O presidente dos Estados Unidos afirmou que o seu governo avalia se Teerão guarda drones e mísseis na ilha e avisou que Washington reagirá se o confirmar. Não apresentou provas nem detalhes sobre o alegado armamento.
Estados Unidos investigam se o Irão mantém drones armazenados em Cuba, como confirmou esta segunda-feira o presidente Donald Trump a partir da Sala Oval.
Questionado pela imprensa sobre um alegado relatório de inteligência que apontava para essa possibilidade, o chefe de Estado respondeu sem rodeios: "se os tiverem, e é muito possível que os tenham, trataremos disso".
Trump foi mais longe e sugeriu que a ilha também poderia estar a guardar mísseis iranianos, algo que, segundo disse, o seu governo "está a investigar neste momento".
Trump não apresentou fotografias, documentos de inteligência nem detalhes sobre o número, o modelo ou a localização dos supostos meios. A pergunta que desencadeou as suas declarações surgiu de um jornalista de um meio próximo de posições conservadoras, que se referiu a um relatório até então não tornado público.
Mencionou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, se encontrava numa sala contígua enquanto respondia, sugerindo que o assunto já estava sobre a mesa do Departamento de Estado.
Para já, o único elemento confirmado é que Washington abriu uma revisão sobre o caso, não que o armamento exista nem que represente uma ameaça iminente. Cuba ainda não se pronunciou sobre as afirmações do presidente norte-americano.
Mais sanções sobre uma ilha já asfixiada
As declarações de Trump chegam numa altura de pressão crescente sobre Havana. O Departamento de Estado anunciou a designação de dez entidades ligadas ao governo cubano no âmbito do que descreveu como uma iniciativa para travar "as atividades malignas" do regime cubano, entre elas a Enetec S.A. e a Coreydan S.A., dedicadas ao comércio de combustíveis, e os grupos empresariais Gecomex e Gemar.
Em junho, as sanções já tinham atingido o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, vários familiares seus e o coronel Alejandro Castro Espín, filho do antigo presidente Raúl Castro, contra quem o Departamento de Justiça mantém ainda uma acusação pelo abate, em 1996, de duas avionetas do exílio cubano que custou a vida a quatro pessoas.
Às mais de seis décadas de embargo, a Administração acrescentou desde o início do ano um bloqueio energético que as autoridades cubanas associam aos cortes de eletricidade a nível nacional registados este ano, o mais recente na passada sexta-feira.
Mais de 300 drones desde 2023
Uma análise da Axios, citada por vários meios, sustenta que o regime cubano incorporou mais de 300 drones militares de origem russa e iraniana desde 2023 e que as Forças Armadas Revolucionárias estudam uma eventual utilização destes sistemas contra alvos norte-americanos como a base naval de Guantánamo ou instalações em Key West.
O próprio relatório alerta que apresentar drones armados como meios defensivos corresponde mais a uma distorção da linguagem do que à doutrina militar habitual e sublinha que a incorporação destes sistemas foi fruto de uma planificação de vários anos, não uma resposta improvisada às tensões recentes com Washington.