecerem junto desses locais, em nome da sua segurança.
Guarda Revolucionária detalha razões do alerta
A Guarda Revolucionária afirma que os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irão há cinco meses, referindo a morte de 168 crianças numa escola nos primeiros dias do conflito.
Acrescenta que, 40 dias após o início da guerra, aceitou regressar à mesa das negociações e assinar um memorando de entendimento para pôr fim aos combates e restaurar a calma na região, apesar de, segundo o comunicado, as forças iranianas manterem a capacidade para continuar as operações militares.
A Guarda Revolucionária acusa os Estados Unidos de violarem os compromissos assumidos desde os primeiros dias do entendimento, antes de o revogarem oficialmente a 21 de julho e retomarem a guerra.
De acordo com o comunicado, 13 dias após a retomada dos combates, voltaram a surgir sinais de dificuldades nas operações norte-americanas, o que terá levado as forças dos EUA a atacar infraestruturas e instalações civis, incluindo pontes, cais de pesca, embarcações, veículos e linhas ferroviárias.
A Guarda Revolucionária acusa também as forças norte-americanas de terem visado peregrinos da Arbaeen do imã Hussein junto da fronteira iraquiana, num ataque que terá causado mortos e feridos.
A Guarda Revolucionária afirma ainda que o Irão responderá aos responsáveis por estes ataques caso continuem e alega que um número significativo de oficiais e soldados do exército norte-americano abandonou as suas bases por receio de ofensivas iranianas, passando a utilizar edifícios dentro das cidades como centros de comando.
A Guarda Revolucionária exorta os habitantes dos países onde estão destacados militares norte-americanos a afastarem-se, de imediato, num raio de 500 metros, dos respetivos locais de residência "secretos e camuflados", a fim de salvaguardar a sua segurança.
A Guarda Revolucionária pede ainda aos cidadãos que informem o seu departamento de relações públicas sobre os novos locais para onde os militares norte-americanos se estão a deslocar, através da conta oficial no Telegram, @sepahnewsiradmin, ou da secção "Contacte-nos" no sítio sepahnews.ir.
Jordânia e Erbil: Guarda Revolucionária anuncia ataques a alvos norte-americanos
Noutro comunicado, a Guarda Revolucionária anunciou a 27.ª vaga da operação "Nasr 2", que teve como alvo a base norte-americana de Azraq, na Jordânia.
Segundo o comunicado, o ataque danificou vários aviões de combate e destruiu um alojamento de militares norte-americanos, tendo provocado mortos e feridos entre as tropas, números esses que não foram confirmados por Washington nem por Amã.
Foi igualmente anunciada a destruição de um sistema de defesa aérea Patriot e de um balão de vigilância norte-americano em Erbil, bem como o ataque a outro alojamento de militares dos EUA. A Guarda Revolucionária ameaçou Washington com novas represálias caso as operações se mantenham.
Bahrein e Jordânia: exército iraniano lança ataques com drones
Entretanto, o exército iraniano anunciou a 24.ª fase da operação "Relâmpago", que consistiu em ataques a posições militares norte-americanas na Jordânia e no Bahrein, com recurso a drones.
De acordo com o exército, drones suicidas do modelo "Arash" atingiram depósitos de combustível, armazéns, hangares de equipamento e alojamentos de militares norte-americanos na base de Sheikh Isa, no Bahrein.
Acrescentou ainda que ataques semelhantes visaram hangares de aviões, uma instalação de manutenção e alojamentos de militares norte-americanos na base de Azraq, na Jordânia.
O exército iraniano já tinha anunciado ataques às bases de Doha, Arifjan e Udairi, no Kuwait, enquanto a Guarda Revolucionária afirmou ter bombardeado a base aérea de Al-Salem, no mesmo país.
Jordânia abate mísseis e drones iranianos
Por seu turno, o exército jordaniano anunciou esta sexta-feira ter abatido sete mísseis e seis drones provenientes do Irão, que, segundo Amã, tinham como alvo o território do reino.
O exército precisou que os sistemas de defesa aérea e os aviões da Força Aérea Real interceptaram os mísseis e os drones, sem que tenha havido vítimas ou danos materiais.
Décima terceira noite de ataques norte-americanos
Estes acontecimentos ocorrem após o Comando Central norte-americano ter anunciado o fim da 13.ª noite consecutiva de ataques contra o Irão, salientando que as operações visam responsabilizar Teerão e reduzir as suas ameaças à navegação comercial, acrescentando que os navios continuam a atravessar o estreito de Ormuz com o apoio das forças armadas dos EUA.
Segundo as autoridades iranianas, os bombardeamentos causaram quatro mortos e sete feridos nas províncias de Khuzistão e Hormozgan, bem como danos na rede elétrica em Bandar Abbas.
Os ataques abrangeram as zonas de Ahvaz, Omidieh, Andimeshk, Bandar Abbas, Jask e Naein. Meios de comunicação iranianos relataram também a deteção de explosões noutras áreas, nomeadamente na ilha de Qeshm e nas localidades de Konarak, Khorramabad e Khondab. Em Teerão, os órgãos de comunicação social locais noticiaram a ativação das defesas aéreas para enfrentar o que descreveram como "alvos inimigos".