Abelardo de la Espriella promete romper relações com Havana e Manágua e encerrar consulados e embaixadas para cortar custos. Toma posse a 7 de agosto, em Cali.
Presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, prometeu que vai cortar relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua quando assumir o cargo, a 7 de agosto, numa das primeiras decisões de política externa anunciadas pelo futuro governo.
“No meu governo não haverá qualquer vínculo com tiranias”, afirmou De la Espriella, que se proclamou vencedor das presidenciais na Colômbia em junho passado, numa mensagem difundida nas redes sociais, na qual procurou justificar a rutura com os governos de Havana e Manágua.
Ainda assim, o dirigente conservador sustenta que a medida faz parte de uma reorganização mais ampla do serviço externo, destinada a reduzir despesas e concentrar recursos em prioridades como a segurança. No entanto, ninguém deixa de notar que o anúncio do futuro presidente colombiano surge numa altura em que os Estados Unidos têm vindo a aumentar a pressão sobre Cuba, bem como sobre a Nicarágua, cujo líder, Daniel Ortega, anunciou na semana passada que não prevê realizar mais eleições no país.
A reforma, anunciada através de um vídeo difundido nas redes sociais, prevê o encerramento de 15 consulados e 14 embaixadas, entre elas as situadas na Argélia, Barbados, Etiópia, Haiti, Hungria, Senegal e África do Sul. O presidente eleito precisou que o encerramento destas missões diplomáticas não implicará a suspensão das relações com esses Estados.
Segundo De la Espriella, os recursos poupados serão canalizados para áreas como a segurança, a saúde, a educação e as infraestruturas. “Cada peso que poupemos em burocracia será um peso que poderemos investir em segurança, saúde, educação, infraestruturas e, sobretudo, oportunidades para os mais pobres”, assegurou. Anunciou ainda uma auditoria técnica durante os primeiros 100 dias de mandato para avaliar a utilidade das restantes missões diplomáticas.
“Colômbia precisa de uma diplomacia moderna, eficiente e ao serviço dos interesses nacionais, e não da politiquice e da burocracia”, sustentou.
O futuro presidente confirmou também que vai reabrir a embaixada da Colômbia em Jerusalém, restabelecendo a representação diplomática com Israel após a rutura decretada por Gustavo Petro em 2024, e que vai abrir uma nova embaixada na Nigéria para reforçar a presença colombiana em África, onde, explicou, existem “oportunidades estratégicas”.
Colômbia: tomada de posse em Cali
De la Espriella confirmou que a tomada de posse terá lugar a 7 de agosto em Cali, capital do departamento do Vale do Cauca, e não em Bogotá, como dita a tradição. Inicialmente tinha proposto realizar a cerimónia em Popayán, mas afastou essa opção por motivos logísticos e de segurança.
A decisão suscitou críticas do presidente cessante, que questionou o facto de o ato não se realizar na Praça Bolívar, em Bogotá. Petro chegou mesmo a ironizar, sugerindo que poderia ser organizada em Miami, onde o presidente eleito tem um escritório de advogados.
A mudança de local ocorre num contexto marcado pelo debate sobre a segurança na Colômbia, um dos eixos da campanha de De la Espriella, que prometeu endurecer o combate aos grupos armados e abandonar a política de “paz total” promovida pelo governo de Petro.