O primeiro-ministro iraquiano Ali Zeydi, visitou Ancara e, num encontro com Erdoğan, ofereceu à Turquia um milhão de barris de petróleo por dia para reduzir a dependência das conturbadas rotas do Golfo.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, disse, na terça-feira, que o Iraque se ofereceu para fornecer à Turquia até um milhão de barris de petróleo por dia, durante a visita do primeiro-ministro iraquiano, Ali Zeydi, a Ancara para conversações sobre energia e segurança regional.
“O nosso vizinho está aqui ao lado”, afirmou Erdoğan numa conferência de imprensa conjunta após as conversações no complexo presidencial. “O nosso objetivo agora é assinar, o mais rapidamente possível, um acordo abrangente de cooperação energética que beneficie ambas as partes.”
“Passar a receber um milhão de barris de petróleo do nosso vizinho Iraque vai cobrir as nossas necessidades”, disse o presidente turco. Zeydi confirmou o valor, acrescentando: “Sim, é isso mesmo, um milhão.”
Na terça-feira não foi assinado qualquer acordo vinculativo sobre o volume ou o calendário. As duas partes assinaram, no entanto, um acordo para a Turkish Petroleum adquirir uma participação de 15% nas operações da BP no campo petrolífero de Kirkuk. Erdoğan qualificou este acordo como “um passo histórico”, enquanto o acordo mais alargado de cooperação energética continua em negociação.
A Turquia importa cerca de 90% do petróleo que consome e tem estado sob pressão para diversificar o abastecimento desde o início da guerra do Irão, que fez subir os preços globais da energia e levou ao encerramento do estreito de Ormuz. O Iraque é já um dos parceiros comerciais mais próximos de Ancara e uma das principais fontes de crude.
Zeydi escolheu Ancara para a terceira visita ao estrangeiro, depois de Washington e Teerão. Os dois líderes abordaram também a situação mais alargada na região, incluindo a Palestina, Síria e o Irão. Erdoğan afirmou que a Turquia está pronta para fornecer ao Iraque equipamento de defesa.
Iraque e Turquia discutem Estrada do Desenvolvimento e outras iniciativas
O projeto Estrada do Desenvolvimento (Development Road), avaliado em 17 mil milhões de dólares - um corredor de autoestrada, ferrovia e oleodutos com cerca de 1 200 quilómetros entre o porto iraquiano de Bassorá e a fronteira turca, prolongando-se depois até à Europa - foi um dos principais temas das conversações.
Zeydi afirmou que os trabalhos ganharam novo impulso. O ministro dos Transportes turco, Abdülkadir Uraloğlu, disse que as duas partes estão perto de concluir os detalhes e que a construção pode começar antes do final de 2026.
O projeto foi anunciado pela primeira vez em 2023 e destina-se a proporcionar ao Iraque uma ligação terrestre direta aos mercados europeus, reduzindo a dependência do transporte marítimo pelo Golfo. O objetivo ganhou maior urgência desde o encerramento do estreito de Ormuz.
O acordo, com várias décadas, sobre o oleoduto Kirkuk-Ceyhan caducou em julho de 2026. Os dois países negoceiam um novo acordo que, segundo o ministro turco da Energia, Alparslan Bayraktar, terá de incluir um mecanismo que garanta a utilização plena da capacidade do oleoduto, até 1,5 milhões de barris por dia.
O oleoduto está encerrado desde março de 2023, na sequência de uma decisão arbitral contra a Turquia relativa às exportações de petróleo curdo. A sua reativação tem sido uma prioridade para ambos os governos.
Bayraktar adiantou que a Turquia está também a analisar formas de enviar gás natural para centrais elétricas iraquianas que enfrentam falta de abastecimento.
No domínio da água, os dois países assinaram um novo quadro para a gestão conjunta do sistema fluvial partilhado dos rios Eufrates e Tigre, que deve entrar em vigor a 1 de setembro.
Os projetos conjuntos de infraestruturas são financiados através de uma conta específica, alimentada pelas receitas do petróleo iraquiano proveniente das vendas à Turquia, com empresas turcas a liderar a construção.
A gestão da água tem sido, há muito, uma fonte de tensão entre os dois países: o Iraque tem repetidamente acusado as barragens turcas a montante de reduzirem os caudais a jusante a níveis criticamente baixos.