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Trump ameaça usar ativos iranianos congelados para pagar danos marítimos

Navios comerciais são vistos no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, terça-feira, 30 de junho de 2026
Navios comerciais são vistos no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, terça-feira, 30 de junho de 2026 Direitos de autor  Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP
Direitos de autor Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP
De Evelyn Ann-Marie Dom
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Teerão afirmou esta sexta-feira que a ameaça do presidente dos EUA de pagar danos nos navios com ativos iranianos é um “precedente incendiário”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou usar ativos iranianos congelados para pagar danos causados a navios e cargas no Golfo e nas áreas circundantes.

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“Que esta declaração fique a valer, até nova ordem: a partir de agora, quaisquer danos causados a navios, cargas ou a qualquer coisa relacionada serão pagos com dinheiro iraniano que os Estados Unidos detêm e controlam”, escreveu Trump na rede social Truth Social.

Em resposta à declaração de Trump, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou na sexta-feira que a apreensão desses ativos para pagar danos no transporte marítimo representa “um precedente incendiário”.

“Apreender os ativos de outro país para pagar reclamações futuras não relacionadas é um precedente incendiário”, notou Araghchi na sexta-feira.

“Quem celebra ou beneficia com esses fundos deve recordar: quando os governos normalizam a confiscação, nenhum ativo está seguro. O caos que se seguirá não será bonito nem pacífico”, acrescentou.

Esta mais recente troca de acusações surge numa altura em que os Estados Unidos lançaram a 13.ª noite consecutiva de ataques contra o Irão, visando alvos militares e comerciais.

Os meios de comunicação estatais iranianos deram conta de explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, importante centro de abastecimento militar e de carga comercial, bem como na ilha de Qeshm, onde estão estacionados meios navais, incluindo embarcações não tripuladas capazes de atacar navios que atravessam o estreito de Ormuz.

Foram também registadas explosões a noroeste, perto de Andimeshk, Omidiyeh e Firuzabad.

À medida que Washington e Teerão mantêm o impasse em torno do estreito de Ormuz, surge uma nova frente na região, com os Houthis, apoiados pelo Irão, a ameaçarem encerrar outra rota comercial crítica.

Na quinta-feira, Trump ameaçou os Houthis com “uma punição militar pesada” depois de o grupo armado, auxiliado por Teerão, ter afirmado que atingiu dois petroleiros sauditas que transitavam pelo mar Vermelho.

“Os Estados Unidos considerarão o Irão responsável, já que os Houthis são um substituto e/ou um procurador do Irão, e será infligida uma forte punição militar ao Irão e, naturalmente, aos próprios Houthis”, caso os rebeldes lancem novos ataques, frisou Trump na Truth Social.

O presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos iriam “tratar” dos Houthis se o transporte marítimo e as exportações de energia fossem colocados em perigo por um eventual bloqueio de Bab el-Mandeb, a estreita passagem para o mar Vermelho por onde costuma transitar cerca de 12% do comércio mundial.

No início da semana, os Houthis disseram ter fechado o estreito de Bab el-Mandeb à navegação ligada à Arábia Saudita, em retaliação pelo bloqueio imposto pelo reino ao Iémen e por um recente ataque ao aeroporto internacional na capital iemenita (Saná) controlada pelos rebeldes.

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